1 de abril de 2010
Desde julho de 1999 o Brasil adotou o chamado regime de metas de inflação. Não é novidade, pois outros países praticam a mesma metodologia.
A idéia básica desse regime é projetar a inflação para os próximos períodos, no caso brasileiro para os 12 meses subseqüentes. A projeção é desenvolvida em um modelo econométrico.
Acontece que a fixação do centro da meta da inflação bem como o horizonte da projeção não segue um padrão.
Em outras palavras, quem define o patamar e a quantidade de meses projetados é a equipe econômica do governo.
Não quero defender que a inflação no Brasil deva ser fixada em metas mais elevadas, principalmente conhecendo o histórico de inflação no Brasil, mas entendo que poderíamos adotar metas menos restritivas.
Qual seria na prática a diferença entre uma meta de 5,5% podendo atingir até 7,5% e uma projeção, por exemplo, para os próximos 24 meses e a atual que trabalha com 4,5% podendo atingir 6,5% em um horizonte de tempo de 12 meses? Buscar o ajuste em 24 meses é uma tarefa menos árdua do que em 12 meses.
Insisto: o nosso passado nos condena, entretanto, considerando o sacrifício que o país tem que fazer para controlar os preços em níveis tão baixos, me parece que o mais prudente seria uma revisão dos critérios para fixação de metas.
Evidentemente que uma mudança, se houver, não pode ser em período pré-eleitoral, entretanto é um bom tema para discussão na sucessão presidencial.
Países que adotam metas de inflação baixa convivem com juros reais no mínimo na metade dos praticados no Brasil e crescimento sustentado bem acima do projetado para o Brasil.
O próprio regime de câmbio flutuante permite práticas de juros menores.
Em resumo: a reflexão é no sentido de analisar qual deve ser o bem maior a ser objetivado pelo governo – metas apertadas, ou metas que contemplem a realidade brasileira, notadamente de um país que precisa promover crescimento sustentado.
Só é difícil aceitar inflação em patamares de primeiro mundo, e crescimento, renda, juros, entre outras variáveis, de terceiro mundo.
25 de setembro de 2009
O Brasil acaba de receber da agência de análise de riscos Moddy´s nota que o classifica como grau de investimento.
Esta nota eleva a avaliação brasileira de nível de risco de crédito relevante para risco de crédito moderado.
A reclassificação do risco brasileiro indica que os títulos públicos brasileiros passaram a ser considerados com baixo risco de crédito, em outras palavras, baixa possibilidade de dar calote. Isto possibilita mais entrada de recursos externos no Brasil. Muitos fundos de pensão estrangeiros só investem em países que possuam no mínimo o grau concedido agora ao Brasil.
O mercado como um todo recebe positivamente esta classificação. O apetite em investir no país aumenta. Há possibilidades de aumento dos investimentos produtivos, no lado real da economia, gerando bens, serviços e renda, portanto riqueza, sem contar a forte movimentação no mercado de títulos públicos, bolsa de valores e câmbio.
Para o cidadão comum há reflexos positivos. País com menor nível de risco atrai capital estrangeiro, que investe no país, que permite a expansão dos negócios, melhorando o nível de emprego. Também aumentará o poder de compras deste cidadão em relação aos produtos importados. Com a maior entrada de divisas no país a oferta da moeda estrangeira aumenta, tendendo a cair derrubar a cotação do dólar.
Em contrapartida, considerando a visão macroeconômica , o governo deverá redobrar a atenção sobre o câmbio, a medida que a entrada maior de divisas, indicará queda da cotação da moeda norte-americana, dificultando o comércio exterior brasileiro.
Apesar de as agências de avaliação de risco terem errado feio quando da percepção da crise internacional, é sempre positivo saber que o país avança economicamente e é viável para investimentos.
Se não houvessem tantas interferências políticas poderíamos estar em patamares superiores ao atual, o que permitira fomentar mais fortemente o desenvolvimento do país. Apesar desta constatação, fiquemos com a notícia positiva da conquista de grau de investimento.
16 de setembro de 2009
O preço do dólar
Passada a fase mais aguda da crise internacional, começam os questionamentos sobre os indicadores de desempenho da economia.
De um lado prioriza-se a retomada do crescimento econômico, de outro lado inicia-se a discussão em torno de qual patamar de inflação iremos conviver, posto que recuperar a economia pode indicar realinhamento de preços. Neste mesmo contexto tem-se a projeção da taxa de juros básica, do nível de arrecadação do governo, e para o comércio exterior, a taxa de câmbio.
Vamos nos concentrar na questão cambial. Quando do ápice da crise a moeda norte americana o dólar se valorizou no Brasil, apesar de a crise possuir seu epicentro nos Estados Unidos. Foi o sentido de proteção e ao mesmo tempo a busca por realiza lucros para minimizar prejuízos lá fora.
Sem forte entrada de dólares, com a demanda pela moeda estrangeira aquecida, a cotação se distanciou dos R$ 2,00.
Aos poucos o fluxo financeiro internacional se mostrou positivo, em função da retomada gradativa da confiança dos agentes econômicos e a equação foi invertida.
Os juros brasileiros continuaram elevados e, considerando que há uma leitura positiva sobre o desempenho econômico, seria natural que o capital estrangeiro apostasse fortemente no Brasil.
A discussão presente é: afinal que o preço ideal de dólar? Resposta de difícil precisão. A ata da última reunião do Copom indicou que os juros poderão voltar a crescer, caso haja pressão sobre os preços. Se isso ocorrer o indicativo é de mais entrada de capital estrangeiro. Por outro lado somos sabedores que o mundo todo está mais competitivo. As empresas brasileiras estão fazendo a lição de casa, tentando compensar a defasagem cambial com redução de custos.
O próprio governo sabe que dólar baixo é sinônimo de menor exportação, incremento de importação e saldo negativo na balança de transações correntes. A intervenção neste mercado por parte da autoridade monetária será inevitável.
Tudo aponta para que neste ano o dólar flutue no patamar atual.
Mas há sérias dúvidas de como se comportará em 2010. Ano eleitoral, possibilidade de aumento de juros em função de aumento de preços, discussão sobre gastos públicos e de modelo de desenvolvimento, novas propostas dos candidatos à sucessão de Lula, enfim, um cem número de variáveis.
Quem efetivamente opera setor deve ter pés no chão. Não há como apontar a direção exata de quanto será o patamar de equilíbrio da taxa de câmbio. O indicativo é continuar apostando em redução de custos, produtividade e evitar exposição exagerada em moeda estrangeira.
14 de setembro de 2009
A principal medida da geração de riqueza, o produto interno bruto (PIB), fechou o segundo trimestre de 2009 em alta de 1,9%. Desta maneira o Brasil sai da chamada recessão técnica, ou seja, deixa de ter queda no PIB. Em outras palavras, o Brasil conseguiu produzir mais no segundo trimestre do que no primeiro trimestre deste ano.
Consumo das famílias ajudou
O consumo das famílias teve alta de 3,2% no segundo trimestre se comparado ao primeiro trimestre deste ano. Puxado pela expansão no crédito, que cresce 20,3% no período, as famílias voltaram as compras, movimentando a economia.
A indústria vem se recuperando
O setor industrial apresentou expansão de 2,1%. É um setor importante que tem grande influencia na cadeia produtiva do país.
Serviços em alta, agropecuária em baixa
O setor de serviços cresceu 1,2%, enquanto o setor agropecuário recuou 0,1%. O setor de serviços demora mais a reagir, esperando a melhora do desempenho do setor industrial. Já o setor agropecuário no Brasil depende das exportações e o mundo todo se retraiu, portanto, desempenho dentro do previsto.
Nota negativa: os investimentos
Os investimentos caíram 17% no período. Esta variável preocupa, a medida que investimentos menores agora, indicam menor expansão da capacidade instalada do país. De qualquer maneira o mercado reagindo poderá estimular o setor produtivo a incrementar seus investimentos e, considerando a dinâmica do setor privado, a resposta pode vir rápida.
Outros indicadores recentes apontam para crescimento
Em agosto as vendas a vista cresceram 5,9% em São Paulo se comparadas a agosto do ano passado. Além disso o fluxo nas estradas expandiu 1,6% no mesmo período. A massa salarial cresceu 4,8% e a capacidade instalada da indústria foi de 79,8% em julho para 81,3% em agosto. Conclusão: segundo semestre deste ano promete.
Copom de olho na inflação
A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na última quinta-feira aponta que a autoridade monetária está preocupada com a inflação. A lógica é que, expandindo a economia, o que já ficou comprovado, os preços podem subir em uma velocidade acima do esperado, portanto, exigir esforço adicional no controle da economia. Desta maneira os juros tendem a ficar no patamar atual (8,75% ao ano) até o final do ano, mas o mercado projeta juros na casa dos 9,5% para o final de 2.010. É importante esta preocupação, contudo, está na hora de ousar mais, abandonando a postura conservadora adotada até agora.
É sempre bom lembrar quais são os direitos básicos do consumidor
O Código de Defesa do Consumidor estabelece os direitos básicos do consumidor, anote aí e exija esses direitos: 1 - Proteção à vida e à saúde; 2 - Educação para o consumo; 3 - Escolha de produtos e serviços; 4 - Informação; 5 - Proteção contra publicidade enganosa e abusiva; 6 - Proteção contratual; 7 – Indenização; 8 - Acesso à justiça; 9 - Facilitação de defesa de seus direitos; 10 - Qualidade dos serviços públicos.
Veja como consultar os serviços de proteção ao crédito
Você pode consultar restrições de crédito via internet através de sites que cobram taxas para prestar estas informações. Para saber, gratuitamente, se seu nome está com restrições no SPC e/ou SERASA e quem é o responsável pelo registro negativo, a única forma é você comparecer pessoalmente a uma central de atendimento destas empresas com os seguintes documentos: identidade ou carteira profissional e CPF. Se você não puder ir pessoalmente e tiver que pedir para outra pessoa, esta pessoa deverá levar o seu documento de identidade com o CPF (da pessoa para a qual será pedida a certidão) e uma procuração com a sua assinatura reconhecida em cartório e com poderes específicos para realizar a consulta de informações nos cadastros de SPC e SERASA.
Mude para melhor
A medida que os filhos crescem a preocupação com os gastos aumenta. O meio social, a mídia, entre outros, induzem o consumo de produtos de marca, que nem sempre são acessíveis a todos. Não se endivide em função disto. Dialogue, mostre o quanto é difícil ganhar dinheiro e acima de tudo evite compensações com bens materiais. Jogo limpo, caráter, franqueza, limites compartilhados, são maneiras de viver em harmonia, sem que haja exagero nos gastos. Mude agora, mude para melhor! Boa semana. Acesse www.jornaloplanetaeconomia.com.br.
11 de setembro de 2009
O volume de crédito concedido no Brasil é baixo. Oscila na casa dos 35% do Produto Interno Bruto brasileiro, enquanto a média mundial ultrapassa os 100%.
Existe uma seletividade exagerada por parte dos intermediários financeiros. Cria na verdade um ciclo vicioso: os juros são altos devido a inadimplência e esta por sua vez é alta devido aos juros altos.
Há inúmeros fatores que trabalham contra ao aumento do volume e a queda da taxa de juros na ponta, para o tomador final de recursos.
O primeiro ponto é o próprio governo. Ele precisa financiar seu déficit e pratica juros altos para atrair investidores. Quando consideramos a taxa real, ou seja, descontada a inflação projetada para os próximos doze meses, constata-se que o Brasil pratica a quarta maior taxa de juros básica do mundo. É evidente que os juros são utilizados também como instrumento de controle da inflação, mas é inaceitável juros nesta magnitude.
Depois vem a cunha fiscal. De novo a interferência do governo, que tributa os bancos e estes repassam a carga tributária ao tomador de recursos. Além disso, há ainda um elevado spread bancário, ou seja, é muito alta a diferença entre os juros para quem aplica seus recursos, para os juros de quem empresta recursos.
Não podemos deixar de considerar a morosidade do judiciário, que leva o intermediário financeiro a embutir em suas taxas o custo da lenta cobrança judicial. Tem ainda o compulsório bancário, o custo Brasil e tantas outras variáveis que interferem fortemente no sistema de intermediação financeira no país.
Mesmo considerando todos estes aspectos não é possível manter juros no patamar atual. É retardar o crescimento econômico e a com ele a geração de riqueza, emprego e renda.
O caminho para aumentar o volume é diminuir a taxa, e antes que se questione como os bancos ganharão dinheiro, é só verificar o crescimento potencial: sair de 35% para 100% do PIB, o que significa crescer 185%, o que convenhamos, não é pouca coisa.
A manutenção do equilíbrio econômico, ou seja, permitir o crescimento econômico, com geração de emprego, distribuindo de maneira justa a renda gerada e ainda manter os preços estáveis, se apresenta como desafio, o que já demonstrou ser possível, a medida que outras economias mundiais chegaram neste almejado ponto sem exageros, principalmente na política monetária, notadamente nos juros praticados no mercado.
É preciso dar o primeiro passo nesta direção, atacando todas as variáveis da cadeia de formação dos juros no Brasil.
9 de setembro de 2009
O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil em sua última reunião manteve a taxa de juros básica em 8,75% ao ano. Ficou dentro do esperado a medida que há um entendimento que na retomada do crescimento econômico, que já está em curso, muitos preços tenderão a subir, portanto, rebaixar a taxa neste momento, poderia forçar uma elevação ali na frente, se os preços subirem simultaneamente.
Brasil tem a quarta maior taxa do mundo
Não obstante aceitar tecnicamente a decisão do Copom, o Brasil ainda exagera na taxa de juros. Praticamos a quarta maior taxa do mundo. Para esta análise leva-se em conta os juros básicos, descontada a inflação para os próximos 12 meses. Neste caso dá-se o nome de taxa real. O ranking em termos de taxa real anual é o seguinte: 1º. China: 7,2%; 2º. Tailândia: 5,9%; 3º. Argentina: 4,7% e 4º. Brasil: 4,5%. Considerando que outros países mantém inflação com juros reais na casa dos 2,5% ao ano, há clara demonstração que há espaço para novas reduções. O Banco Central brasileiro pode ser considerado conservador em termos de política monetária.
Juros na ponta são exorbitantes
Uma coisa é a taxa básica, que remunera os títulos do governo, outra coisa são os juros pagos pelos tomadores de recursos junto as instituições financeiras. Esses juros podem ser considerados exorbitantes. Alguns exemplos, sempre considerando a média do mercado. Empréstimo pessoal em financeiras, nada mais nada menos do que 253,26% ao ano. Cartão de crédito: 237,93% ao ano. Cheque especial: 136,59% ao ano. Juros do comércio: 102,13% ao ano. Conta garantida: 88,40% ao ano. Capital de giro: 54,47% ao ano. Desconto de duplicatas: 51,46% ao ano. Crédito Direto ao Consumidor para financiamento de veículos: 38,48%. É fácil observar que o país tem um longo caminho a percorrer, afinal, não adianta ter inflação de primeiro mundo, com juros, para quem precisa tomar recursos no mercado financeiro, de terceiro mundo. Por isso sempre indicamos: sempre que possível evite buscar recursos junto as instituições financeiras, notadamente para financiar o saldo devedor do cartão de crédito e o cheque especial.
Está endividado? Não é hora de saídas heróicas
O pior que o endividamento pode trazer é a negativação do nome do devedor. Quando isso acontece o mundo acaba? Não. Evidentemente que não é uma situação confortável, mas não é o momento de saídas heróicas. A negativação do nome tira o devedor do acesso ao crédito, mas tem um lado bom, evita novas dívidas, gera disciplina. Quando isto ocorrer priorize pagar as contas que são essenciais: aluguel, água, luz, condomínio, mensalidade escolar são prioridades. Verifique sua real capacidade de pagamento e em seguida liste todas as dívidas. Você será pressionado pelos credores, mas não aceite a primeira proposta, diga que teve problemas e que está buscando recursos para solucionar, afinal, o pior já aconteceu, ou seja, seu nome foi negativado. Nesta altura o credor já sabe disso e prefere um péssimo acordo do que uma boa demanda judicial. É fundamental ter uma estratégia tanto de pagamento, como de planejamento dos gastos para evitar dissabores futuros. Em resumo: neste extremo da dívida é o momento de respirar fundo e ter paciência. Se necessário busque ajuda junto aos profissionais da área.
O banco não pode debitar valores sem autorização
Há vários casos em que o correntista teve uma dívida ou até mesmo o saldo devedor do cartão de crédito debitado em conta corrente. Esta prática só tem legalidade se expressamente autorizada pelo correntista, ou seja, o banco não pode deliberadamente efetuar o débito. Se a origem é do salário coisa fica mais delicada ainda para o banco. Neste caso cabe indenização e até danos morais. Exija seu direito de consumidor.
Cuidado ao deixar de movimentar a conta corrente
O fato de não existir movimentação na conta ou deixá-la sem saldo não significa que a conta está cancelada automaticamente. Desta forma o banco continua a cobrar tarifas pela manutenção da conta. O consumidor deve ir até a agência e protocolar a solicitação de encerramento da conta, junto com a devolução dos cheques e cartão magnético. Redobre sua atenção para evitar acúmulo de dívidas em função do débito de tarifas.
P3 Brasil oferece curso de Perícia Econômico-Financeira
Será nos dias 11 e 12 de setembro na Associação Comercial. Veja detalhes no site www.p3brasil.com.br.
Mude para melhor!
Fiquei pensando o quanto é importante o presente. Afinal o nome já diz: é um presente. Gastamos tempo demais lembrando do passado e planejamento o futuro, nos esquecendo do quanto é importante viver intensamente o agora. Claro que precisamos usar das experiências passadas para amadurecer e traçar metas para sabermos para onde ir, mas isso não pode se sobrepor ao saborear o presente. Mude agora,mude para melhor!Boa semana e acesse www.jornaloplanetaeconomia.com.br