13 de maio de 2010
O mundo todo observa quebra de paradigmas. No contexto das potências mundiais sempre avaliávamos os Estados Unidos como imbatíveis, a crise econômica internacional, por exemplo, entre outros aspectos, colocaram isso por terra.
Quando do lançamento do Euro a leitura é unânime: este é um modelo a ser seguido. As crises grega, portuguesa, irlandesa e espanhola demonstraram que há muito a ser feito.
No contexto empresarial aceitávamos produtos com qualidade razoável, hoje o consumidor deseja defeito zero. A prestação de serviços podia se realizada de maneira a atender parte das expectativas dos clientes, hoje, como novo paradigma, é satisfação total do cliente ou nada feito.
Havia nas empresas o comandante pensador e único dono da verdade: atualmente a gestão é voltada para a causa e efeito.
O acionista era o centro dos negócios, em busca de resultados a qualquer custo, hoje somos sabedores que o soberano na empresa é o cliente, este que traz receita e sustenta financeiramente a empresa, e que os colaboradores devem ser priorizados, pois são eles a interface da empresa com este gerador de riquezas para as organizações.
Já vivemos a era do chefe, hoje, líderes. O empregado ganha status de associado.
Defeito zero, melhoria constante, não apego a modelos, sistemas abertos, inversão da pirâmide hierárquica, são expressões e práticas cada vez mais comuns nas organizações vencedoras. Quem leu o Monge e o Executivo de James Hunter deve ter absorvido as lições da liderança positiva e como ele aborda estas questões de quebra de paradigmas, e a necessária busca de novas referências.
O século XXI indica exatamente esta perspectiva: a única certeza que temos é que as coisas mudarão.
O desafio é adequar a velocidade destas mudanças com a capacidade de realizá-las, mas aí surge um novo paradigma: planejar a qualquer custo.
O moderno indica: nas relações negociais ou se pratica o ganha/ganha ou nada feito. O tempo de profissionais “meia boca” (tanto empresário, como associado) já foi, portanto, ou há retorno e se pratica a parceria, ou não haverá espaço para crescimento da empresa e do próprio crescimento profissional.
Os paradigmas estão aí para ser quebrados, é preciso de capacidade para identificá-los e coragem para mudar.
14 de abril de 2010
O comportamento do preço do etanol no Brasil está virando um caso de polícia. Em determinada época o preço sobe devido a entressafra, quando os preços devem cair na safra ocorre a manipulação dos estoques.
Por outro lado, produtores de cana do interior de São Paulo, notadamente da região de Jaú, denunciam que são obrigados a praticar preços que são impostos pelas usinas. Denunciam a formação de cartel.
Não há provas de prática do abuso do poder econômico no setor, mas se o Brasil efetivamente quer que o álcool derivado da cana-de-açúcar seja considerado um produto alternativo ao uso de combustível fóssil ou outras fontes não renováveis, algo mais contundente deve ser feito.
Na prática, o setor precisa ser regulado. Quando houve a abertura econômica e o afastamento do Estado da economia, foram criadas agências reguladoras e com elas um acompanhamento mais de perto do comportamento do mercado. É o caso da agência nacional do petróleo, só para citar um exemplo.
O álcool ainda não é considerado uma commoditie e a buscas por este “status” força necessariamente a regulação deste mercado. O que não pode é o mercado ficar a mercê do preço do açúcar e da boa vontade dos usineiros, alterando a produção e oferta do produto.
O governo tem a sua disposição um arsenal de leis que lhe oferece instrumentos para coibir a prática desleal de comércio, o que pode ser o indicativo deste mercado em particular.
Os consumidores em particular não podem conviver com tamanha oscilação de preços, ditadas sabe-se lá por que lógica econômica, e o que é pior, com ameaça de desabastecimento.
Se tomarmos somente os investimentos em veículos flex realizados pela indústria automotiva, já se justifica intervir neste mercado.
Não temos saudades dos preços tabelados, que eram na maioria das vezes definidos na calada da noite pelos governantes de plantão, mas se o mercado não é capaz de seguir a lógica da oferta e procura, a intervenção do Estado se faz necessária.
Priorizar o álcool como combustível? Sim, desde que com regras transparentes e duradouras, prevalecendo acima de tudo a lei da oferta e procura.
19 de fevereiro de 2010
O Brasil oferece enormes oportunidades. Convivemos com uma demanda reprimida (basta um pequeno incremento na renda da população para que o consumo se potencialize) e ainda podemos ser considerados potencialmente um pais que tem tudo para figurar entre os melhores países do mundo para se investir, com projeções que nos colocam nos próximos anos entre as cinco nações mais importantes do mundo.
Embora sejam ainda percepções de futuro, o país reserva grandes eventos que afetarão as projeções de faturamento e resultados das organizações.
A copa do mundo na África irá movimentar setores com grande influência em sua cadeia produtiva. Se o futebol é a paixão nacional, sem dúvida o assistir a copa é um momento ímpar para vendas. Televisores, cervejas, refrigerantes, artigos esportivos são alguns exemplos. Isso sem falar em bares, lanchonetes, shoppings, entre outros, que saberão como oferecer conforto e alternativas a este fanático torcedor. Vendas previstas bem acima da média de crescimento da economia para este ano.
Teremos ainda as olimpíadas e a copa do mundo no Brasil. Dois importantes eventos que irão demandar fortes investimentos em infraestrutura. Neste particular a cadeia de influência é maior. A movimentação econômica não ficará restrita aos setores diretamente ligados ao mundo dos esportes. São investimentos públicos e privados como indutores na geração na riqueza.
Temos ainda o trem de alta velocidade, conhecido com trem bala, com investimentos na ordem de R$ 34,6 bilhões.
Podemos eventualmente duvidar se efetivamente os investimentos serão canalizados de maneira correta e se os cronogramas serão cumpridos, contudo, não impactar esses eventos no planejamento das organizações é no mínimo ignorar o ambiente externo dessas mesmas organizações.
Considerando que o pior planejamento é aquele que não existe, o indicativo é colocar as mentes para trabalhar.
Muitos já estão trabalhando com esses cenários. Se você é daqueles que imagina que o ano começa depois do carnaval, uma constatação: já está atrasado, mas um alento, ainda há tempo para tirar proveito dos eventos que estão por vir.
11 de fevereiro de 2010
Não obstante a confiança no desempenho econômico brasileiro em 2010, apontando para um crescimento econômico entre 4 e 5%, existem inúmeros desafios a curto prazo.
Primeiramente vem da velha conhecida inflação. Os índices de preços vieram carregados em janeiro, acendendo o sinal de alerta da autoridade monetária. Neste caso sabemos que o remédio preferido do governo é elevar a taxa de juros básica. Em ano eleitoral será difícil convencer o Presidente Lula a aceitar juros em elevação, o que pode indicar mexidas iniciais em outros instrumentos da política monetária, como elevação do compulsório bancário, por exemplo.
Outro setor preocupante é o externo. Aqui o governo Federal está em uma encruzilhada. De um lado sabe que o Real tem que se desvalorizar diante do Dólar, auxiliando a fechar as contas externas, hoje amargando um déficit preocupante em transações correntes, de outro lado a elevação rápida da cotação do dólar em um momento em que o controle da inflação passa a ser prioridade, gera uma preocupação adicional com a denominada inflação importada. Haja habilidade.
Isso tudo sem contar a forte inquietação quanto ao futuro das contas públicas, à medida que o atual governo elevou demasiadamente os gastos em custeio, gerando menor superávit primário e como ele pouca folga para conter a elevação da dívida interna.
Em meio a isso tudo há agentes econômicos confiantes, apostando fortemente no bom desempenho econômico, querendo que o excesso de conversadorismo por parte da equipe econômica não prevaleça, mas que acima de tudo haja responsabilidade na condução da política econômica principalmente neste fim de mandato.
Ainda compartilho com aqueles que entendem que o ano será bom, na média, e que, quem efetivamente fez a lição de casa no período de crise, enxugando custos, aumentando a produtividade, revendo procedimentos nas decisões de investimentos e de financiamentos, colherá bons resultados.
No tocante aos desafios a curto prazo que a atual econômica mostre serviço e seja capaz de efetuar as melhores escolhas privilegiando o lado real da economia e não o lado monetário, que tem sido a tônica nesses últimos anos.
4 de fevereiro de 2010
A campanha da fraternidade coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfocará neste ano o tema Economia e Vida.
Baseado na chamada economia solidária, a campanha abre debate para o entendimento de como em um sistema capitalista, que tem como base o lucro a qualquer preço, pode servir para a inserção social.
Experiências bem-sucedidas como os micro-créditos, que permitem alavancar recursos a custos extremamente baixos, aliados a um jogo de confiança da comunidade, em que os avalistas fazem parte da gestão do risco do negócio, estão permitindo, o que podemos chamar de emancipação do cidadão.
Até mesmo linhas de crédito como o Banco do Povo Paulista vão ao encontro da geração de renda e melhoria nas condições de vida do cidadão.
Em paralelo às formas de permitir a prática plena da cidadania, há todo um movimento no sentido de garantir qualidade de vida as pessoas a partir da melhor administração do orçamento familiar.
Empresas através de seu setor de recursos humanos vêm apostando no treinamento de seus funcionários, levando educação financeira a milhares de trabalhadores brasileiros.
Pesquisas apontam que há uma relação direta da queda de produtividade com o nível de comprometimento do orçamento familiar. Funcionários endividados produzem menos, têm dificuldade de concentração e perdem qualidade de vida.
O problema do desequilíbrio financeiro é tão grave, ao ponto de existirem entidades de apoio aos devedores, semelhantes, por exemplo, aos alcoólicos anônimos.
Inclusive o desarranjo financeiro tem se apresentado como um dos principais motivos para separação de casais.
A CNBB, se conduzir de maneira a contemplar reflexões sobre o tema terá oferecido não somente aos católicos, mas a sociedade como um todo, importante oportunidade para uma conscientização de que o dinheiro é somente um meio de troca e não a essência da vida, como muitos, equivocadamente, pensam ser.
A economia como ciência social tem muito a oferecer e suas metas e modelos, tanto do ponto vista macroeconômico, como do ponto de vista microeconômico, passando pela economia comportamental, garantirão que em última instância, que as pessoas possam ter condições de gerar renda e riqueza, adquirindo produtos com preços justos e estáveis, diminuindo o abismo existente entre os ricos e pobres, podendo ser soberanos na gestão de seus recursos.
Em meio tanta inversão de valores, vale a pena refletir de que maneira a economia pode ajudar a praticar a solidariedade.
28 de janeiro de 2010
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou relatório apontando que o mundo deve se recuperar mais rapidamente do que apontavam as projeções anteriores.
As estimativas indicam um crescimento médio de 3,9% para este ano e de 4,3% para 2011.
O fundamento para essa revisão é que os países pesquisados adotaram ao longo da crise econômica, políticas de estímulo a economia. Foram desde injeção forte de recursos na economia, passando por redução na carga tributária e até queda na taxa de juros.
O Brasil em especial poderá fechar 2010 com crescimento na ordem de 4,7% ficando abaixo somente da China (10,0%) e Índia (7,7). Países como os Estados Unidos e Japão terão crescimento de 2,7% e 1,7%, respectivamente, portanto o Brasil crescerá acima do patamar de economias importantes como estas.
Mas nem tudo são flores. Há enormes desafios a serem enfrentados no sentido de garantir que o crescimento efetivamente aconteça.
Temos ainda resíduos de setores que não demonstraram totalmente recuperação. É o caso do setor imobiliário americano, que, na melhor das hipóteses ainda está enfraquecido. Há ainda o desemprego, os déficits fiscais e a própria dependência que alguns segmentos do setor privado tem do setor público, à medida que sobreviveram neste período a custas de incentivos fiscais.
No caso brasileiro podemos apostar em crescimento, podendo sim atingir os 4,7%, contudo convivendo com desafios.
Primeiro deles refere-se ao controle da inflação. Há fortes indícios de elevação de preços e o remédio previsível para controlar esta elevação é o aumento na taxa de juros. Outro desafio é manter a economia aquecida em meio às discussões políticas. A sucessão presidencial dominará o cenário em 2010. Teremos ainda copa do mundo, contas externas, enfim, fortes emoções.
De qualquer maneira, independentemente do setor público, a economia tem sua própria dinâmica e tem tudo para manter o otimismo dos agentes econômicos.
As crises só trazem uma certeza: são ciclos indicando que, mais cedo ou mais tarde, há inversão de tendência. O momento é de crescimento, portanto, trabalhemos para que isso aconteça e de forma sustentada.