Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


2 de setembro de 2010

O BAIXO PIB PER CAPITA

Categoria: PIB – Reinaldo Cafeo 9:53

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou estudo apontando para um crescimento de 21,7% do PIB per capita nos últimos 14 anos.

O PIB – Produto Interno Bruto é o indicador da riqueza do país, refletindo tudo que se produz no território nacional. O PIB per capita é a divisão do valor do PIB pelo número de habitantes. É um indicador questionável à medida que indica uma média de renda por pessoa, o que não quer dizer muita coisa. Por exemplo: alguém tem duas casas e outra pessoa nenhuma casa, na média cada um tem uma casa, o que não é verdade.

De qualquer maneira o crescimento do PIB per capita demonstra que, mesma na média, o país vem melhorando sua renda.

O que chama a atenção neste estudo é o valor que cabe a cada um dos habitantes brasileiros: o baixíssimo valor de R$ 5.405,00 ao ano em 2009. Saltou do já baixo R$ 4.441,00 em 1995, para o valor citado.

Além da constatação do baixo valor, fica evidente a péssima distribuição de renda no Brasil. Na região Sudeste, por exemplo, o PIB per capita foi de R$ 19.200,00 em 2009, ou seja, 255,2% a mais do que a média do Brasil. Na região Nordeste são modestos R$ 6.700,00.

Existe um abismo social no Brasil. Isso demonstra que é preciso mais que crescer economicamente, é preciso desenvolver economicamente. O primeiro é indicador quantitativo, o segundo, qualitativo.

Por sinal, já passou da hora de avaliarmos os governantes deste país por melhoria em indicadores qualitativos, que demonstrem a ampliação da qualidade de vida das pessoas.

Se de um lado podemos comemorar a melhora do PIB per capita, de outro lado fica cada vez mais evidente que é imperativo aumentar o bolo da renda e com este aumento melhorar a distribuição de renda no país. Talvez essas questões se apresentem como os maiores desafios do país, indo muito além dos programas sociais existentes.

Que o debate político contemple essa análise.

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10 de junho de 2010

Os dois lados do PIB brasileiro

Categoria: PIB – Reinaldo Cafeo 17:50

Dados divulgados pelo IBGE demonstram que o Brasil apresentou excelente desempenho econômico no primeiro trimestre deste ano: crescimento do Produto Interno Bruto de 9% sobre idêntico período de 2009. Tomando como base o trimestre anterior o crescimento foi de 2,7%, o que projetada um crescimento na ordem de 6% para este ano.

Os números que medem a geração de riqueza no país têm dois lados: bom e ruim.

Crescer 9% não é pouca coisa, portanto, tem que ser comemorado. Este patamar é inferior a poucos países no mundo entre eles a China (crescimento de 11,9%). O país ficou na sexta posição entre os países que mais cresceram no período. Ficamos a frente inclusive da índia que cresceu 8,6%. Além disso, a indústria de transformação cresceu 17,2%, o comércio 15,2%, a construção civil 14,9% e a indústria extrativa 13,6%. Outro aspecto positivo é a retomada dos investimentos, notadamente no setor industrial. A expansão foi de 26%. É a maior alta desde 1995.

O desempenho robusto demonstra que o Brasil se recuperou da recente crise internacional e de sobra retomou fortemente o nível da atividade econômica.

Mas nem tudo são flores.

Primeiramente devemos considerar a precária base de comparação, ou seja, os números atuais são comparados ao desempenho pífio da economia nacional do ano passado. Evidentemente que por este motivo os números atuais se potencializam.

Outro aspecto relevante, que nos remete a analisar o desempenho do PIB com cautela, é o fato que alguns setores tiveram excelente desempenho a partir de subsídios governamentais, como foi o caso do setor automotivo que teve na redução do IPI o que permitiu produzir e vender veículos “como nunca antes visto neste país” como gosta de dizer o presidente Lula. Daqui para frente serão praticados preços normais, o que reduzem as vendas.

Sem expandir a poupança interna, que se situa na casa dos 15,8% do PIB, portanto sem recursos para investimentos, haverá desequilíbrio entre a oferta e demanda no mercado, cujo efeito colateral já sabemos: inflação. Só para exemplificar, a poupança na China é na ordem de 30% do PIB. Para “segurar” a demanda o caminho será apertar a política monetária, com elevação dos juros básicos, aumento do compulsório bancário e outras restrições ao crédito.

Isso tudo sem falar do baixo investimento em infraestrutura, como energia, portos, aeroportos, estradas, armazéns, entre outros. São gargalos que não permitem a manutenção de um ritmo acelerado de crescimento da economia.

Se é importante comemorar o bom desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre, não é menos importante ter um olhar mais técnico e pé no chão, evitando entre outras coisas, uma euforia que pode se transformar em frustração. A análise do PIB tem seus dois lados.

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11 de março de 2010

O PIB brasileiro em 2009

Categoria: PIB – Reinaldo Cafeo 13:30

Nesta quinta-feira o IBGE divulgou os números do produto interno bruto brasileiro em 2009: retração de 0,2% se comparado ao ano anterior. Em outras palavras a riqueza do país encolheu no ano passado.

O resultado seria alarmante se o desempenho dos últimos meses do ano também fosse ruim, entretanto, não foi isso que ocorreu. O quarto trimestre de 2009 apresentou crescimento de 2%, abrindo caminho para as projeções otimistas de 2010.

A coisa funcionou assim em 2009: de um lado o governo subestimando os efeitos da crise internacional e demorando a intervir preventiva e corretivamente na economia, de outro lado, quando o governo agiu permitiu que a economia recuperasse mais rapidamente do se previa. Claro que estamos levando em conta a média do desempenho, podendo existir comportamentos distintos ao analisarmos setorialmente a economia.

No detalhe tivemos o seguinte comportamento do PIB em 2009: agropecuária com recuo de 5,2%, também com recuo o setor industrial (-5,5%), observando altos os setores de serviços (+2,6%), consumo das famílias (+4,1%) e os gastos do governo (+3,7%).

Além da recuperação econômica do último trimestre de 2009 a boa notícia é que os investimentos privados voltaram a expandir: +6,6%, atingindo 16,7% do Produto Interno Bruto. Mesmo ficando abaixo dos 20,1% que era o desempenho pré-crise e sendo o pior desempenho desde 2006, esta retomada dos investimentos permite manter o otimismo para 2010.

Os números divulgados confirmaram o que o mercado já sabia e a maioria está com o olhar voltado para o desempenho desde ano. Neste particular podemos manter as projeções para algo em torno de 5% de crescimento para este ano. Mas nem tudo são flores. O sinal de alerta da inflação já foi aceso. Janeiro e fevereiro vieram carregados e o governo começa a mexer na política monetária. Já enxugou o excesso de liquidez da economia com a retomada dos recursos injetados o ano passado via liberação do compulsório bancário e ainda deixou claro na última ata do Comitê de Política Monetária que os juros básicos podem voltar a subir.

É o chamado cobertor curto: crescimento sem sustentação de longo prazo gera desequilíbrio entre oferta e procura e os juros servem para segurar a alta dos preços.

Independentemente das variáveis preocupantes tudo aponta para um ano de bom desempenho econômico, portanto, saibamos tirar proveito disto.

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