13 de October de 2011
O ambiente de incertezas externas tem levado o governo brasileiro a efetuar revisão para baixo no crescimento econômico deste ano.
Os 4,5% iniciais foram revistos para 3,5%, portanto o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) crescerá 3,5% em 2011, em termos reais, se comparado ao ano de 2010.
Ficará abaixo de outros países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), notadamente a China e Índia.
O Brasil tem monitorado a economia combinando as políticas fiscal e monetária. A política fiscal garante ao governo forte arrecadação e ampliação nos gastos, notadamente em custeio. Já a política monetária monitora a liquidez do mercado, com austeridade na taxa de juros e política crédito. O objetivo até então é de garantir a estabilidade de preços, à medida que a inflação desgarrou da meta central de 4,5%, ficando mais próxima do limite máximo de 6,5% para este ano.
Quando se observa a queda na projeção do PIB o indicativo é afrouxar as duas políticas. Os juros já foram reduzidos, contudo, ainda está presente a preocupação com a elevação dos preços.
Diferentemente do ambiente econômico de 2008 e 2009, quando do auge da crise internacional, a inflação ainda precisa ser combatida, o que inibe medidas mais fortes, como por exemplo, redução da carga tributária e até mesmo quedas mais significativas na taxa de juros.
De qualquer maneira o atual governo tem sinalizado que irá inverter em parte a equação que tem engessado o desempenho econômico brasileiro: ser mais rigoroso na política fiscal, principalmente no que se refere ao controle dos gastos públicos, abrindo espaço para que os juros no Brasil deixem de ser os maiores do mundo, chegando ao longo do tempo em patamares semelhantes aos de países que conseguem crescer e controlar a inflação.
A revisão para baixo do crescimento da economia é um alerta para que os agentes econômicos refaçam suas estratégias, e é um indicativo de que o mercado de consumo poderá encolher.
Não é para pessimismo, mas para redobrar a atenção, afinal, crescer é importante, mas sustentar o crescimento é fundamental.
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22 de September de 2011
Nestes últimos dias o mercado externou seu nervosismo na cotação do dólar. A moeda norte-americana se apresentou como porto seguro para alguns investidores e especuladores que observam a deterioração do ambiente econômico internacional.
As incertezas quanto à recuperação da economia dos Estados Unidos, de alguns países europeus, notadamente da Grécia e ainda dúvidas em relação ao Japão têm tirado o sono de quem opera o mercado, notadamente nos mercados acionários e do câmbio.
Na prática a economia brasileira de hoje tem pouca diferença da economia de algumas semanas atrás. Desta maneira não há nada relevante que justifique e que sustente uma cotação do dólar no patamar atual.
O Brasil mantém reservas cambiais confortáveis chegando a US$ 333 bilhões; tem recursos represados a título de depósito compulsório na ordem de R$ 450 bilhões, o que garante a liquidez do sistema financeiro; mesmo tendo reduzido a taxa básica da economia ainda pratica a maior taxa de juros do mundo; tem um mercado aquecido e com uma demanda interna forte; enfim não motivos para que o dólar desgarre tanto.
Além da blindagem descrita, não há o menor interesse por parte da equipe econômica do governo Federal que o dólar suba muito rapidamente. Uma escalada forte do dólar traria a chamada inflação importada, em um momento em que a inflação interna não foi completamente controlada. Elevação lenta e gradativa seria o desejado pelo governo.
Um dólar mais próximo de R$ 1,80 seria muito útil à geração de superávit comercial com o resto do mundo, contudo, não há motivos técnicos que indiquem tendência de alta da moeda norte-americana, pelo menor até o ano que vem.
Como já colocado é um nervosismo de curto prazo, em que, na dúvida os que operam no mercado optam pela segurança.
Como o mercado está à deriva, não há como fazer apostas do tempo em que esse nervosismo se manterá, resta, portanto, não se precipitar e esperar a tempestade passar.
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8 de September de 2011
Todo final de ano vem às mesmas dúvidas: como utilizar de maneira adequada o décimo terceiro salário? Estamos em setembro e a preocupação já está presente.
É evidente que o valor do décimo terceiro para milhões de brasileiros não um montante expressivo que permita fazer tudo.
Com pouco ou muito dinheiro o trabalhador terá que fazer escolhas. Eu poderia indicar aplicar o dinheiro em Fundos de Investimentos ou ainda em Certificados de Depósito Bancário ou até mesmo na caderneta de poupança. Poderia ainda indicar gastar em uma viagem, enfim, realizar um sonho de consumo.
Serei racional o prático. Proponho que você inicie o ano sem dívidas. Isso mesmo. Começar o mês de janeiro sem nenhuma pendência deste ano. O salário de janeiro seria para pagar as contas de janeiro e não as remanescentes de novembro e dezembro deste ano.
Para isso é preciso disciplina. Separe uma parte do dinheiro para a festa de final de ano. Limite os gastos com presentes. Parta para as famosas lembrancinhas. Utilize cada valor recebido até o final de ano para cobrir pendências.
Caso esteja utilizando o limite do cartão de crédito ou a fatura está elevada, comece a gastar menos a partir de agora até que o valor mensal caiba em orçamento. Também priorize a cobertura do cheque especial.
Reúna a família e diga de seu propósito em zerar as contas. Estabeleça regras de gastos e metas de economia.
Comece pelo gasto com comunicação. Racionalize o uso do celular forçando a redução do valor da conta. Faça isso também com as demais despesas da casa.
Peça a todos da família que comprem roupas ou sapatos somente para reposição. Nada de comprar um bem que será mais um entre muitos já existentes.
Tente diminuir os gastos com transporte. Faça ainda um esforço em economizar no supermercado, evitando os supérfluos.
Enfim, se deseja efetivamente iniciar o ano sem dívidas não é preciso esperar o décimo terceiro chegar. Na prática o décimo terceiro deve vir para ajudar a entrar o ano sem preocupações com compromissos não honrados.
Controlar as finanças do lar é sinônimo de qualidade de vida. Seja proativo e não espere o final de ano chegar.
Você deve ser o piloto de sua vida financeira.
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6 de September de 2011
A ciência econômica oferece importantes instrumentos para o controle da economia. Para o efetivo cumprimento das metas macroeconômicas, entre elas o controle da inflação e o crescimento da economia, os governos utilizam-se principalmente da política fiscal e monetária.
O Brasil ao longo dos anos optou por combinar as duas políticas, contudo, em poucos momentos da história recente criou condições para desarmar principalmente a política monetária e nesta, a política de juros.
Com um Estado inchado e gastador a política fiscal, ou seja, a arrecadação tributária e os gastos públicos, pouco foi utilizada para abrandar a necessidade de compensar esta ineficiência na gestão pública com prática de juros nas alturas.
Isso é fácil ser confirmado, basta analisar a relação carga tributária com o produto interno bruto: o país saltou de 25% em 1994, início do Plano Real, para algo em torno de 38% atualmente. Foram 13 pontos percentuais de crescimento sem que houvesse qualquer mudança estrutural no país, indicando que este aumento na arrecadação se perdeu em gastos públicos cada vez mais elevados e o que é pior, em custeio, na manutenção da máquina pública, com pouco foco em investimentos.
Neste contexto a política monetária é aplicada no sentido de compensar esta ineficiência. Juros elevados encurtam o tamanho do setor privado, controlando os preços pela inibição de demanda em vez de incentivar o aumento da oferta.
Com estas práticas o crescimento econômico não se sustenta e a política monetária (principalmente os juros) serve de moderadora, evitando que a conquista da estabilidade seja abandonada.
O governo da Dilma Rousseff tem demonstrado disposição em mudar este estado de coisas. Já no início de mandato adotou medidas neste sentido e nesta semana anunciou a ampliação do esforço fiscal para gerar sobras que permitam gradativamente desatrelar o controle econômico da política monetária.
Não é tarefa fácil à medida que economizar indica fazer escolhas. Se o comportamento político fosse racional, e não o é, seria mais fácil, mas há um jogo de interesses, emendas parlamentares, partidos de sustentação do governo, projetos que dependem de maioria, isso tudo sem falar do desafio em diminuir (já que não é possível eliminar) os desvios via corrupção, observada cotidianamente no seio do governo.
Pode-se até questionar a magnitude do ajuste ou até mesmo sua efetividade, mas uma coisa é verdadeira: o diagnóstico é correto.
Teremos somente que observar se não serão medidas somente para jogar para a torcida, com pouca aplicabilidade. Isso será comprovado quando os juros caírem, a inflação estiver controlada e o crescimento da economia se sustentar. Uma hora isso tem se tornar realidade.
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19 de August de 2011
Muitos dos problemas emocionais vivenciados pelas famílias têm como origem as questões financeiras.
A maioria da população brasileira não foi e não é educada para o mundo das finanças. Somente recentemente é que as escolas de ensino fundamental e médio se deram conta que falar de dinheiro é necessário. Pouquíssimas famílias se importam em orientar os filhos no sentido de aprenderem a lidar com crédito, contas a pagar, renda, etc.
A separação de casais por divergências na relação com o dinheiro está em crescimento: 50% dos casais que se separam apontam esta causa como a que motivou o fim do relacionamento.
Tudo começa no namoro. O encantamento amoroso, a paixão, o querer bem, não podem inibir uma conversa franca sobre dinheiro.
O casal para ter uma vida completa a dois precisa, além da afinidade amorosa, também ter sintonia financeira. É necessário decidir qual padrão de vida a ser estabelecido, se há necessidade de conta conjunta, se os dois trabalharão, como serão os gastos gerais, qual o volume de reservas para emergências, etc.
Quando vem o filho inicia-se uma pequena revolução nas finanças do casal. Se houve planejamento financeiro para este novo momento, as coisas tendem a ser mais fáceis, mas o que se observa é exatamente o contrário: mais gastos incorporados a um casal desorganizado financeiramente.
Quando chegam os filhos é preciso em algum momento falar com os filhos sobre o tema. O indicativo é que isso ocorra quando os filhos completarem cinco a seis anos. Nesta idade devem manusear o dinheiro, efetuar pequenas compras de produtos que custem alguns centavos.
É muito positivo instituir semanadas. Um valor em dinheiro entregue toda semana para a criança gastar no que deseja. Vale destacar que os pais não podem transferir para a mesada despesas que são de sua obrigação, como compras de livros, mensalidade escolar, uniformes, etc. O valor da semanada deve ser definido dentro do padrão de vida de cada família. O fundamental é que a criança preste conta em que gastou e que os pais acompanhem a vida financeira dos filhos.
Quando adolescentes é preciso ir além. Mostrar com clareza as fontes de renda (mesmo sem declinar o montante), e quais os gastos prioritários da família. Abordar a importância em manter o nome limpo na praça e para tanto orientar para que sempre paguem em dia as contas assumidas. Educar para esses jovens guardem dinheiro. Mostrar a importância de ter reservas financeiras para emergências. Falar de seguros, previdência privada, carreira, entre outros, garantirão educação mais completa.
Nem todos os pais têm conhecimento sobre tudo, portanto, não há problema algum em buscar ajuda de especialistas e até mesmo matricular os filhos em cursos de especialização no tema.
É cada vez mais necessário educar de maneira completa e forjar cidadãos que tenham dignidade. A boa saúde financeira passa por isso.
Educar financeiramente é ajudar a obter qualidade de vida.
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11 de August de 2011
Desde o ano passado, analisando a lenta recuperação americana e seu desajuste fiscal, havia enorme dúvida se a economia dos Estados Unidos recuperaria ou teria um duplo mergulho, ou seja, uma nova recessão. O desempenho em W, isto é, a economia entrou em recessão, recuperou, mas entraria em nova recessão para depois se recuperar, era o grande temor mundial.
De certa maneira essas dúvidas se tornam realidades no lado pior: a nova recessão. Aqui mesmo neste espaço escrevi vários artigos indicando que um dos cenários possível seria este comportamento.
O atual momento da economia americana é uma consequência da crise de 2008/2009. Naquele momento a crise se instalou no setor privado, o qual foi socorrido pelo setor público. Agora quem está no centro do problema é o setor público.
Os desajustes fiscais, não somente dos Estados Unidos, como da Europa como todo, não foram equacionados. Socorrerem empresas privadas e não fizeram a lição de casa. Pagam agora o preço por este desarranjo.
Os Estados Unidos, em particular, pagam um preço adicional: o decepcionante Obama perdeu maioria no congresso americano e a crise tem contornos políticos. É o pior dos mundos: ter que fazer ajustes e não obter a solidariedade do congresso para aprovar seus necessários ajustes.
E o Brasil? Considerando que o governo brasileiro saiu da crise rapidamente e que o socorro ao setor privado foi segmentado e em dimensões menores do que o resto do mundo, não houve grande sangria internamente.
Isso não quer dizer que há plena imunidade. Há maior proteção, mas não fizemos todas as lições de casa. Os gastos públicos cresceram consideravelmente nestes últimos anos. O governo da Dilma vive um inferno astral com denúncias de corrupção de toda ordem.
De qualquer maneira o volume de reservas internacionais é confortável, bem como os valores represados referentes ao compulsório bancário. Isso sem falar no poder que o governo tem em suas mãos no sentido de promover eventuais desonerações fiscais, as quais já foram utilizadas no início da crise internacional.
Outro desafio brasileiro é manter a inflação no centro da meta com crescimento econômico.
Enfim, nova crise, novos temores, mas com uma certeza: os instrumentos de controle da economia são sobejamente conhecidos, será muita incompetência não utilizá-los em sua plenitude.
A crise saiu do setor privado e se instalou no setor púbico.
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