Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


31 de December de 2009

Inflação baixa abre espaço para juros menores

Category: Juros – admplaneta 14:54

 

O primeiro índice de inflação conhecido pelo mercado o IGP-M apresentou deflação de 1,72% em 2009.

 

Esse índice é divulgado dentro do mês à medida que mede a inflação entres os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual.

 

A deflação se justifica pelo fato de o IGP-M sofrer a influência da cotação do dólar, à medida que 60% do índice ser de preços no atacado. Com um dólar em queda, os preços com cotação internacional caem também. Só para ilustrar o IPA (Índice de Preços no Atacado), apresentou deflação de 4,42% em 2009.

 

O IGP-M não é o índice oficial de inflação do governo, mas é um importante termômetro para demonstrar que o IPCA (monitorado pelo governo no sistema de metas de inflação) pode também ficar comportado, ao menos nos próximos meses.

 

Inflação controlada abre espaço para afrouxamento na política monetária. Somos sabedores que o Banco Central dificilmente reduzirá a taxa SELIC, mas é possível ter expectativa de manutenção no patamar atual, contrariando projeções do mercado que apontam elevação da taxa básica brasileira.

 

O Brasil apesar dos juros elevados deverá crescer no próximo ano acima de 5%. Será um bom desempenho, entretanto ainda não podemos afirmar que seja um crescimento que se sustenta. Há inúmeros gargalos impeditivos de um avanço mais estruturado de nossa economia. As questões de infra-estrutura não tiveram a atenção adequada por parte do setor público. Energia, portos, estradas, entre outros são importantes gargalos que podem inviabilizar a recuperação plena da economia brasileira, isto sem contar a elevada carga tributária, burocracia excessiva, um setor público lento, entre outros.

 

Se de um lado a inflação está comportada, de outro é preciso mais criatividade para sair mesmice de monitorar a economia com políticas monetária e fiscal restritivas. A palavra correta talvez fosse ousadia, mas em fim de mandato não é possível esperar mudanças neste sentido, lamentavelmente.

 

 

 

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17 de December de 2009

Os juros caíram mas ainda são escorchantes

Category: Juros – admplaneta 10:38

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças divulgaram pesquisa apontando para queda nos juros médios cobrados dos consumidores em novembro: ficaram 6,96% ao mês ou 124,21% ao ano. Caíram 0,07 ponto percentual.

Observem a magnitude dos juros anuais: 124,21%. São escorchantes. Em um pais que projeta taxa anual de inflação de 4,5% e que remunera um título público em 8,75% ao ano é cômico, se não fosse trágico, pensar em juros nessa magnitude.

Na prática é como se a paciente chamada economia brasileira só sobrevivesse com doses excessivas de remédios. É uma recomendação exagerada.

Não podemos aceitar que o país possua padrão de primeiro mundo no controle de preços e seja obrigado a impor juros estratosféricos.

Somos sabedores que a queda dos juros não virá por decreto, mas também somos sabedores que se faz necessário abdicar do excesso de conservadorismo que tem caracterizado a equipe econômica, notadamente as autoridades monetárias do Banco Central.

Juros elevados inibem o crescimento econômico e como ele a geração de emprego e renda.

Os juros básicos têm sua função indutora da redução, mas é pouco. É como se o governo federal aceitasse a agiotagem institucionalizada, afinal, em que país do mundo juros tão elevados são aceitos com a passividade que aceitamos aqui Brasil?

Nem mesmo a justificativa da eventual volta da inflação é aceitável, pois o resto do mundo consegue com juros extremamente menores manter os preços sob controle.

Os bancos oficiais podem exercer importante papel na reversão deste estado de coisas. Enquanto isso não acontece resta somente indicar aos consumidores em geral: podendo, evitem contrair empréstimos, sob risco de entrarem em verdadeiro ciclo vicioso.

Juros escorchantes são inaceitáveis.

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22 de January de 2009

A queda dos juros na prática

Category: Copom,Juros,Prefeitura,Selic,Sem categoria,Spread – Tags: , , , , – Reinaldo Cafeo 9:17

O Banco Central através do Comitê de Política Monetária reduziu a taxa de juros básica da economia brasileira em 1 ponto percentual. A chamada taxa Selic foi fixada em 12,75% ao ano.

Partindo da constatação da queda de preços, por baixa demanda, somada a queda acelerada do nível de atividade econômica, refletida no aumento do desemprego, o Copom não teria outro caminho senão reduzir os juros. Isso sem falar da pressão da sociedade civil organizada.

Essa queda refletirá de imediato no custo da rolagem da dívida interna brasileira. Boa parte dos títulos emitidos pelo governo é remunerada pela taxa Selic.

No decorrer dos meses essa queda poderá, eu disse, poderá, chegar na ponta, ao tomador de recursos.

Acontece que a lógica é: juros básicos menores induzem os intermediários financeiros (bancos, por exemplo) a remunerarem menos quem aplica seus recursos no sistema financeiro, abrindo oportunidade para reduzir os juros de quem precisa dos empréstimos. É uma tendência e não uma certeza, afinal, utilizando a lei de mercado, esses intermediários financeiros podem ou não ampliar o volume de empréstimos. Se não ampliarem os juros não caem. De imediato somente os bancos oficiais anunciaram, via pressão governamental, redução dos juros ao tomador final.

O grande problema no Brasil é que o patamar de juros praticados pelo governo é muito elevado se comparado ao resto do mundo. Os chamados juros reais (descontada a inflação) aqui no Brasil são os maiores do mundo, ficando cerca de 2 pontos percentuais acima da Hungria, segunda colocada no ranking. Além disso os bancos exageram no spread bancário (diferença entre juros pagos a quem aplica e de quem empresta recursos), encarecendo demasiadamente o custo do dinheiro.

Em meio a crise as principais economias capitalistas reduziram drasticamente seus juros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa básica está abaixo de 1%.

De qualquer maneira esse é o jogo da política monetária: se a prioridade é retomar o crescimento econômico, juros menores. Se a inflação subiu, juros maiores.

Se a redução de um ponto percentual não resolve todos os problemas ao menos retomamos o processo de queda e, finalmente, o Banco Central, começou a entender melhor o lado real da economia.

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