Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


11 de May de 2011

É possível driblar a inflação

Category: Inflação – Reinaldo Cafeo 17:32

Os números não mentem: a inflação está presente. O governo admitiu que ficará mais próxima dos 6,5% (teto) do que dos 4,5% (meta) em 2011.

Os Institutos que apuram o patamar da inflação ainda captam altas de preços.

No seio do governo e nas análises macroeconômicas já é possível projetar queda nos próximos meses, posto que foram tomadas inúmeras decisões neste caminho, como contenção de gastos públicos, aumento dos juros, aumento de IOF, entre outros.

Ocorre que a renda não acompanhará a alta de preços. Desta maneira é imperativo que o consumidor redobre a atenção e tente driblar a inflação.

Uma das velhas e conhecidas técnicas para diminuir o valor gasto na compra dos produtos é pesquisar. Muitos perderem este hábito, prática comum quando a inflação batia os 40% ao mês. Selecione jornais, panfletos, entre na internet, enfim, seja proativo quanto aos preços.

Outra maneira de economizar é substituir marcas ou produtos. Muitos consumidores só compram produtos de uma determinada marca, sendo que o mercado oferece inúmeras opções. Se a marca preferida está fora de um preço aceitável, dê oportunidade para outra marca, mais barata. Outra opção é substituir produtos. O exemplo mais emblemático vem do consumo de carne vermelha. Os preços subiram muito e somente agora é que começam a cair. Neste caso prefira carnes brancas como frango e peixe. Sempre haverá alternativas mais baratas a disposição do consumidor.

O consumidor deve estar atento aos produtos de safra. Com maior oferta dos produtos de época os preços tendem a cair. Não adianta insistir em comprar produtos cuja produção cai muito neste período. É rasgar dinheiro.

Se você faz parte de alguma associação vale a pena a compra cooperada. Reúna algumas famílias e faça compras em volume. O que se chama ganhar em escala. Desta maneira você pode exigir desconto adicional pelo volume consumido.

Reúna a família e peça que segurem os demais gastos. Isso vale para vestuário, combustível, energia elétrica, comida fora de casa, entre outros. É hora de pensar na redução do gasto global e isso é possível quando todos da família estão imbuídos dos mesmos propósitos.

Em tempos de descontrole de preços o consumidor tem que exercitar sua soberania no consumo: produtos que estão com preços abusivos, se forem rejeitados, terão seus preços reduzidos.

Não é preciso esperar o governo agir, pois de seu dinheiro, cuide você!

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5 de May de 2011

Pequena inflação é semelhante a pequena gravidez

Category: Inflação – Reinaldo Cafeo 11:29

Pronunciamentos dos representantes da equipe econômica indicam que o governo Federal não cumprirá a meta máxima do patamar da inflação anualizada que é de 6,5% ao ano.

A meta fixada é de 4,5% podendo, no limite, atingir, dois pontos percentuais a mais. Alegam que os preços internacionais das commodities são os principais fatores para que a inflação não seja controlada como planejado.

Mesmo considerando esse ambiente hostil para um controle mais acentuado dos preços internos, o governo não pode abrir a guarda.

Nosso passado em termos de inflação nos condena. Vivenciamos por décadas preços fora de controle. Criamos a chamada correção monetária, que, se não nos levou a hiperinflação, também não permitiu que a mesma caísse.

A engenharia do plano Real nos colocou no rol dos países que controlam adequadamente os preços, mas isso é pouco.

Não compartilho com aqueles que entendem que somente com política monetária restritiva é que se controla a inflação. Na prática é preciso atacar as inúmeras frentes que causam o aumento de preços, a começar pelo controle dos gastos públicos. Outro fator relevante é o efeito da indexação de preços, que mesmo sendo minimizado, toda vez que a inflação passada se eleva, gera um foco novo de inflação. Também é possível o controle setorial de preços, enfim, é preciso sair da mesmice no controle inflacionário brasileiro dos últimos anos.

Mesmo não compartilhando da premissa citada, avalio que, quando há pressão muito forte, com focos evidentes de inflação, toda munição deve ser utilizada.

Entendo que o atual governo não quer comprometer o crescimento econômico e com ele a geração de empregos, mas é uma questão de escolha, optando pelo bem maior, que neste momento é controle dos preços.

Assim, utilizar-se da política monetária em toda sua dimensão e ao mesmo tempo agir no controle das demais variáveis já citadas, ofereceria ao mercado a ração que ele deseja: austeridade com estratégia.

Sempre vale lembrar que inflação no Brasil, mesmo que pequena, é semelhante a uma pequena gravidez, uma hora cresce, portanto, todo cuidado é pouco.

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10 de February de 2011

O desafio do controle inflacionário

Category: Inflação – Reinaldo Cafeo 8:41

O ano de 2011 começou com a mesma preocupação do final de ano: alta dos preços. Tendo como vilões os alimentos e os serviços, a inflação oficial, medida pela IBGE através do IPCA, ficou em 0,83% em janeiro. No acumulado de 12 meses o índice ficou em 5,99%, muito próximo do limite máximo aceitável para meta de inflação que é de 6,5%.

Na depuração da elevação dos preços há componentes preocupantes e outros previsíveis. A chamada inflação gregoriana (calendário gregoriano que se repete todo ano) era previsível. Mensalidade escolar, tarifas de transporte, material escolar, entre outros, todo mês de janeiro tem seus preços reajustados.

Outros serviços como salão beleza, serviços pessoais, entre outros, tiveram seus preços reajustados no vácuo do aumento de outros preços.

Outro fator relevante é queda na oferta de alimentos. Com um clima fora de controle, com chuvas mais intensas que o normal, houve comprometimento da área plantada, e no jogo de oferta e procura os preços dispararam.

O desafio do controle inflacionário está posto. Considerando que o consumo interno está elevado, puxado pelos incrementos de renda e crédito, um instrumento muito utilizado pelo governo é mexer na politica monetária. Juros mais altos e a restrição ao crédito de uma forma geral enxugam a liquidez do mercado, induzindo os consumidores a adiarem suas compras.

Este é instrumento mais previsível, mas há outros. Ampliar a oferta via importação de produtos escassos no mercado interno é outra opção. O dólar barato permite isso, com baixos reflexos interno, se for executado por um curto período de tempo.

Outro caminho seria buscar maior controle de preços através de acordos setoriais. Isso não é sinônimo de injeção de preços, mas sim de acordar uma trégua, evitando que a economia como um todo pague o preço do desarranjo de preços de alguns setores.

Quando, por exemplo, o governo opta pela alta dos juros, todos os setores da economia são afetados. Há produtos que não guardam relação direta com bens financiáveis, portanto, não poderiam ser penalizados para controlar a inflação. Atacar a cadeia produtiva dos focos inflacionários seria um caminho mais trabalhoso, por outro lado, mais eficaz.

Isso tudo sem falar que a solução no longo prazo vem do melhor controle dos gastos públicos.

Enfim, é preciso inovar, fazer diferente, evitando que o crescimento econômico seja comprometido.

Inflação preocupa, mas é possível, saindo da mesmice, controla-la sem penalizar todos os setores da economia.

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