jan 20
    

Último ano dos dois mandatos de Lula e a tônica daqui para frente será a sucessão presidencial e inevitavelmente a avaliação do desempenho do governo atual.

Houve inúmeros avanços, notadamente na área social, entretanto podemos apontar no campo econômico duas “heranças” nada animadoras.

Uma delas refere-se ao aumento dos gastos públicos em custeio. As contas do governo estão cada vez mais apertadas e para compensar a o exagero nos gastos, investimento são adiados e a política monetária mantém-se restritiva para compensar a ausência dos investimentos. São os efeitos colaterais do gasto sem critério.

A outra “herança” vem do setor externo. O saldo de transações correntes (somatório dos saldos da balança comercial, de serviços e transferências unilaterais) é negativo.

Mesmo atraindo fortemente o capital estrangeiro, começa-se a desconfiar se efetivamente o Real tem espaço para continuar se valorizando. Em outras palavras: os estrangeiros já não vêem o Real como moeda que pode oferecer retorno seguro e começam a mudar de posição.

Novamente virá a taxa de juros para tentar equilibrar a questão. Juros mais altos são capazes de manter a atratividade no país, mas inibe crescimento mais robusto da economia.

Evidentemente que neste ano em particular há a variável eleição, que sempre suscita reflexões sobre eventuais mudanças no modelo econômico adotado no país.

Voltando a análise das “heranças”. Algumas rubricas do gasto público não têm como ser controladas a curto prazo. Por exemplo: aumento dos salários e do número de servidores públicos não tem volta. Um caminho do sucessor de Lula seria aumentar a arrecadação, contudo a capacidade contributiva da população já está no limite. Para os demais gastos em custeio o espaço para manobra é pequeno e a saída será represar investimentos, isso sem contar a eventual necessidade de gerar superávit primário mais consistente para compensar a provável alta nos juros.

Em relação ao setor externo pode haver um pequeno alívio à medida que a cotação do dólar se eleve. O saldo da balança comercial pode crescer e com ele auxiliar na diminuição do déficit em transações correntes. Para isso, além do câmbio, é preciso que o resto do mundo volte a comprar em níveis mais elevados, o que deverá ocorrer somente a partir de 2011. Mesmo assim sem reflexo imediato.

Em resumo: no curto prazo o governo Lula administra bem as variáveis macroeconômicas, contudo, no longo prazo, o desafio é enorme.

Vamos ver como se dará o debate político em torno destas questões quando as campanhas eleitorais estiverem na rua.

Opositores ou situacionistas terão enorme desafios pela frente.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr
jan 14
    

Se não
bastasse praticar a maior alíquota para tributar o Imposto sobre a propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o contribuinte paulista ainda tem que conviver anualmente com a falta de estrutura no momento de recolher o imposto.

Milhares de contribuintes enfrentaram filas, perderam tempo na internet, tiveram acesso às contas bloqueadas, enfim, se desdobraram na tentativa de honrar seus compromissos com o governo do Estado.

Insensibilidade total. Primeiramente porque o governo do estado de São Paulo insiste em manter o primeiro vencimento em janeiro quando todos nós sabemos o quanto o orçamento familiar está comprometido neste período. Segundo porque parcelar em três vezes é muito pouco. Sem contar que conhecem o volume que será arrecadado e não investem na infra-estrutura necessária para acolher os pagamentos.

A Associação Comercial de Bauru realizou movimento colhendo milhares de assinaturas, inclusive com adesão pela internet, encaminhou a Deputados da região, mas não conseguiu seu pleito que previa pagar o IPVA no mínimo em seis vezes com início a partir de março.

É como se o governo do Estado se bastasse e o que é pior, sua base aliada é conivente, pois pouco ou quase nada fez visando atender o pleito da sociedade.

É combinação que não podemos mais aceitar: elevada alíquota, pagamento a partir de janeiro e ainda problemas no sistema que acolhe os pagamentos.

Quando será que o homem público entenderá que está no cargo transitoriamente? Que o Estado nasceu a partir da sociedade e não o contrário?

É chegado o momento de dar um basta a este tipo de comportamento, que nos leva a refletir se realmente esses governantes estão preparados para gerenciar nossos recursos.

O fluxo de caixa do setor público pode ser revisto, oferecendo a população um alívio nas contas de início de ano, ajudando inclusive a reduzir a inadimplência no comércio e fomentar venda de carros neste período.

Somente pessoas insensíveis não conseguem enxergar o óbvio: não é possível manter esta sede em tributar.

Que os problemas operacionais no sistema possam servir de alerta a este insensível Estado.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr
dez 31
    

 

O primeiro índice de inflação conhecido pelo mercado o IGP-M apresentou deflação de 1,72% em 2009.

 

Esse índice é divulgado dentro do mês à medida que mede a inflação entres os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual.

 

A deflação se justifica pelo fato de o IGP-M sofrer a influência da cotação do dólar, à medida que 60% do índice ser de preços no atacado. Com um dólar em queda, os preços com cotação internacional caem também. Só para ilustrar o IPA (Índice de Preços no Atacado), apresentou deflação de 4,42% em 2009.

 

O IGP-M não é o índice oficial de inflação do governo, mas é um importante termômetro para demonstrar que o IPCA (monitorado pelo governo no sistema de metas de inflação) pode também ficar comportado, ao menos nos próximos meses.

 

Inflação controlada abre espaço para afrouxamento na política monetária. Somos sabedores que o Banco Central dificilmente reduzirá a taxa SELIC, mas é possível ter expectativa de manutenção no patamar atual, contrariando projeções do mercado que apontam elevação da taxa básica brasileira.

 

O Brasil apesar dos juros elevados deverá crescer no próximo ano acima de 5%. Será um bom desempenho, entretanto ainda não podemos afirmar que seja um crescimento que se sustenta. Há inúmeros gargalos impeditivos de um avanço mais estruturado de nossa economia. As questões de infra-estrutura não tiveram a atenção adequada por parte do setor público. Energia, portos, estradas, entre outros são importantes gargalos que podem inviabilizar a recuperação plena da economia brasileira, isto sem contar a elevada carga tributária, burocracia excessiva, um setor público lento, entre outros.

 

Se de um lado a inflação está comportada, de outro é preciso mais criatividade para sair mesmice de monitorar a economia com políticas monetária e fiscal restritivas. A palavra correta talvez fosse ousadia, mas em fim de mandato não é possível esperar mudanças neste sentido, lamentavelmente.

 

 

 

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr
dez 17
    

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças divulgaram pesquisa apontando para queda nos juros médios cobrados dos consumidores em novembro: ficaram 6,96% ao mês ou 124,21% ao ano. Caíram 0,07 ponto percentual.

Observem a magnitude dos juros anuais: 124,21%. São escorchantes. Em um pais que projeta taxa anual de inflação de 4,5% e que remunera um título público em 8,75% ao ano é cômico, se não fosse trágico, pensar em juros nessa magnitude.

Na prática é como se a paciente chamada economia brasileira só sobrevivesse com doses excessivas de remédios. É uma recomendação exagerada.

Não podemos aceitar que o país possua padrão de primeiro mundo no controle de preços e seja obrigado a impor juros estratosféricos.

Somos sabedores que a queda dos juros não virá por decreto, mas também somos sabedores que se faz necessário abdicar do excesso de conservadorismo que tem caracterizado a equipe econômica, notadamente as autoridades monetárias do Banco Central.

Juros elevados inibem o crescimento econômico e como ele a geração de emprego e renda.

Os juros básicos têm sua função indutora da redução, mas é pouco. É como se o governo federal aceitasse a agiotagem institucionalizada, afinal, em que país do mundo juros tão elevados são aceitos com a passividade que aceitamos aqui Brasil?

Nem mesmo a justificativa da eventual volta da inflação é aceitável, pois o resto do mundo consegue com juros extremamente menores manter os preços sob controle.

Os bancos oficiais podem exercer importante papel na reversão deste estado de coisas. Enquanto isso não acontece resta somente indicar aos consumidores em geral: podendo, evitem contrair empréstimos, sob risco de entrarem em verdadeiro ciclo vicioso.

Juros escorchantes são inaceitáveis.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr
dez 11
    

Toda vez que se aproxima o final de ano vem sempre à preocupação de como fechar o ano “honrosamente”.

Durante o ano nos rendemos à sedução do consumo. Por necessidade, status e até mesmo por fuga ou compensação muitas pessoas extrapolam o limite razoável do consumo e a conseqüência em muitos casos é o endividamento.

Muitos até dizem: “consumo, logo existo”, e acabam entrando em um ciclo vicioso que leva a busca de renda cada vez mais elevada (o dia-a-dia passa ter um ritmo alucinante) e se esta não for suficiente, leva a busca de crédito e por conseqüência gastos adicionais em juros.

Chegar neste período do ano usando o cheque especial, pagando o mínimo da fatura do cartão de crédito e até mesmo com contas atrasadas, gera um desconforto que leva ao comprometimento da qualidade de vida.

Observem que mencionei sedução do consumo e perda de qualidade de vida. Desta maneira podemos concluir que o comportamento das pessoas ao lidar com o dinheiro transcende o econômico e passa ser emocional.

Saber falar não ao consumo exagerado exige habilidade emocional. Identificar eventuais distúrbios nesta direção é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida.

Para muitos brasileiros o final de ano é sinônimo de entrada extra de dinheiro. Recursos adicionais ampliam a tentação do consumo. É neste momento que vale refletir: ampliar o consumo ou equacionar pendências financeiras? Parece-me mais prudente eliminar as pendências.

Neste caso a decisão deve contemplar o pagamento das dívidas mais onerosas. Levante as pendências e confira a taxa de juros de cada modalidade. Na média de mercado o cartão de crédito é a mais alta, seguida do cheque especial.

É evidente que nesta altura muitos já comprometeram todo o recurso adicional recebido, o que não quer dizer que não seja possível ter um final de ano bom. Surge então a criatividade. A cooperação é um bom caminho. As famílias reunidas podem e devem se cotizar. Os produtos importados estão com preços convidativos à medida que o real se valorizou frente ao dólar, assim em possível adquirir mais produtos com menos recursos. Cada um pagando um pouco garantirá mesa farta, sem contar a oportunidade da confraternização familiar.

Independentemente dos acertos financeiros e da estratégia traçada para melhorar a qualidade vida, o indicativo é não incorrer nos mesmos erros no futuro. Implementar o planejamento e o controle das finanças domésticas é o primeiro passo. Depois é manter a disciplina nos gastos, segurar o emocional e traçar metas que permitam ir além do sair do vermelho, permitindo começar a poupar.

Final de ano tempo para priorizar a busca de qualidade de vida. Comece pela boa gestão das finanças pessoais.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr
set 25
    

 

O Brasil acaba de receber da agência de análise de riscos Moddy´s nota que o classifica como grau de investimento.

 

Esta nota eleva a avaliação brasileira de nível de risco de crédito relevante para risco de crédito moderado.

 

A reclassificação do risco brasileiro indica que os títulos públicos brasileiros passaram a ser considerados com baixo risco de crédito, em outras palavras, baixa possibilidade de dar calote. Isto possibilita mais entrada de recursos externos no Brasil. Muitos fundos de pensão estrangeiros só investem em países que possuam no mínimo o grau concedido agora ao Brasil.

 

O mercado como um todo recebe positivamente esta classificação. O apetite em investir no país aumenta. Há possibilidades de aumento dos investimentos produtivos, no lado real da economia, gerando bens, serviços e renda, portanto riqueza, sem contar a forte movimentação no mercado de títulos públicos, bolsa de valores e câmbio.

 

Para o cidadão comum há reflexos positivos.  País com menor nível de risco atrai capital estrangeiro, que investe no país, que permite a expansão dos negócios, melhorando o nível de emprego. Também aumentará o poder de compras deste cidadão em relação aos produtos importados. Com a maior entrada de divisas no país a oferta da moeda estrangeira aumenta, tendendo a cair derrubar a cotação do dólar.

 

Em contrapartida, considerando a visão macroeconômica , o governo deverá redobrar a atenção sobre o câmbio, a medida que a entrada maior de divisas, indicará queda da cotação da moeda norte-americana, dificultando o comércio exterior brasileiro.

 

Apesar de as agências de avaliação de risco terem errado feio quando da percepção da crise internacional, é sempre positivo saber que o país avança economicamente e é viável para investimentos.

 

Se não houvessem tantas interferências políticas poderíamos estar em patamares superiores ao atual, o que permitira fomentar mais fortemente o desenvolvimento do país. Apesar desta constatação, fiquemos com a notícia  positiva da conquista de grau de investimento.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr

« Anterior Próximo »