Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


10 de June de 2011

Status: para que serve mesmo?

Category: Sem categoria – admplaneta 10:15

 

Quando menciono a palavra status (do latim: estado ou condição ou grau elevado de distinção e prestígio social) me vem à mente os produtos que são reconhecidos pelos consumidores como diferenciados.

A sociedade moderna passou a dar uma importância cada vez maior a esses produtos. Os adolescentes, na maioria das vezes influenciados pelo meio social, não abrem mão do consumo de produtos “de marca” para que sejam aceitos ou até mesmo reconhecidos no meio em que vivem. São exemplos desses produtos: tênis, roupas, acessórios, entre outros.

Tenho observado, por exemplo, famílias com dificuldades em pagar integralmente a fatura do cartão de crédito, porque as compras que realizam, boa parte para sustentar o status familiar, comprometem todo o orçamento familiar.

Operam com um nível de gastos incompatível com a renda auferida. Não adequaram o padrão de vida.

Do que adianta ostentar um produto de marca se o que está em jogo em honrar os compromissos financeiros em dia?

Perdem qualidade de vida por se equivocarem na percepção da vida. Invertem os valores, admitindo que a aceitação no grupo social se dê em função de seu poder aquisitivo, nos bens materiais que possuem, e não pelo que são verdadeiramente.

Não quero aqui preconizar que o consumo destes produtos de marca deva ser abandonado. Não é esta a questão. O que não é aceitável é valorizar demasiadamente estes produtos. É como se, para algumas pessoas, o fundamental da vida girasse em torno do possuir, do ter e ter cada vez mais, custe o que custar.

Felizmente observo, mesmo que timidamente, a valorização do simples. Casais estáveis, com filhos centrados na essência da vida, que consomem sim, mas com critério, dentro do limite imposto pela renda, sem ostentação, estão começando a se destacar na sociedade.

Considerando que os filhos em sua maioria, são reflexos das atitudes dos pais, cada um de nós deve redobrar a atenção para reproduzirmos um modelo que valoriza o fácil, o agora, o ter.

Esta mudança de geração, que deixou de ser pai e mãe no estilo antigo, mais autoritários e passou a conviver com os filhos se colocando mais como “amigos”, precisa refletir sobre os limites que desta abertura.

Sustentar o dia-a-dia do consumo em um conto de fadas, fora de qualquer realidade financeira, é perder qualidade de vida.

Afinal, para que serve o status mesmo?

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9 de December de 2010

Inflação desgarra do centro da meta

Category: Sem categoria – admplaneta 11:46

A discussão sobre o aumento de preços que no passado beirava a casa dos 40% ao mês, hoje está centrada no cumprimento ou não da meta anual de 4,5%. Qualquer aumento, mesmo que marginal, acende um sinal de alerta e não poderia ser diferente, pois o receio do descontrole de preços é sempre presente. Em outras palavras “pequena inflação é semelhante à pequena gravidez, uma hora cresce”.

Isto posto, vamos à análise dos dados acumulados até novembro, divulgados pelo IBGE.

O IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que é o índice oficial, apurou alta média dos preços de 0,83% em novembro. Isoladamente é o maior índice mensal desde abril de 2005. Em onze meses a inflação acumula alta de 5,25%, ou seja, 0,75 ponto percentual acima do centro da meta. Portanto, sinal de alerta!

Os vilões: os alimentos e bebidas, os quais, juntos tiveram elevação de 2,22% em novembro. Especificamente nos alimentos há dependência do comportamento dos preços internacionais, que estão em alta, e ainda do consumo interno, também em alta. Agora em dezembro a coisa não deve ser muito diferente, pois o apelo para o consumo mais intenso é grande.

Sem atacar a cadeia produtiva e setorialmente, o governo se vale da política monetária. Ataca os produtos financiáveis, amarrando o crédito e tornando os juros mais altos. Tenta, na média, manter as coisas sob controle. Ocorre que, ao decidir enxugar a liquidez, o Banco Central acaba afetando agentes econômicos que dependem do crédito abundante para sobreviver. As pequenas e médias empresas, por exemplo, não possuem estrutura de capital de giro, portanto, alavancam seus negócios contraindo dívidas junto ao sistema financeiro. Pagarão parte da conta.

Por outro lado, concessionárias de veículos, magazines, entre outros, se prepararam para vendas em crescimento, com possibilidade de financiamentos com prazos mais dilatados e as regras foram alteradas na última hora. É um verdadeiro “passa moleque”.

Em resumo: a inflação não pode desgarrar, mas a inércia do setor público, notadamente da autoridade monetária, é tamanha, que em vez de atacar as causas do problema, com acordos setoriais, estoques reguladores, cortes de gastos públicos, entre outros, atua na conseqüência, forçando toda a sociedade a pagar um preço acima do que é de sua responsabilidade.

Como isso não mudará, o consumidor deverá exercer seu soberano poder: adiar compras, comprar menos, substituir produtos, dizendo não aos aumentos abusivos.

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1 de April de 2010

O regime de metas de inflação

Category: Sem categoria – Reinaldo Cafeo 16:27

Desde julho de 1999 o Brasil adotou o chamado regime de metas de inflação. Não é novidade, pois outros países praticam a mesma metodologia.

A idéia básica desse regime é projetar a inflação para os próximos períodos, no caso brasileiro para os 12 meses subseqüentes. A projeção é desenvolvida em um modelo econométrico.

Acontece que a fixação do centro da meta da inflação bem como o horizonte da projeção não segue um padrão.

Em outras palavras, quem define o patamar e a quantidade de meses projetados é a equipe econômica do governo.

Não quero defender que a inflação no Brasil deva ser fixada em metas mais elevadas, principalmente conhecendo o histórico de inflação no Brasil, mas entendo que poderíamos adotar metas menos restritivas.

Qual seria na prática a diferença entre uma meta de 5,5% podendo atingir até 7,5% e uma projeção, por exemplo, para os próximos 24 meses e a atual que trabalha com 4,5% podendo atingir 6,5% em um horizonte de tempo de 12 meses? Buscar o ajuste em 24 meses é uma tarefa menos árdua do que em 12 meses.

Insisto: o nosso passado nos condena, entretanto, considerando o sacrifício que o país tem que fazer para controlar os preços em níveis tão baixos, me parece que o mais prudente seria uma revisão dos critérios para fixação de metas.

Evidentemente que uma mudança, se houver, não pode ser em período pré-eleitoral, entretanto é um bom tema para discussão na sucessão presidencial.

Países que adotam metas de inflação baixa convivem com juros reais no mínimo na metade dos praticados no Brasil e crescimento sustentado bem acima do projetado para o Brasil.

O próprio regime de câmbio flutuante permite práticas de juros menores.

Em resumo: a reflexão é no sentido de analisar qual deve ser o bem maior a ser objetivado pelo governo – metas apertadas, ou metas que contemplem a realidade brasileira, notadamente de um país que precisa promover crescimento sustentado.

Só é difícil aceitar inflação em patamares de primeiro mundo, e crescimento, renda, juros, entre outras variáveis, de terceiro mundo.

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25 de September de 2009

Brasil e o grau de investimento

Category: Sem categoria – admplaneta 12:47

 

O Brasil acaba de receber da agência de análise de riscos Moddy´s nota que o classifica como grau de investimento.

 

Esta nota eleva a avaliação brasileira de nível de risco de crédito relevante para risco de crédito moderado.

 

A reclassificação do risco brasileiro indica que os títulos públicos brasileiros passaram a ser considerados com baixo risco de crédito, em outras palavras, baixa possibilidade de dar calote. Isto possibilita mais entrada de recursos externos no Brasil. Muitos fundos de pensão estrangeiros só investem em países que possuam no mínimo o grau concedido agora ao Brasil.

 

O mercado como um todo recebe positivamente esta classificação. O apetite em investir no país aumenta. Há possibilidades de aumento dos investimentos produtivos, no lado real da economia, gerando bens, serviços e renda, portanto riqueza, sem contar a forte movimentação no mercado de títulos públicos, bolsa de valores e câmbio.

 

Para o cidadão comum há reflexos positivos.  País com menor nível de risco atrai capital estrangeiro, que investe no país, que permite a expansão dos negócios, melhorando o nível de emprego. Também aumentará o poder de compras deste cidadão em relação aos produtos importados. Com a maior entrada de divisas no país a oferta da moeda estrangeira aumenta, tendendo a cair derrubar a cotação do dólar.

 

Em contrapartida, considerando a visão macroeconômica , o governo deverá redobrar a atenção sobre o câmbio, a medida que a entrada maior de divisas, indicará queda da cotação da moeda norte-americana, dificultando o comércio exterior brasileiro.

 

Apesar de as agências de avaliação de risco terem errado feio quando da percepção da crise internacional, é sempre positivo saber que o país avança economicamente e é viável para investimentos.

 

Se não houvessem tantas interferências políticas poderíamos estar em patamares superiores ao atual, o que permitira fomentar mais fortemente o desenvolvimento do país. Apesar desta constatação, fiquemos com a notícia  positiva da conquista de grau de investimento.

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16 de September de 2009

O preço do dólar

Category: Sem categoria – admplaneta 12:46

 

O preço do dólar

 

Passada a fase mais aguda da crise internacional, começam os questionamentos sobre os indicadores de desempenho da economia.

 

De um lado prioriza-se a retomada do crescimento econômico, de outro lado inicia-se a discussão em torno de qual patamar de inflação iremos conviver, posto que recuperar a economia pode indicar realinhamento de preços. Neste mesmo contexto tem-se a projeção da taxa de juros básica, do nível de arrecadação do governo, e para o comércio exterior, a taxa de câmbio.

 

Vamos nos concentrar na questão cambial. Quando do ápice da crise a moeda norte americana o dólar se valorizou no Brasil, apesar de a crise possuir seu epicentro nos Estados Unidos. Foi o sentido de proteção e ao mesmo tempo a busca por realiza lucros para minimizar prejuízos lá fora.

 

Sem forte entrada de dólares, com a demanda pela moeda estrangeira aquecida, a cotação se distanciou dos R$ 2,00.

 

Aos poucos o fluxo financeiro internacional se mostrou positivo, em função da retomada gradativa da confiança dos agentes econômicos e a equação foi invertida.

 

Os juros brasileiros continuaram elevados e, considerando que há uma leitura positiva sobre o desempenho econômico, seria natural que o capital estrangeiro apostasse fortemente no Brasil.

 

A discussão presente é: afinal que o preço ideal de dólar? Resposta de difícil precisão. A ata da última reunião do Copom indicou que os juros poderão voltar a crescer, caso haja pressão sobre os preços. Se isso ocorrer o indicativo é de mais entrada de capital estrangeiro. Por outro lado somos sabedores que o mundo todo está mais competitivo. As empresas brasileiras estão fazendo a lição de casa, tentando compensar a defasagem cambial com redução de custos.

 

O próprio governo sabe que dólar baixo é sinônimo de menor exportação, incremento de importação e saldo negativo na balança de transações correntes. A intervenção neste mercado por parte da autoridade monetária será inevitável.

 

Tudo aponta para que neste ano o dólar flutue no patamar atual.

 

Mas há sérias dúvidas de como se comportará em 2010. Ano eleitoral, possibilidade de aumento de juros em função de aumento de preços, discussão sobre gastos públicos e de modelo de desenvolvimento, novas propostas dos candidatos à sucessão de Lula, enfim, um cem número de variáveis.

 

Quem efetivamente opera setor deve ter pés no chão. Não há como apontar a direção exata de quanto será o patamar de equilíbrio da taxa de câmbio. O indicativo é continuar apostando em redução de custos, produtividade e evitar exposição exagerada em moeda estrangeira.

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14 de September de 2009

O PIB cresceu

Category: Sem categoria – admplaneta 11:23

A principal medida da geração de riqueza, o produto interno bruto (PIB), fechou o segundo trimestre de 2009 em alta de 1,9%. Desta maneira o Brasil sai da chamada recessão técnica, ou seja, deixa de ter queda no PIB. Em outras palavras, o Brasil conseguiu produzir mais no segundo trimestre do que no primeiro trimestre deste ano.

Consumo das famílias ajudou

O consumo das famílias teve alta de 3,2% no segundo trimestre se comparado ao primeiro trimestre deste ano. Puxado pela expansão no crédito, que cresce 20,3% no período, as famílias voltaram as compras, movimentando a economia.

A indústria vem se recuperando

O setor industrial apresentou expansão de 2,1%. É um setor importante que tem grande influencia na cadeia produtiva do país.

Serviços em alta, agropecuária em baixa

O setor de serviços cresceu 1,2%, enquanto o setor agropecuário recuou 0,1%. O setor de serviços demora mais a reagir, esperando a melhora do desempenho do setor industrial. Já o setor agropecuário no Brasil depende das exportações e o mundo todo se retraiu, portanto, desempenho dentro do previsto.

Nota negativa: os investimentos

Os investimentos caíram 17% no período. Esta variável preocupa, a medida que investimentos menores agora, indicam menor expansão da capacidade instalada do país. De qualquer maneira o mercado reagindo poderá estimular o setor produtivo a incrementar seus investimentos e, considerando a dinâmica do setor privado, a resposta pode vir rápida.

Outros indicadores recentes apontam para crescimento

Em agosto as vendas a vista cresceram 5,9% em São Paulo se comparadas a agosto do ano passado. Além disso o fluxo nas estradas expandiu 1,6% no mesmo período. A massa salarial cresceu 4,8% e a capacidade instalada da indústria foi de 79,8% em julho para 81,3% em agosto. Conclusão: segundo semestre deste ano promete.

Copom de olho na inflação

A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na última quinta-feira aponta que a autoridade monetária está preocupada com a inflação. A lógica é que, expandindo a economia, o que já ficou comprovado, os preços podem subir em uma velocidade acima do esperado, portanto, exigir esforço adicional no controle da economia. Desta maneira os juros tendem a ficar no patamar atual (8,75% ao ano) até o final do ano, mas o mercado projeta juros na casa dos 9,5% para o final de 2.010. É importante esta preocupação, contudo, está na hora de ousar mais, abandonando a postura conservadora adotada até agora.

É sempre bom lembrar quais são os direitos básicos do consumidor

O Código de Defesa do Consumidor estabelece os direitos básicos do consumidor, anote aí e exija esses direitos: 1 – Proteção à vida e à saúde; 2 – Educação para o consumo; 3 – Escolha de produtos e serviços; 4 – Informação; 5 – Proteção contra publicidade enganosa e abusiva; 6 – Proteção contratual; 7 – Indenização; 8 – Acesso à justiça; 9 – Facilitação de defesa de seus direitos; 10 – Qualidade dos serviços públicos.

Veja como consultar os serviços de proteção ao crédito

Você pode consultar restrições de crédito via internet através de sites que cobram taxas para prestar estas informações. Para saber, gratuitamente, se seu nome está com restrições no SPC e/ou SERASA e quem é o responsável pelo registro negativo, a única forma é você comparecer pessoalmente a uma central de atendimento destas empresas com os seguintes documentos: identidade ou carteira profissional e CPF. Se você não puder ir pessoalmente e tiver que pedir para outra pessoa, esta pessoa deverá levar o seu documento de identidade com o CPF (da pessoa para a qual será pedida a certidão) e uma procuração com a sua assinatura reconhecida em cartório e com poderes específicos para realizar a consulta de informações nos cadastros de SPC e SERASA.

Mude para melhor

A medida que os filhos crescem a preocupação com os gastos aumenta. O meio social, a mídia, entre outros, induzem o consumo de produtos de marca, que nem sempre são acessíveis a todos. Não se endivide em função disto. Dialogue, mostre o quanto é difícil ganhar dinheiro e acima de tudo evite compensações com bens materiais. Jogo limpo, caráter, franqueza, limites compartilhados, são maneiras de viver em harmonia, sem que haja exagero nos gastos. Mude agora, mude para melhor! Boa semana. Acesse www.jornaloplanetaeconomia.com.br.

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