11 de September de 2009
O volume de crédito concedido no Brasil é baixo. Oscila na casa dos 35% do Produto Interno Bruto brasileiro, enquanto a média mundial ultrapassa os 100%.
Existe uma seletividade exagerada por parte dos intermediários financeiros. Cria na verdade um ciclo vicioso: os juros são altos devido a inadimplência e esta por sua vez é alta devido aos juros altos.
Há inúmeros fatores que trabalham contra ao aumento do volume e a queda da taxa de juros na ponta, para o tomador final de recursos.
O primeiro ponto é o próprio governo. Ele precisa financiar seu déficit e pratica juros altos para atrair investidores. Quando consideramos a taxa real, ou seja, descontada a inflação projetada para os próximos doze meses, constata-se que o Brasil pratica a quarta maior taxa de juros básica do mundo. É evidente que os juros são utilizados também como instrumento de controle da inflação, mas é inaceitável juros nesta magnitude.
Depois vem a cunha fiscal. De novo a interferência do governo, que tributa os bancos e estes repassam a carga tributária ao tomador de recursos. Além disso, há ainda um elevado spread bancário, ou seja, é muito alta a diferença entre os juros para quem aplica seus recursos, para os juros de quem empresta recursos.
Não podemos deixar de considerar a morosidade do judiciário, que leva o intermediário financeiro a embutir em suas taxas o custo da lenta cobrança judicial. Tem ainda o compulsório bancário, o custo Brasil e tantas outras variáveis que interferem fortemente no sistema de intermediação financeira no país.
Mesmo considerando todos estes aspectos não é possível manter juros no patamar atual. É retardar o crescimento econômico e a com ele a geração de riqueza, emprego e renda.
O caminho para aumentar o volume é diminuir a taxa, e antes que se questione como os bancos ganharão dinheiro, é só verificar o crescimento potencial: sair de 35% para 100% do PIB, o que significa crescer 185%, o que convenhamos, não é pouca coisa.
A manutenção do equilíbrio econômico, ou seja, permitir o crescimento econômico, com geração de emprego, distribuindo de maneira justa a renda gerada e ainda manter os preços estáveis, se apresenta como desafio, o que já demonstrou ser possível, a medida que outras economias mundiais chegaram neste almejado ponto sem exageros, principalmente na política monetária, notadamente nos juros praticados no mercado.
É preciso dar o primeiro passo nesta direção, atacando todas as variáveis da cadeia de formação dos juros no Brasil.
9 de September de 2009
O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil em sua última reunião manteve a taxa de juros básica em 8,75% ao ano. Ficou dentro do esperado a medida que há um entendimento que na retomada do crescimento econômico, que já está em curso, muitos preços tenderão a subir, portanto, rebaixar a taxa neste momento, poderia forçar uma elevação ali na frente, se os preços subirem simultaneamente.
Brasil tem a quarta maior taxa do mundo
Não obstante aceitar tecnicamente a decisão do Copom, o Brasil ainda exagera na taxa de juros. Praticamos a quarta maior taxa do mundo. Para esta análise leva-se em conta os juros básicos, descontada a inflação para os próximos 12 meses. Neste caso dá-se o nome de taxa real. O ranking em termos de taxa real anual é o seguinte: 1º. China: 7,2%; 2º. Tailândia: 5,9%; 3º. Argentina: 4,7% e 4º. Brasil: 4,5%. Considerando que outros países mantém inflação com juros reais na casa dos 2,5% ao ano, há clara demonstração que há espaço para novas reduções. O Banco Central brasileiro pode ser considerado conservador em termos de política monetária.
Juros na ponta são exorbitantes
Uma coisa é a taxa básica, que remunera os títulos do governo, outra coisa são os juros pagos pelos tomadores de recursos junto as instituições financeiras. Esses juros podem ser considerados exorbitantes. Alguns exemplos, sempre considerando a média do mercado. Empréstimo pessoal em financeiras, nada mais nada menos do que 253,26% ao ano. Cartão de crédito: 237,93% ao ano. Cheque especial: 136,59% ao ano. Juros do comércio: 102,13% ao ano. Conta garantida: 88,40% ao ano. Capital de giro: 54,47% ao ano. Desconto de duplicatas: 51,46% ao ano. Crédito Direto ao Consumidor para financiamento de veículos: 38,48%. É fácil observar que o país tem um longo caminho a percorrer, afinal, não adianta ter inflação de primeiro mundo, com juros, para quem precisa tomar recursos no mercado financeiro, de terceiro mundo. Por isso sempre indicamos: sempre que possível evite buscar recursos junto as instituições financeiras, notadamente para financiar o saldo devedor do cartão de crédito e o cheque especial.
Está endividado? Não é hora de saídas heróicas
O pior que o endividamento pode trazer é a negativação do nome do devedor. Quando isso acontece o mundo acaba? Não. Evidentemente que não é uma situação confortável, mas não é o momento de saídas heróicas. A negativação do nome tira o devedor do acesso ao crédito, mas tem um lado bom, evita novas dívidas, gera disciplina. Quando isto ocorrer priorize pagar as contas que são essenciais: aluguel, água, luz, condomínio, mensalidade escolar são prioridades. Verifique sua real capacidade de pagamento e em seguida liste todas as dívidas. Você será pressionado pelos credores, mas não aceite a primeira proposta, diga que teve problemas e que está buscando recursos para solucionar, afinal, o pior já aconteceu, ou seja, seu nome foi negativado. Nesta altura o credor já sabe disso e prefere um péssimo acordo do que uma boa demanda judicial. É fundamental ter uma estratégia tanto de pagamento, como de planejamento dos gastos para evitar dissabores futuros. Em resumo: neste extremo da dívida é o momento de respirar fundo e ter paciência. Se necessário busque ajuda junto aos profissionais da área.
O banco não pode debitar valores sem autorização
Há vários casos em que o correntista teve uma dívida ou até mesmo o saldo devedor do cartão de crédito debitado em conta corrente. Esta prática só tem legalidade se expressamente autorizada pelo correntista, ou seja, o banco não pode deliberadamente efetuar o débito. Se a origem é do salário coisa fica mais delicada ainda para o banco. Neste caso cabe indenização e até danos morais. Exija seu direito de consumidor.
Cuidado ao deixar de movimentar a conta corrente
O fato de não existir movimentação na conta ou deixá-la sem saldo não significa que a conta está cancelada automaticamente. Desta forma o banco continua a cobrar tarifas pela manutenção da conta. O consumidor deve ir até a agência e protocolar a solicitação de encerramento da conta, junto com a devolução dos cheques e cartão magnético. Redobre sua atenção para evitar acúmulo de dívidas em função do débito de tarifas.
P3 Brasil oferece curso de Perícia Econômico-Financeira
Será nos dias 11 e 12 de setembro na Associação Comercial. Veja detalhes no site www.p3brasil.com.br.
Mude para melhor!
Fiquei pensando o quanto é importante o presente. Afinal o nome já diz: é um presente. Gastamos tempo demais lembrando do passado e planejamento o futuro, nos esquecendo do quanto é importante viver intensamente o agora. Claro que precisamos usar das experiências passadas para amadurecer e traçar metas para sabermos para onde ir, mas isso não pode se sobrepor ao saborear o presente. Mude agora,mude para melhor!Boa semana e acesse www.jornaloplanetaeconomia.com.br
3 de September de 2009
As crises trazem malefícios, entretanto, pode se apresentar como um enorme aprendizado.
Por exemplo, a grande depressão de 1929, criou condições para introduzir o conceito de macroeconomia, até então inexistente. A ciência econômica evoluiu a partir dali. Os inúmeros choques das moedas, a crise brasileira em 1999, até mesmo os planos econômicos experimentados pelo Brasil desde 1986 foram aprendizados. O Plano Real só atingiu seu objetivo de conter a inflação devido às lições deixadas pelos fracassos anteriores.
A crise atual também tem que ser entendida nesta dimensão. Números atuais apontam para recuperação econômica das principais economias do planeta. Então quais lições concretas podemos tirar da crise e utilizá-las como crescimento no mundo dos negócios?
Passado um ano do início da crise o Wall Street Journal fez uma lista de oito lições que podem ser tiradas dos desdobramentos da crise, sobre as quais teceremos nossos comentários. Vamos a elas: 1) Diversificação nem sempre funciona. A crise se instalou mesmo praticando a diversificação. Não foi suficiente para segurar os negócios, portanto, voltamos à velha tônica de focar o negócio; 2) Os mercados estão mais interligados. Não há mais porto seguro em ouro, ações, commodities, etc. Quando um setor não vai bem, tem levado os outros para o mesmo caminho, com raras exceções; 3) Entenda todos os investimentos. Investimentos complexos enganam até grandes corporações; 4) Certifique-se de ter um portfólio líquido. A maior velocidade para conversão dos ativos em dinheiro é fundamental; 5) O governo funciona. As ações do setor público auxiliaram na minimização dos efeitos da crise; 6) Não deixe as companhias tornarem-se grandes demais para falir. Dimensionar o tamanho das companhias, dentro do controlável é fundamental; 7) Conte em qualquer equação de investimento o cenário mais pessimista. O histórico positivo do setor imobiliário americano iludiu as pessoas. Opte por analisar no pior cenário se o negócio ou não viável;
Não fique muito pessimista. Crise sempre gera oportunidade.
Na prática aqueles que operam os mundos dos negócios sabem que minimizar riscos é a melhor maneira de se posicionar no mercado. São lições que devem balizar as ações de cada de um de nós, independentemente do ramo de atividade, profissão e porte de empresa.
É assim que a humanidade caminha e, cresce. Leve este aprendizado.
28 de August de 2009
A Fundação Getúlio Vargas divulgou sua sondagem sobre o comportamento do consumidor brasileiro referente ao mês de agosto. O resultado apontou para um comportamento moderado. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,4% em agosto se comparado a julho deste ano.
Apesar de muitos indícios de saída da crise, principalmente pela retomada do crescimento econômico nas principais economias mundiais, o consumidor se mantém cauteloso, e nem poderia ser diferente.
Primeiramente porque muitos já anteciparam compras. A redução do IPI incidente sobre os bens duráveis motivou os consumidores e com isso comprometerem parte da renda com as prestações já assumidas. Além disso o comércio permaneceu em constante liquidação. Os consumidores aproveitaram para renovar o guarda roupa e já se preparam para a nova estação.
Há ainda o aspecto do aprendizado. Quando ocorrem crises as pessoas amadurecem, ficam mais seletivas em seus gastos, enfim, maximizam o uso do dinheiro.
Tem ainda o aspecto do emprego. As demissões mais intensas foram no setor industrial, o qual, comparado aos outros setores da economia, oferece um salário médio maior. Alguns ainda não se recolocaram no mercado e vivem a custas do salário desemprego e outros encontram abrigo no setor de serviços, reduzindo o ganho mensal.
Teremos indicadores favoráveis no segundo semestre. Mas vem sempre a dúvida: há riscos de um novo ciclo recessivo? Alguns colegas economistas apontam para um receio em relação ao comportamento dos preços dos produtos no momento em que a recuperação econômica vier para valer iniciando um ciclo de políticas monetária e fiscal mais restritivas, por outro lado, o período recente de crise e recessão tem que ser, como colocado anteriormente, a base do aprendizado. É assim que a humanidade amadurece.
O consumidor demonstra que assimilou bem o momento da economia e a pesquisa elaborada pela Fundação Getúlio Vargas retrata bem este comportamento.
24 de August de 2009
Aposentados e pensionistas receberão parte do décimo terceiro nos próximos dias. Apesar de o valor individualmente não ser expressivo, é sempre importante maximizar seu uso. Vamos separar em dois grupos: os que possuem dívidas (vencidas ou não) e aqueles que possuem sobras de recursos.
Grupo 1: com dívidas
Utilize o adiantamento do décimo terceiro para acertar as dívidas. Isso vale tanto para dívidas vencidas com a vencer. Levante qual a taxa de juros que você contratou nestes empréstimos e priorize as dívidas com juros maiores. Normalmente os mais caros são: cartão de crédito, cheque especial e dívida com financeira. No caso de cartão de crédito pague a fatura integralmente. Se for cheque especial cubra-o e evite o uso permanente no futuro. Se for dívida a vencer, ao pagar antecipadamente você tem direito ao desconto na mesma proporção dos juros contratados.
Grupo 2: com sobras
Com dinheiro na mão seu poder de negociação aumenta. Se deseja adquirir algum bem terá como conseguir bons descontos, afinal há muito estoque disponível no comércio. Por outro lado é sempre bom pensar em reservar algum recurso para emergências. Considerando o volume do dinheiro disponível e as alternativas atuais, a velha e conhecida caderneta de poupança pode ser considerada a melhor opção neste momento. O fundamental é sempre planejar o uso do dinheiro.
Devedor não pode passar vergonha
O credor tem todo o direito de protestar o título não pago, cadastrar o nome do devedor em órgãos de restrição ao crédito, como SPC, SERASA, etc., além, é claro, de ajuizar ação judicial para cobrar o valor devido. Também é direito do credor de cobrar a dívida através de cartas, telefonemas e até cobradores. Todavia, este direito de cobrança do credor vai até o limite do direito do devedor de não se sentir importunado desproporcionalmente ou constrangido. Ligações a toda a hora, em qualquer lugar, com ameaças e linguajar deselegante são um abuso ao direito do devedor. O credor também não pode ameaçar, coagir ou constranger o consumidor na cobrança de uma dívida, entrando em contato com vizinhos, parentes, amigos ou diretamente com o trabalho do devedor, falando com seus colegas ou chefe. Se for comprovada esta prática o Código de Defesa do Consumidor prevê como pena, detenção de três meses a um ano e multa.
Veja o que diz o texto do Código
Os artigos abaixo foram extraídos do Código de Defesa do Consumidor:
“Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.”
“Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer:
Pena Detenção de três meses a um ano e multa.”
Não aceite a prática abusiva e denuncie ao PROCON.
Quando o gasto vira doença
Comprar compulsivamente é sinal de doença. Estourar o orçamento repetidamente é um vício igual ao alcoolismo. A doença tem até nome: oniomania, aquele que necessita comprar assim o dependente químico necessita da droga. O desejo incontrolável de gastar tem tratamento: inclui acompanhamento psicológico e medicação. Mas é fundamental que a pessoa reconheça que está doente e precisa de ajuda. Além de cortar todas as formas de crédito, como cheques e cartões de crédito, o ideal é que alguém da família ou um amigo próximo assuma o controle das finanças do paciente. Embora não existam dados estatísticos sobre a doença no Brasil, ela tem crescido bastante. Já existe até um grupo de auto-ajuda chamado Devedores Anônimos, que segue a mesma linha de atuação dos Alcoólatras Anônimos. Assim como todo dependente, os consumidores compulsivos demoram a admitir seu vício. No caso deles é particularmente difícil porque fazer compras é uma atitude bem vista e até incentivada pela sociedade. A causa do consumo compulsivo é uma conjunção de fatores biológicos e psicológicos. Ao mesmo tempo, com as compras, a pessoa tenta preencher “o buraco” provocado por problemas do dia-a-dia. Se você conhece alguém nesta situação, procure ajuda.
Mude para melhor
Participei na sexta-feira do workshop sobre microfinanças promovido pelo Instituo Soma em parceria com o SEBRAE, CIESP e ACIB. Fornecer crédito ao informal ou aqueles que possuem negócios de pequena monta é praticar a inclusão social. Fiquei convencido que é preciso entender a “Alma” dessas pessoas e criar mecanismos para que efetivamente o crédito chegue em suas mãos, garantindo vida digna a todos. É uma ação transformadora e precisa que toda a sociedade participe. Faça sua parte. Mude já, mude para melhor! Boa semana e veja novidades em www.jornaloplanetaeconomia.com.br
20 de August de 2009
O período de recessão mundial está no fim. As principais economias mundiais começam a apresentar crescimento econômico, depois de meses operando em queda na atividade econômica.
Com o melhor desempenho da Alemanha e Japão no segundo trimestre deste ano, estes dois países engrossaram o número de países que entraram no azul, os quais representam cerca de 27% do produto interno bruto global. Estas economias produzem 16 trilhões de dólares.
Com estes resultados é possível prever um crescimento econômico no último trimestre deste ano na ordem de 4% para as principais economias do mundo.
O Brasil faz parte do grupo de países que já opera em crescimento. Indicadores de emprego e do nível de atividade econômica apontam que um cenário benigno, confirmando as previsões de que o segundo semestre de ano será muito melhor do que o primeiro semestre. Evidentemente que o desempenho do segundo semestre não compensará as perdas verificadas nos primeiros seis meses do ano, mas podemos entender que pior já passou.
Mesmo com essas projeções otimistas ainda não é hora de abrir a guarda. As empresas precisam continuar enxugando custos, reduzindo estoques, melhorando o ciclo financeiro, fidelizando clientes e colocando em prática boa a governança corporativa.
Por outro lado o governo precisa garantir juros menores à medida que em pouco tempo teremos o fim da redução de tributos em vários setores importantes, entre eles o setor automotivo. Juros menores podem compensar o eventual desânimo do consumidor.
Outro desafio do atual governo é administrar melhor seus gastos. Do jeito que está indo, o governo federal deixará uma herança nada desejada ao sucessor de Lula, apontando para a necessidade de colocar em prática austeridade fiscal já no primeiro ano de mandato daquele que será eleito o ano que vem. Ainda da tempo de administrar melhor o orçamento público.
Enfim, se de um lado há fortes motivos para a retomada da confiança na economia mundial, principalmente aqui no Brasil, por outro lado há que continuar mantendo vigilância total, entendendo que a economia tem sua própria dinâmica e que o comportamento dos agentes econômicos não é uniforme.
De qualquer maneira fiquemos com a boa notícia em relação à retomada do crescimento econômico das principais economias do mundo.