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O Brasil está em recessão técnica se considerarmos os números sobre o desempenho da economia divulgados pelo IBGE referente ao primeiro trimestre deste ano.
O Produto Interno Bruto que mede a riqueza do país caiu pelo segundo trimestre consecutivo, caracterizando conceitualmente recessão. Para se ter uma idéia a economia brasileira atual está do tamanho da economia de 2007. Devemos considerar que a população e o próprio Estado cresceram neste período, portanto, em média, estamos mais pobres.
O PIB teve bom desempenho do lado do setor de serviços, com crescimento de 0,8%, também ajudou no desempenho do PIB o consumo das famílias com crescimento de 0,7%, assim como o gasto do governo, com crescimento de 0,6%. Na outra ponta puxaram o PIB para baixo as exportações (-16%), os investimentos, que observou desempenho negativo de 12,6%, o setor industrial com queda de 3,1% e o setor agropecuário com queda de 0,5%.
Observem que setores importantes com a indústria e o agronegócio caíram. Mas o que chama a atenção é a queda do nível de investimentos. São os investimentos que permitem nova rodada de geração de riqueza. Queda agora, resultados ruins ali na frente.
O setor de serviços tem sido o grande abrigo de boa parte da geração de riqueza. Com ciclos de caixa mais rápidos, com maior pulverização em relação ao número de empresas, na média, o setor ajudou a segurar a geração de riqueza no país. O crédito mais abundante barato tem também seu efeito: o consumo das famílias subiu.
Considerando que os dados divulgados são um retrato e que a economia se assemelha muito mais a um filme, pela sua dinâmica, podemos afirmar que, a combinação da desoneração fiscal e queda nos juros, mudou e mudará os resultados dos trimestres a serem apurados pelo IBGE, mesmo considerando que o nível de investimentos está aquém do desejado. Desta maneira ficaremos somente com o conceito de recessão, pois no mundo real, neste momento, já sinais de reversão do desempenho econômico.
O governo Federal até comemorou o desempenho da economia dizendo que havia muito pessimismo no mercado, que a queda foi menor do que a prevista, contudo, avalio que o Presidente e seus assessores deveriam ser mais prudentes, pois o próprio governo errou em exagerar no otimismo inicial. Não acertaram nem os pessimistas do mercado e tampouco os otimistas do governo.
Independentemente de quem acertou ou errou é fato que o setor público tem papel importante na velocidade da recuperação: melhorar a qualidade de seus gastos, afrouxar a política monetária, continuar com a desoneração fiscal e atuar de maneira responsável, identificando gargalos e setores que passam por dificuldades, com ações práticas e certeiras.
Retrato é retrato, mas sempre enseja reflexões.














