17 de junho de 2010
Os sindicatos, tanto patronal como de empregados, exercem importante papel na histórica relação capital/trabalho.
Podemos até afirmar que no Brasil engatinhamos na atuação sindical, afinal, a época da ditadura militar das décadas de 1960 e 1970 se incumbiu de limitar a atuação dos trabalhadores na articulação junto a seus pares.
Com a redemocratização brasileira a atuação sindical voltou fortemente, culminando, inclusive, com a eleição de Lula (entre outros líderes sindicais), expoente máximo da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Tudo isso aconteceu em 30 anos aproximadamente, bem diferente do acontece no resto do mundo. Somos novos nesta prática.
Isso tudo é fato, mas também é fato que os sindicatos patronais avançaram na direção de uma maior profissionalização de seu quadro funcional, enquanto os sindicatos dos trabalhadores, nem tanto.
São eleitos, legitimamente, representantes dos trabalhadores, através do voto, contudo, para muitos, atuarem sindicalmente virou meio de vida. São líderes junto a seus pares, mas isso não é sinônimo de competência administrativa, de boa comunicação e acima de tudo de estratégia de longo prazo.
Raramente há um bom interlocutor e até comunicador quando da atuação em campanhas salariais e outros momentos de negociação com os patrões.
Até mesmo em questões econômico-financeiras são cometidos erros básicos, como cálculos de reposição de inflação, o conceito de ganho real, entre outros. Alguns sindicatos já avançaram contratando especialistas na área, mas são poucos que têm esta prática.
Quero dizer que a gestão dos sindicatos deve contar com profissionais, próprios ou terceirizados, que sejam capazes de oferecer a base técnica para discussões que não têm como não ser políticas.
Traduzir em números o que se deseja em termos de reajuste, com o devido alicerce técnico, comunicar com a mídia de maneira a ser entendido, alicerçar juridicamente os pleitos e acima de tudo saber envolver e comprometer os trabalhadores que representam, deveriam fazer parte da estratégia macro das Entidades. É o conceito de proatividade. O que se observa que alguns sindicatos é que só reagem e não proagem.
É hora de oxigenar a mente dos sindicalistas e isso não quer dizer necessariamente renovar seu quadro, que poderia até ocorrer, mas é acima de tudo, oxigenar a forma de pensar e agir, entrando nas discussões, mesclando o espírito guerreiro e articulador dos líderes sindicais, com embasamento técnico, que lhes permitam ir aos embates, quando forem necessários, no mínimo de igual para igual.
Tenho insistido na frase de James Hunter no livro o Monge e o Executivo: “se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados, é preciso fazer diferente para colher diferente”.
Se efetivamente os sindicatos querem colher mais e avançar em sua representatividade, é preciso exercitar a autocrítica e acima de tudo estar aberto ao novo.
Um bom e alicerçado planejamento estratégico da Entidade Sindical já seria um bom caminho para chegar à profissionalização aqui indicada.
10 de junho de 2010
Dados divulgados pelo IBGE demonstram que o Brasil apresentou excelente desempenho econômico no primeiro trimestre deste ano: crescimento do Produto Interno Bruto de 9% sobre idêntico período de 2009. Tomando como base o trimestre anterior o crescimento foi de 2,7%, o que projetada um crescimento na ordem de 6% para este ano.
Os números que medem a geração de riqueza no país têm dois lados: bom e ruim.
Crescer 9% não é pouca coisa, portanto, tem que ser comemorado. Este patamar é inferior a poucos países no mundo entre eles a China (crescimento de 11,9%). O país ficou na sexta posição entre os países que mais cresceram no período. Ficamos a frente inclusive da índia que cresceu 8,6%. Além disso, a indústria de transformação cresceu 17,2%, o comércio 15,2%, a construção civil 14,9% e a indústria extrativa 13,6%. Outro aspecto positivo é a retomada dos investimentos, notadamente no setor industrial. A expansão foi de 26%. É a maior alta desde 1995.
O desempenho robusto demonstra que o Brasil se recuperou da recente crise internacional e de sobra retomou fortemente o nível da atividade econômica.
Mas nem tudo são flores.
Primeiramente devemos considerar a precária base de comparação, ou seja, os números atuais são comparados ao desempenho pífio da economia nacional do ano passado. Evidentemente que por este motivo os números atuais se potencializam.
Outro aspecto relevante, que nos remete a analisar o desempenho do PIB com cautela, é o fato que alguns setores tiveram excelente desempenho a partir de subsídios governamentais, como foi o caso do setor automotivo que teve na redução do IPI o que permitiu produzir e vender veículos “como nunca antes visto neste país” como gosta de dizer o presidente Lula. Daqui para frente serão praticados preços normais, o que reduzem as vendas.
Sem expandir a poupança interna, que se situa na casa dos 15,8% do PIB, portanto sem recursos para investimentos, haverá desequilíbrio entre a oferta e demanda no mercado, cujo efeito colateral já sabemos: inflação. Só para exemplificar, a poupança na China é na ordem de 30% do PIB. Para “segurar” a demanda o caminho será apertar a política monetária, com elevação dos juros básicos, aumento do compulsório bancário e outras restrições ao crédito.
Isso tudo sem falar do baixo investimento em infraestrutura, como energia, portos, aeroportos, estradas, armazéns, entre outros. São gargalos que não permitem a manutenção de um ritmo acelerado de crescimento da economia.
Se é importante comemorar o bom desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre, não é menos importante ter um olhar mais técnico e pé no chão, evitando entre outras coisas, uma euforia que pode se transformar em frustração. A análise do PIB tem seus dois lados.
2 de junho de 2010
Pesquisa feita pela consultoria GfK e pela revista do “Consumidor Moderno” apontou que caiu a qualidade no atendimento ao consumidor.
Com vendas em alta as empresas não investiram na estrutura de atendimento, elevando o tempo de espera do consumidor para ser atendido.
Esta constatação é em relação ao telefone e internet.
O fato é que o consumidor está cada vez mais exigente e se as empresas não investirem na qualidade do atendimento, haverá migração para concorrência.
Milhões de reais são gastos no sentido de atrair os consumidores, persuadindo-o as compras e tudo pode ir por água abaixo caso o atendimento não seja satisfatório.
Na era da informação que se transformou em conhecimento não é o maior que engole o menor e sim o mais rápido que ultrapassa o mais lento. Empresas pequenas podem ser ágeis, conquistando e fidelizando seus clientes e, empresas grandes, lentas, podem perder participação no mercado.
A tecnologia tem nivelado os produtos, restando o atendimento como diferencial competitivo.
Empresas modernas, arejadas e voltados para o mercado inverterem a pirâmide hierárquica, colocando no primeiro escalão o soberano consumidor, este que traz a receita para empresa e valorizaram seus colaboradores, estes que são os contatos diretos com os gerados de dinheiro para empresa.
O mercado está em crescimento, o perfil das classes sociais vem se alterando, só para exemplificar, mais de 30 milhões de brasileiros migraram das classes D e E para a classe C, permitindo acessar mais produtos, exigindo em contrapartida qualidade.
Esperar que o consumidor migre para a concorrência por falta de estrutura no atendimento, é no mínimo não entender o desejo deste cada vez mais exigente consumidor.
As empresas precisam investir em treinamento e ampliar o quadro de atendimento, caso contrário serão presas fáceis neste mercado competitivo.
É o momento de se preparar para garantir vendas constantes e em crescimento. Nada justifica atender sem qualidade.
27 de maio de 2010
A expressão “voo da galinha” se consagrou entre os Economistas no sentido de resumir o desempenho da economia brasileira.
A história tem mostrado que, toda vez que o país esboça crescimento econômico acima de 5% a 6% ao ano, este patamar de crescimento não tem sustentação.
Assim, semelhante à galinha, batemos a asa, saímos do chão, mas logo somos obrigados a admitir que não estávamos preparados para alçar voos altos.
O Brasil convive com um Estado “gastador”. Arrecada como nunca e gasta como sempre. Canalização excessiva de gastos em custeio em detrimento aos gastos em investimentos. A máquina pública fica cada vez mais robusta, sobrando poucos recursos para gerar riqueza ao país.
Sem investimento do setor público, o setor privado se recolhe. Quando o setor privado diminui sua capacidade ociosa, a partir de maior consumo das famílias, a resposta de oferta é mais lenta do que a resposta do excesso de demanda, desequilibrando o mercado, ensejando, por exemplo, o aumento da inflação.
Neste contexto o governo entra como paliativo, pois ataca os sintomas sem combater as causas. Os juros elevados, por exemplo, são “remédios” de uso contínuo para combater a inflação.
Com portos obsoletos, estradas precárias não permitindo o escoamento adequado da produção, falta de armazéns, baixa capacidade de geração e distribuição de energia, custo Brasil nas alturas, enfim, uma série e amarras e gargalos, não é possível pensar em outro voo que não seja o da galinha.
A tudo isso chamamos de crescimento sem sustentação.
Pode ser o voo da galinha, o efeito sanfona, dieta inadequada, enfim, utilizem a expressão que desejarem, mas uma coisa é verdadeira: não é possível conviver com esta falta de tendência a longo prazo.
É ruim não crescer, mas é pior crescer e não sustentar, forçando o recuo, para depois voltar a crescer.
Investimentos produtivos somente serão maturados com tendência de crescimento de longo prazo, mesmo que não seja elevado, mas constante.
Uma economia com o potencial da economia brasileira não pode ficar refém de um ciclo vicioso, que alterna crescimento econômico e desaceleração.
20 de maio de 2010
Em meio à crise americana, que por sinal a cada momento observa novos lances, a pergunta que se apresenta é: o Brasil está mesmo blindado? Em outras palavras: será que o país passará ileso no que se refere às conseqüências da crise imobiliária americana.
O comportamento até este momento indica uma resposta positiva. Talvez pudéssemos substituir a palavra blindado por algo como “melhor preparado”.
Os indicadores são favoráveis: reservas cambiais confortáveis para o padrão histórico brasileiro; relação dívida/PIB em queda; política monetária conservadora; inflação dentro da meta estabelecida; superávit primário, entre outros.
Temos ainda em nosso favor, por incrível que pareça, a maior taxa de juros do mundo, que se apresenta como um verdadeiro oásis para o capital estrangeiro.
A postura conservadora do governo brasileiro nas práticas das políticas fiscal (política tributária e política de gastos) e monetária (juros, compulsório, etc.) garante neste momento mais “robustez” para enfrentar a crise que se apresenta.
A preocupação advém de uma eventual queda da demanda mundial, atingindo fortemente nossas exportações, notadamente de commodities, expoentes de nosso comércio internacional. Isso de certa maneira já se refletiu nas fortes oscilações ocorridas no mercado acionário nesta semana.
Em tempos outros o lado monetário da economia já teria contaminado fortemente o lado real da economia (produção e geração de empregos/renda). A constatação é que as conseqüências ainda são marginais.
Até agora estamos reagindo de forma madura e garantindo que a dinâmica da economia se sobressaia diante das incertezas externas.
Poderíamos neste momento estar muito mais tranqüilos, pois não aproveitamos o “céu de brigadeiro” dos últimos anos para alicerçar ainda mais os fundamentos da economia, mas temos que admitir: estamos enfrentando essa crise em uma zona de conforto, ou seja, melhor preparados.
Isso tudo não pode ser sinônimo de acomodação, pelo contrário, é nesta hora que se deve redobrar a atenção e tirar proveito, afinal, é em momentos de crise que se apresentam as melhores oportunidades.
Não sabemos o tamanho do buraco, entretanto só de já ter caído em um, nos garante outros contornos, diferentemente do passado não muito remoto.
13 de maio de 2010
O mundo todo observa quebra de paradigmas. No contexto das potências mundiais sempre avaliávamos os Estados Unidos como imbatíveis, a crise econômica internacional, por exemplo, entre outros aspectos, colocaram isso por terra.
Quando do lançamento do Euro a leitura é unânime: este é um modelo a ser seguido. As crises grega, portuguesa, irlandesa e espanhola demonstraram que há muito a ser feito.
No contexto empresarial aceitávamos produtos com qualidade razoável, hoje o consumidor deseja defeito zero. A prestação de serviços podia se realizada de maneira a atender parte das expectativas dos clientes, hoje, como novo paradigma, é satisfação total do cliente ou nada feito.
Havia nas empresas o comandante pensador e único dono da verdade: atualmente a gestão é voltada para a causa e efeito.
O acionista era o centro dos negócios, em busca de resultados a qualquer custo, hoje somos sabedores que o soberano na empresa é o cliente, este que traz receita e sustenta financeiramente a empresa, e que os colaboradores devem ser priorizados, pois são eles a interface da empresa com este gerador de riquezas para as organizações.
Já vivemos a era do chefe, hoje, líderes. O empregado ganha status de associado.
Defeito zero, melhoria constante, não apego a modelos, sistemas abertos, inversão da pirâmide hierárquica, são expressões e práticas cada vez mais comuns nas organizações vencedoras. Quem leu o Monge e o Executivo de James Hunter deve ter absorvido as lições da liderança positiva e como ele aborda estas questões de quebra de paradigmas, e a necessária busca de novas referências.
O século XXI indica exatamente esta perspectiva: a única certeza que temos é que as coisas mudarão.
O desafio é adequar a velocidade destas mudanças com a capacidade de realizá-las, mas aí surge um novo paradigma: planejar a qualquer custo.
O moderno indica: nas relações negociais ou se pratica o ganha/ganha ou nada feito. O tempo de profissionais “meia boca” (tanto empresário, como associado) já foi, portanto, ou há retorno e se pratica a parceria, ou não haverá espaço para crescimento da empresa e do próprio crescimento profissional.
Os paradigmas estão aí para ser quebrados, é preciso de capacidade para identificá-los e coragem para mudar.