Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


17 de junho de 2010

Sindicatos: é hora de profissionalizar

Categoria: Sindicato – Reinaldo Cafeo 18:26

Os sindicatos, tanto patronal como de empregados, exercem importante papel na histórica relação capital/trabalho.

Podemos até afirmar que no Brasil engatinhamos na atuação sindical, afinal, a época da ditadura militar das décadas de 1960 e 1970 se incumbiu de limitar a atuação dos trabalhadores na articulação junto a seus pares.

Com a redemocratização brasileira a atuação sindical voltou fortemente, culminando, inclusive, com a eleição de Lula (entre outros líderes sindicais), expoente máximo da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Tudo isso aconteceu em 30 anos aproximadamente, bem diferente do acontece no resto do mundo. Somos novos nesta prática.

Isso tudo é fato, mas também é fato que os sindicatos patronais avançaram na direção de uma maior profissionalização de seu quadro funcional, enquanto os sindicatos dos trabalhadores, nem tanto.

São eleitos, legitimamente, representantes dos trabalhadores, através do voto, contudo, para muitos, atuarem sindicalmente virou meio de vida. São líderes junto a seus pares, mas isso não é sinônimo de competência administrativa, de boa comunicação e acima de tudo de estratégia de longo prazo.

Raramente há um bom interlocutor e até comunicador quando da atuação em campanhas salariais e outros momentos de negociação com os patrões.

Até mesmo em questões econômico-financeiras são cometidos erros básicos, como cálculos de reposição de inflação, o conceito de ganho real, entre outros. Alguns sindicatos já avançaram contratando especialistas na área, mas são poucos que têm esta prática.

Quero dizer que a gestão dos sindicatos deve contar com profissionais, próprios ou terceirizados, que sejam capazes de oferecer a base técnica para discussões que não têm como não ser políticas.

Traduzir em números o que se deseja em termos de reajuste, com o devido alicerce técnico, comunicar com a mídia de maneira a ser entendido, alicerçar juridicamente os pleitos e acima de tudo saber envolver e comprometer os trabalhadores que representam, deveriam fazer parte da estratégia macro das Entidades. É o conceito de proatividade. O que se observa que alguns sindicatos é que só reagem e não proagem.

É hora de oxigenar a mente dos sindicalistas e isso não quer dizer necessariamente renovar seu quadro, que poderia até ocorrer, mas é acima de tudo, oxigenar a forma de pensar e agir, entrando nas discussões, mesclando o espírito guerreiro e articulador dos líderes sindicais, com embasamento técnico, que lhes permitam ir aos embates, quando forem necessários, no mínimo de igual para igual.

Tenho insistido na frase de James Hunter no livro o Monge e o Executivo: “se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados, é preciso fazer diferente para colher diferente”.

Se efetivamente os sindicatos querem colher mais e avançar em sua representatividade, é preciso exercitar a autocrítica e acima de tudo estar aberto ao novo.

Um bom e alicerçado planejamento estratégico da Entidade Sindical já seria um bom caminho para chegar à profissionalização aqui indicada.

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