Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


6 de maio de 2010

BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS: MENOS POLÍTICA E MAIS TÉCNICA

Categoria: Previdência – Reinaldo Cafeo 10:34

O reajuste das aposentadorias e pensões tornou-se um grande palanque político. Em ano de eleições os políticos querem os holofotes, passando a imagem de defensores dos aposentados e pensionistas.

Não vou entrar no mérito do reajuste em si, que pode ser 7,7%, 6,14% ou qualquer outro número. O que está em jogo é muito mais que isso. Na prática se faz necessário um plano de longo prazo que garanta o poder de compra dos valores recebidos por aqueles que contribuíram anos a fio para a previdência pública, os quais, quando se aposentam não conseguem manter um mínimo do padrão de vida até então estabelecido.

Visando substituir a discussão política pelo embasamento técnico é fundamental que o critério de reajuste seja fundamentado. Para definir o salário mínimo, por exemplo, foi estabelecido um critério que leva em conta o crescimento da economia e a inflação acumulada em 12 meses. Desta maneira a cada ano o governo já tem os parâmetros para fixar o valor do salário mínimo.

Está posto que somente repor a inflação passada, combinada com o fator previdenciário (que reduz o valor dos benefícios) força necessariamente a deterioração ao longo do tempo dos valores envolvidos, abrindo espaço para pressões políticas, levando a decisões oportunistas e voltadas para o interesse pessoal em detrimento ao interesse coletivo.

Há de um lado a necessidade em gerenciar as contas públicas com responsabilidade, principalmente quando se trata da previdência social, e de outro lado a necessidade de garantir direitos conquistados ao longo do tempo.

Em relação ao reajuste atual a “batata quente” será remetida ao Presidente Lula, que decidirá se age politicamente ou tecnicamente.

Se houver uma regra clara e permanente no reajuste dos benefícios previdenciários, muitos políticos perderão a oportunidade de capitalizar politicamente quando levantam a bandeira de defensores dos aposentados e pensionistas, entretanto garantirá previsibilidade na gestão dos recursos públicos.

Em questões técnicas deixar prevalecer os interesses políticos não contribui para o avanço do país.

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29 de abril de 2010

Empresas: é preciso saber crescer

Categoria: Empresas – Reinaldo Cafeo 15:48

Você já ter ouvido a frase: “eu era feliz e não sabia”. Ela tem sido reproduzida por inúmeros empreendedores de pequenos e médios negócios.

Eles querem dizer que quando eram menores controlavam mais suas contas, faturavam menos, mas contemplavam maior resultado.

As vendas podem e devem crescer, mas o desafio é alicerçar financeiramente a empresa para sustentar seu crescimento.

Operar acima da capacidade financeira da empresa pode comprometer os resultados da empresa.

A empresa quando cresce é obrigada a utilizar intensivamente o capital. São necessários máquinas, equipamentos, pessoal qualificado, estoques, financiamento a clientes, entre outros, isso tudo gera as denominadas deseconomias.

Com excesso de deseconomias e sem capital de giro para sustentar a operação o endividamento bancário de curto prazo passa ser a única alternativa para garantir este crescimento, gerando o chamado efeito tesoura. Este efeito ocorre quando a necessidade de capital de giro é crescente e os recursos de longo prazo (próprios e de terceiros), não acompanham esta necessidade.

Somente com planejamento é que o crescimento da empresa se sustenta. Projetar vendas, custo e lucro, buscando fontes adequadas de financiamento, garantem bons resultados e vida longa às empresas.

Não há problema algum buscar recursos de terceiros, o problema reside em não alavancar, ou seja, o custo deste dinheiro corroer todo o resultado porque a empresa não se preparou operacionalmente para transformar cada real emprestado em muito mais reais dentro da empresa. Além de alavancar o princípio é: retorno de longo prazo, recursos de longo prazo.

Em mercados competitivos como é nosso não há tempo para erros e tais erros podem comprometer toda a gestão do negócio.

Um bom planejamento financeiro permitirá mudar a frase de “era feliz e não sabia” para “cresci e sou mais feliz”. Então, mãos a obra.

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14 de abril de 2010

Álcool no Brasil e a lei da oferta e procura

Categoria: Economia – Reinaldo Cafeo 19:26

O comportamento do preço do etanol no Brasil está virando um caso de polícia.    Em determinada época o preço sobe devido a entressafra, quando os preços devem cair na safra ocorre a manipulação dos estoques.

Por outro lado, produtores de cana do interior de São Paulo, notadamente da região de Jaú, denunciam que são obrigados a praticar preços que são impostos pelas usinas. Denunciam a formação de cartel.

Não há provas de prática do abuso do poder econômico no setor, mas se o Brasil efetivamente quer que o álcool derivado da cana-de-açúcar seja considerado um produto alternativo ao uso de combustível fóssil ou outras fontes não renováveis, algo mais contundente deve ser feito.

Na prática, o setor precisa ser regulado. Quando houve a abertura econômica e o afastamento do Estado da economia, foram criadas agências reguladoras e com elas um acompanhamento mais de perto do comportamento do mercado. É o caso da agência nacional do petróleo, só para citar um exemplo.

O álcool ainda não é considerado uma commoditie e a buscas por este “status” força necessariamente a regulação deste mercado. O que não pode é o mercado ficar a mercê do preço do açúcar e da boa vontade dos usineiros, alterando a produção e oferta do produto.

O governo tem a sua disposição um arsenal de leis que lhe oferece instrumentos para coibir a prática desleal de comércio, o que pode ser o indicativo deste mercado em particular.

Os consumidores em particular não podem conviver com tamanha oscilação de preços, ditadas sabe-se lá por que lógica econômica, e o que é pior, com ameaça de desabastecimento.

Se tomarmos somente os investimentos em veículos flex realizados pela indústria automotiva, já se justifica intervir neste mercado.

Não temos saudades dos preços tabelados, que eram na maioria das vezes definidos na calada da noite pelos governantes de plantão, mas se o mercado não é capaz de seguir a lógica da oferta e procura, a intervenção do Estado se faz necessária.

Priorizar o álcool como combustível? Sim, desde que com regras transparentes e duradouras, prevalecendo acima de tudo a lei da oferta e procura.

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1 de abril de 2010

O regime de metas de inflação

Categoria: Sem categoria – Reinaldo Cafeo 16:27

Desde julho de 1999 o Brasil adotou o chamado regime de metas de inflação. Não é novidade, pois outros países praticam a mesma metodologia.

A idéia básica desse regime é projetar a inflação para os próximos períodos, no caso brasileiro para os 12 meses subseqüentes. A projeção é desenvolvida em um modelo econométrico.

Acontece que a fixação do centro da meta da inflação bem como o horizonte da projeção não segue um padrão.

Em outras palavras, quem define o patamar e a quantidade de meses projetados é a equipe econômica do governo.

Não quero defender que a inflação no Brasil deva ser fixada em metas mais elevadas, principalmente conhecendo o histórico de inflação no Brasil, mas entendo que poderíamos adotar metas menos restritivas.

Qual seria na prática a diferença entre uma meta de 5,5% podendo atingir até 7,5% e uma projeção, por exemplo, para os próximos 24 meses e a atual que trabalha com 4,5% podendo atingir 6,5% em um horizonte de tempo de 12 meses? Buscar o ajuste em 24 meses é uma tarefa menos árdua do que em 12 meses.

Insisto: o nosso passado nos condena, entretanto, considerando o sacrifício que o país tem que fazer para controlar os preços em níveis tão baixos, me parece que o mais prudente seria uma revisão dos critérios para fixação de metas.

Evidentemente que uma mudança, se houver, não pode ser em período pré-eleitoral, entretanto é um bom tema para discussão na sucessão presidencial.

Países que adotam metas de inflação baixa convivem com juros reais no mínimo na metade dos praticados no Brasil e crescimento sustentado bem acima do projetado para o Brasil.

O próprio regime de câmbio flutuante permite práticas de juros menores.

Em resumo: a reflexão é no sentido de analisar qual deve ser o bem maior a ser objetivado pelo governo – metas apertadas, ou metas que contemplem a realidade brasileira, notadamente de um país que precisa promover crescimento sustentado.

Só é difícil aceitar inflação em patamares de primeiro mundo, e crescimento, renda, juros, entre outras variáveis, de terceiro mundo.

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25 de março de 2010

Visão empresarial faz a diferença

Categoria: Empresas – Reinaldo Cafeo 10:15

O que efetivamente diferencia a atuação de uma empresa da outra? A visão empresarial.

Não raramente nos deparamos com fatos que nos levam a refletir como certas empresas conseguem se impor no mercado.

Muitos segmentos ou ramos de atividade sofrem demasiadamente com a crise ou com a própria falta de demanda no mercado, e outras, no mesmo segmento, conseguem deslanchar.

Nesse momento é que surge o diferencial de quem está no comando.

Pessoas hábeis, que se utilizam dos instrumentos de planejamento estratégico, para buscar os diferenciais.

Praticam aquilo que para alguns só fica no discurso: utilizar na plenitude a criatividade; incentivar talentos; agregar valor ao produto; incorporar excelência na prestação de serviços; encantar os clientes.

Muitos lêem, participam de palestras, colecionam farto material didático, mas não conseguem colocar em prática.

Vivem de paradigmas do tipo: já tentei e não deu certo; eu faço assim há 30 anos, não vou mudar; o mercado está em crise; na teoria é fácil, quero ver na prática; e por aí afora.

Desanimam qualquer equipe.

A visão empresarial requer dedicação, compartilhar decisões, alinhavar parcerias, se espelhar nos bem-sucedidos; ter otimismo.

Tendo essas práticas contornamos os momentos difíceis, transformando as ameaças em oportunidades.

Os sábios, os estrategistas, sabem praticar isso adequadamente.

Pense nisso e veja como está a sua prática na empresa.

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18 de março de 2010

Sucessão presidencial: neoliberal x neoliberal

Categoria: Cenário – Reinaldo Cafeo 9:56

Uma das características das eleições presidenciais que se aproximam é a previsibilidade quanto a discussão de qual modelo econômico o Brasil adotará.

Quando da sucessão de Fernando Henrique Cardoso, havia uma discussão ideológica. De um lado a manutenção do modelo neoliberal e do outro o discurso histórico de um Partido dos Trabalhadores que pregava maior participação do Estado na economia.

A prática demonstrou que houve somente continuidade na maneira de conduzir a economia nacional, não obstante a mudança de estilo da gestão implementado pelo Presidente Lula.

Considerando a possível polarização entre PT e PSDB não haverá de parte a parte nenhuma discussão calorosa quanto ao modelo a ser adotado daqui para frente. Por sinal pensar em mudança radical na condução da economia nacional é dar um tiro no pé, à medida que a estabilidade econômica está em curso e com ela uma excelente avaliação do atual governo.

O PT terá que manter a coerência e indicar os mesmos caminhos trilhados até agora pela equipe econômica, e o PSDB, condutor por oito anos da estabilidade econômica nos moldes atuais, não trará novidades sobre o destino da economia nacional.

O que restará na discussão política? Modelo de gestão. Aqui sim será possível analisar a política de gastos públicos, com redução dos gastos em custeio privilegiando os gastos em investimentos, ações que melhorem a distribuição de renda no país, com melhoria na educação pública, eliminação da burocracia e desperdício dos recursos públicos, enfim, uma infinidade de questões que permitirão em última instância identificar estilos de gestão.

No tocante aos gastos públicos talvez seja o maior desafio para o próximo governo, a medida que o atual governo abriu a guarda neste particular.

Ao eleitor caberá a avaliação crítica, considerando que de novidade teremos pouca coisa.

Será o neoliberal versus neoliberal.

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