Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


9 de February de 2012

Educação: omissão do Estado e dos cidadãos

Category: Educação – Reinaldo Cafeo 17:06

Os números são impressionantes: as famílias brasileiras gastarão R$ 62,8 bilhões com educação neste ano.

Este volume equivale ao Produto Interno Bruto do Paraguai. Nada desprezível.

O valor aqui apontado é distribuído da seguinte forma: alta renda gastará R$ 32,4 bilhões, a classe média R$ 28,1 bilhões e a classe baixa R$ 2,3 bilhões.

O destino do dinheiro é para matrículas, mensalidades escolares, livros e material didático.

A classe média, por exemplo, gastará em torno 76% do volume dos recursos em matrícula e material escolar. A classe alta algo próximo a 85% e a classe baixa 52%.

Isso nos remete a refletir quais são efetivamente as prioridades do Estado (em todas suas esferas). Quando do consenso de Washington no final dos anos 1980, o indicativo era que os governos enxugassem a máquina, concentram-se em questões inerentes ao Estado, como educação, saúde, segurança, entre outros, deixando à iniciativa privada atividades econômicas. O Brasil entrou nessa.

Pois bem, o que se observou ao longo dos anos é que o Estado só cumpriu em parte a estratégia definida. A gastança pública continua solta, a eficiência na gestão pública é sofrível e o apetite em tributar é cada vez mais acentuado.

Todos somos sabedores que se o país pretende ser a potência que todos alardeiam, portanto promover uma verdadeira revolução interna, isso passa necessariamente pelo investimento em educação. Isso não ocorrerá com o modelo atual em que o cidadão, as famílias são obrigadas a pagar duas vezes: em tributos e em escolas particulares.

Neste contexto observem o quanto o contribuinte pode abater na declaração no imposto de renda com educação: R$ 2.958,23 ou a “extravagante” quantia de R$ 246,00 por mês. Como diria um renomado jornalista: “é uma vergonha”. Isso se a declaração for no modelo completo!

A omissão do Estado é inaceitável. Faça uma reflexão e aponte um setor em qualquer esfera de governo que tiraria nota 10 com louvor. Sabemos a resposta. Enquanto isso a arrecadação tributária bate recorde e mais recordo, sendo que a carga tributária se aproxima dos 40% do Produto Interno Bruto.

Em parte nós somos culpados. É verdade. Em vez de exigirmos escolas públicas com qualidade, optamos por “quebrar o galho” do Estado e matriculamos nossos filhos nas escolas particulares e até utilizamos isso como “status”. Acabamos não usando nosso direito de cidadão.

O pior é constatar que reproduzimos isso na saúde (vejam os planos de saúde particulares) e em tantos outros serviços que seriam obrigação do Estado.

Os números soltos não dizem muito, mas colocados em seu real contexto, podem ser o primeiro indicador para apontar: algo mais estrutural tem que ser feito.

Se o Estado omite, nós também acabamos entrando na onda. É preciso cobrar mais e sermos sujeitos da história.

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17 de February de 2011

Gasto em educação: custeio que vira investimento

Category: Educação – Reinaldo Cafeo 10:03

Os governantes não se deram conta que as mudanças estruturais no Brasil passam necessariamente pelo investimento forte em educação.

Como diz Peter Drucker “o planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras das decisões presentes”, e lamentavelmente as decisões passadas que poderiam impactar agora, foram equivocadas.

Estão transformando escolas em atividades mercantis, Professores em prestadores de serviços e alunos em clientes. É uma relação que não fecha.

Na verdade a revolução do conhecimento via educação formal, se dará quando os atores envolvidos entenderem a dimensão que o ato de educar representa.

Os pensadores na área são vozes esquecidas e o modelo atual contempla muito mais estatísticas de quantos frequentam os bancos escolares do que a qualidade do ensino.

Do ponto de vista estrutural os ambientes para ensino/aprendizagem estão distante de ser o ideal. As salas de aula não permitem a concentração dos alunos. As bibliotecas, com raríssimas exceções, não atendem as necessidades básicas do complemento ensino. Isso sem falar na falta de estimulo a leitura, em uma geração moldada pela internet que prefere o caminho fácil e rápido dos resumos virtuais de obras literárias.

No âmbito dos Professores o país entrou em circulo vicioso. A baixa remuneração reduz a atratividade dos profissionais da área, e aqueles que entram no sistema educacional, se quiserem atingir uma remuneração digna, precisam ampliar jornadas, o que impede o devido preparo, portanto, há um comprometimento do ensino na ponta.

Observo que na maioria das vezes não é questão somente de falta de recursos, mas sim falta de gestão.

Educação falha retira competitividade do país, não prepara cientistas no volume necessário e o que é pior, não garante bons postos de trabalho. Sem oportunidades no mercado de trabalho, jovens e adolescentes são prezas fáceis para o crime organizado e para o tráfico de drogas, elevando a insegurança já existente.

Gasto em educação não é custeio, é investimento. Ou se investe fortemente agora, ou as próximas gerações lamentarão tanto quanto a atual geração.

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