mai 11
    

Invariavelmente os políticos alardeiam a necessidade da vinda de grandes empresas para a cidade. Não que eu seja totalmente contra, mas entendo que devemos analisar melhor esta questão.

 

Bauru possui uma economia pulverizada. O maior empregador ainda é a Prefeitura Municipal.

 

Possuímos algumas poucas empresas geradoras de um grande número de empregos. O setor terciário, por exemplo, que abriga o comércio e serviços, vem observando um crescimento significativo. Já possuímos algumas empresas com mais de mil funcionários nos setores jurídico, de recuperação de crédito, de alimentação, entre outros.

 

Mesmo no setor secundário, onde a indústria precisa de escala, conta-se nos dedos o número de empresas que ultrapassam os mil funcionários.

 

A realidade é que Bauru tem por característica possuir muitas pequenas e médias empresas. É a base da economia local. Isoladamente não representam muito, mas juntas garantem a força da economia da cidade.

 

Em momentos de crise, como a que vivenciamos, essa economia pulverizada joga em favor da economia local.

 

Todos se recordam o quanto a cidade foi refém das empresas estatais e, quando houve o desmonte do setor público, com as privatizações, a cidade entrou em ciclo de estagnação, evidentemente potencializada pela instabilidade política, mas ali ficou demonstrada nossa fragilidade.

 

Recuperamos e agora, sem empresas “carros-chefes”, conseguimos contornar a fase mais aguda da crise financeira internacional.

 

Muitos setores foram afetados pela crise, mas não se observou nada mais intenso na economia da cidade.. As vagas fechadas foram de alguma maneira assimiladas pela economia local, e não se tem notícia que a cidade pararia por conta da queda do nível de atividade, a que é realidade em várias outras localidades.

 

Algumas cidades são reféns do setor de etanol, outras da construção de aeronaves, outras ainda da pecuária, mas Bauru diversifica e cria anticorpos importantes.

 

Esta constatação não pode nos levar a acomodação, afinal a cidade é geradora de mão-de-obra qualificada em suas universidades que precisa ser absorvida pelo mercado, além da necessidade de investimentos em infra-estrutura e em qualidade de vida, que somente virão com o aumento do nível de arrecadação,

 

Não possuir grandes empresas, que detenham o poder econômico da cidade, nos permite passar pela crise de forma mais segura.

 

Um mapeamento das empresas existentes e uma política de apoio, identificando suas necessidades, seria um grande passo para valorizar o que, a meu ver, temos de bom: estarmos cercados de pequenas e médias empresas.

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