Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


11 de November de 2011

Eu não faria nova dívida com pendências financeiras, e você?

Category: Finanças – Reinaldo Cafeo 10:22

Com a chegada do final de ano e com ele o recebimento do décimo terceiro salário, vem tona à discussão de qual seria o melhor destino deste recurso extra.

Avaliar o destino do décimo terceiro sem deixar o lado racional prevalecer me parece loucura.

Comece por analisar sua real situação financeira. Neste particular não é necessário estar inadimplente, basta pagar juros, por exemplo, no cheque especial ou cartão de crédito.

O raciocínio é simples: ao não conseguir pagar a fatura do cartão de crédito integralmente, automaticamente o devedor optou pelo financiamento do saldo não pago. A taxa de juros média nesta modalidade está na casa dos 11% ao mês. Isso mesmo, 11% ao mês. Na mesma linha está o cheque especial, que para muitos incorporou-se a renda. A taxa de juros média está na cassa dos 9% ao mês. A pergunta é objetiva: você continuaria a pagar juros para rolar essas modalidades, tendo em mãos o valor total ou até mesmo parte do dinheiro para cobrir estes empréstimos? A resposta nos parece óbvia.

Este é um lado da questão. Ocorre que há muitos consumidores que não estão nem aí quanto ao seu ímpeto em consumir. Possuem pendências financeiras e mesmo assim saem gastando sem critério. Fazem novas dívidas e empurram o problema para frente. Começam o ano endividados, mesmo sabendo que no início do ano chegam àqueles indesejados compromissos tais como matrícula escolar, material escolar, IPTU, IPVA, entre outros.

É evidente que iremos comemorar o Natal e a passagem de ano. Também é evidente que iremos presentear as pessoas, mas não há o menor interesse, mesmo para quem quer vender seus produtos, que as pessoas não consigam honrar os compromissos assumidos.

Os próprios bancos estão reforçando campanhas que levam as pessoas a refletir sobre suas finanças pessoais.

Se de um lado o ambiente é de consumo e seja natural que queiramos mesa farta e ainda alegrar os familiares e amigos com presentes, de outro lado é importante ter os pés no chão, gastando no limite da renda.

Não seria nada coerente contrair nova dívida com pendências financeiras.

Faça boas escolhas e terá boa saúde financeira.

 

 

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16 de September de 2011

O Consumismo na adolescência

Category: Finanças – Reinaldo Cafeo 11:39

 

Os pais e responsáveis vivem um dilema: atendem ou não todos os pedidos dos adolescentes?

Entre vários “sonhos” de consumo está a ditadura da moda que tem nos produtos de “marca” seus carros chefes. Além da moda há o salão de beleza, os ambientes “chics”, o lanche da multinacional e uns cem números de outros desejos.

Quer por status, quer para se sentir incluso, ou ainda para simplesmente ostentar, entendendo que desta maneira será “popular”, os adolescentes podem levar famílias ao caos financeiro.

Tudo isso tem um preço, e caro. A mídia sabe o potencial deste mercado e explora com maestria.

Isso leva a desejar, por exemplo, um celular, mas não um simples celular, tem que ser o top, aquele que contempla todos os recursos para a conectividade total. Quando o assunto é ir à praia ou a piscina, na ótica deles, é impossível não ter pelo menos três roupas de banho distintas. Em se tratando de mulheres, são pelo menos três biquínis, de “marca”.

O tênis deve ser o mais conhecido. Pouco impor se custa em torno de um salário mínimo. É este, ou nada feito, afinal o que amigos vão dizer? E pensar que usei conga e kichute na minha adolescência…

Os acessórios são outros desejos de consumo. Brincos, colares, relógios, entre outros, devem mostrar todo o lado fashion das meninas.

Os garotos desejam os bonés, roupas transadas e nas festinhas, sempre bem vestidos para impressionar.

A estética está em alta não somente no universo feminino. Os meninos se renderam aos cabelos produzidos, perfumes de “marca” entre outros.

O que fazer diante deste quadro?

Na prática os filhos são reflexos dos pais e educadores. Os responsáveis pelos filhos devem deste a infância estabelecer limites de consumo e demonstrar com clareza o quanto é difícil ganhar dinheiro e manter um patamar de consumo elevado. Evidentemente que há aqueles que nasceram em condições financeiras mais vantajosas, mas mesmo estes devem ser educados para vida financeira. É o que podemos chamar de dar valor às coisas.

Uma educação completa impõe limites, ensina que o equilíbrio da vida está em utilizar os bens materiais para melhorar a vida e que os verdadeiros valores não estão em possuir, ter coisas, mas sim em ter uma consciência coletiva, em forjar cidadãos que pratiquem a solidariedade e que sabem que o melhor é ser reconhecido pelo que efetivamente a pessoa é.

Não é tarefa fácil. Esta geração nasceu digital, se isola, pula etapas na vida, são sedutores desde cedo e cresceram com os descartáveis, com a falta de perenidade.

A educação completa passa por ensinar os limites em cada etapa da vida. Se há adolescentes consumistas, muito de deve a permissão que os pais concederam.

Nunca é tarde para rever essas questões. Isso vale tanto aos pais, como para os filhos adolescentes. Viver com mais simplicidade pode ser um primeiro indicativo.

 

 

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16 de June de 2011

Grupo de Devedores Anônimos

Category: Brasil,Finanças – Reinaldo Cafeo 10:40

 

O número chama a atenção: 15 milhões de brasileiros não conseguem pagar suas contas em dia e potencialmente este número pode atingir 50 milhões de pessoas.

Só por esses dados justifica-se a criação de um Grupo de Devedores Anônimos. E ele realmente existe e é conhecido no Estado de São Paulo como D.A. (Devedores Anônimos).

Os grupos formados (há vários no Brasil) trabalham no sentido de identificar o que leva as pessoas a exagerar nos gastos. Alguns compram por necessidade, outros por diversão, alguns por modismo, status e apelo da mídia. Entretanto há muitas pessoas que consomem pelo simples prazer de comprar, sem que analisem a real necessidade em possuir o bem.

O consumo sem critério, exagerado, é sinônimo de doença, conhecida como aneomania, que atinge pessoas que têm como característica comprar de maneira compulsiva. Essa doença é um distúrbio que pode ser considerada obsessivo-compulsiva. Em alguns casos a aneomania vai além do gasto exagerado, sendo acompanhada de outras características como contar objetos sem conseguir parar.

Estima-se que no Brasil haja 3% da população com este distúrbio, que somados aos devedores que não necessariamente possuem a doença, chega-se aos 15 milhões de brasileiros mencionados anteriormente.

As mulheres são a maioria: para cada quatro mulheres um homem sofre da doença. Não há comprovações científicas que esclareçam o porquê de as mulheres serem mais suscetíveis a doença, mas sabe-se que a ansiedade, alteração no humor, álcool e distúrbios alimentares estão associados ao agravamento da doença.

O comportamento desse grupo de pessoas é depressivo, são pessoas que sentem um vazio em seu ser e são muito ansiosas.

Na prática essas pessoas têm o consumo como vício, semelhante ao viciado em álcool ou outras drogas. Enquanto compram, os viciados em consumo têm alívio e sentem um prazer intenso, contudo, logo após as compras, voltam os sintomas aqui descritos.

Muitos sequer sabem que contrariam a doença, mas é fácil identificar: gastam muito, gastam sem nenhum critério e estão endividadas.

Precisam de ajuda psicológica e ajuda do grupo de amigos e familiares, à medida que ainda não há um remédio específico que combata os sintomas da doença.

Não quero ser alarmista, mas indico uma reflexão de como está seu impulso para os gastos. Consegue gastar dentro do limite de sua renda? Paga em dia suas contas? Seu guarda roupas não tem peças em excesso? Consegue ir ao comércio central, no shopping e não se render as compras? Utiliza do consumo para alívio psicológico? São algumas perguntas que dependendo das respostas pode indicar, senão a doença em si, mas se não está no caminho de contraí-la.

O consumo precisa se consciente e dentro do limite que a renda permite. Se de um lado tudo nos leva a gastar cada vez mais, de outro lado temos que assumir o controle do dinheiro e estabelecer os nossos limites.

Fique atento ao comportamento de consumo e trabalhe preventivamente.

 

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