26 de January de 2012
Um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas que possuem a participação majoritária do governo é a interferência política.
Mesmo a gigante Petrobras, que possui acionistas das mais variadas classes sociais (afinal permitiu que os trabalhadores investissem parte do FGTS em sua ações), não ficou imune a esta interferência política.
Com a necessidade de focar nos projetos de investimentos e alavancar recursos para dar velocidade em suas estratégias, a Petrobras trocou de comando.
Sai José Sérgio Gabrielli, mais político, e entra Maria das Graças Silva Foster, mais técnica.
Na prática a Maira das Graças que exercia cargo na Petrobras como Diretora de Gás e Energia tem um perfil muito parecido com o da Presidente Dilma, além de ser de sua inteira confiança. Aos poucos começam a deixar o governo os indicados pelo ex-presidente Lula.
Gabrielli focou sua gestão nas questões financeiras e Foster vem para focar na produção. Mudança importante que nos primeiros momentos do anúncio já observou reação positiva do mercado.
Uma estatal do porte da Petrobras não pode se entregar as questões pontuais de governo. Tem responsabilidade com seus acionistas e com a economia como um todo. Atua em um setor vital para sustentar o crescimento do país e forte influenciadora na composição dos preços dos produtos internos.
Além disso, a empresa precisa viabilizar a exploração no chamado pré-sal, cujos resultados futuros podem permitir a mudança de patamar na geração de riqueza no Brasil.
Administrar uma empresa com tantos desafios não é tarefa fácil e é necessário não perder o foco, garantindo, tecnicamente, sua estratégia no curto, médio e longo prazos.
Espera-se que Maria das Graças conquiste autonomia necessária para implementar mudanças estruturais na companhia e mantenha o apoio, diria, incondicional da presidente Dilma.
O primeiro passo neste sentido foi dado. Resta agora transformar em ações práticas toda a expectativa criada em torno da competência da nova presidente da Petrobras.
Que consigamos ter uma Petrobras mais técnica e menos política.
Comments Off
13 de October de 2011
O ambiente de incertezas externas tem levado o governo brasileiro a efetuar revisão para baixo no crescimento econômico deste ano.
Os 4,5% iniciais foram revistos para 3,5%, portanto o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) crescerá 3,5% em 2011, em termos reais, se comparado ao ano de 2010.
Ficará abaixo de outros países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), notadamente a China e Índia.
O Brasil tem monitorado a economia combinando as políticas fiscal e monetária. A política fiscal garante ao governo forte arrecadação e ampliação nos gastos, notadamente em custeio. Já a política monetária monitora a liquidez do mercado, com austeridade na taxa de juros e política crédito. O objetivo até então é de garantir a estabilidade de preços, à medida que a inflação desgarrou da meta central de 4,5%, ficando mais próxima do limite máximo de 6,5% para este ano.
Quando se observa a queda na projeção do PIB o indicativo é afrouxar as duas políticas. Os juros já foram reduzidos, contudo, ainda está presente a preocupação com a elevação dos preços.
Diferentemente do ambiente econômico de 2008 e 2009, quando do auge da crise internacional, a inflação ainda precisa ser combatida, o que inibe medidas mais fortes, como por exemplo, redução da carga tributária e até mesmo quedas mais significativas na taxa de juros.
De qualquer maneira o atual governo tem sinalizado que irá inverter em parte a equação que tem engessado o desempenho econômico brasileiro: ser mais rigoroso na política fiscal, principalmente no que se refere ao controle dos gastos públicos, abrindo espaço para que os juros no Brasil deixem de ser os maiores do mundo, chegando ao longo do tempo em patamares semelhantes aos de países que conseguem crescer e controlar a inflação.
A revisão para baixo do crescimento da economia é um alerta para que os agentes econômicos refaçam suas estratégias, e é um indicativo de que o mercado de consumo poderá encolher.
Não é para pessimismo, mas para redobrar a atenção, afinal, crescer é importante, mas sustentar o crescimento é fundamental.
Comments Off
30 de June de 2011
Os grandes gastos normalmente são acompanhados pelas famílias, contudo, o que pode levar ao desequilíbrio do orçamento doméstico são os pequenos gastos.
Uma pequena compra aqui, outro gasto ali, e quando menos percebeu esses valores somados, acabam representando um valor significativo. Faça as contas e terá uma grande surpresa.
Na prática qualquer que seja o montante, pequeno ou grande, deve ter o mesmo rigor em seu controle por parte das famílias.
Quando as pessoas saem de casa com dinheiro no bolso há uma potencialização dos gastos. O dinheiro “vivo” em quantidade oferece uma sensação de poder de compra e os menos avisados são capazes de gastar muito além do que efetivamente poderiam.
O melhor a fazer é separar somente o volume de dinheiro necessário para aquele dia, a partir de compras programadas.
Por sinal um dos vilões dos gastos supérfluos é exatamente o gasto não programado. Sair de casa para ir às compras sem saber ao certo o que deseja, ou melhor, o que precisa comprar, é um convite ao desperdício.
Todos aqueles que compram o que não precisam, uma hora ou outra terão que vender o que precisam. Produtos sem muita utilidade poucas pessoas desejam adquirir e, se aceitarem comprar, o preço cairá significativamente.
Não quero aqui preconizar que não podemos nos dar ao luxo de comprar uma vez outra um produto que atenda o sonho de consumo, e que devemos ser miseráveis ao ponto de ficar pensando duas vezes antes de tomar um cafezinho, mas é preciso saber em que momento isso pode se dar. Esse momento está diretamente ligado à folga financeira conquistada ao longo do tempo. Em outras palavras: primeiro conquista-se o dinheiro, com ele a folga financeira, depois vem o consumo.
Pessoas que não são capazes de programar pequenas compras, que não possuem o hábito de poupar, são prezas fáceis em um mundo forjado no consumo pelo consumo. Observem que menciono programar pequenas compras e não suspender pequenas compras.
A mídia, o status, o meio social, as “tribos” em que vivemos, são verdadeiros convites ao consumo e para evitar o desequilíbrio financeiro via gasto excessivo e desnecessário é preciso muita disciplina, tendo planejamento e controle.
Se de grão em grão a galinha enche o papo, de gasto em gasto, as finanças do lar atingem o desequilíbrio.
Gastar não é proibido, mas tem que ser com racionalidade.
Comments Off
16 de June de 2011
O número chama a atenção: 15 milhões de brasileiros não conseguem pagar suas contas em dia e potencialmente este número pode atingir 50 milhões de pessoas.
Só por esses dados justifica-se a criação de um Grupo de Devedores Anônimos. E ele realmente existe e é conhecido no Estado de São Paulo como D.A. (Devedores Anônimos).
Os grupos formados (há vários no Brasil) trabalham no sentido de identificar o que leva as pessoas a exagerar nos gastos. Alguns compram por necessidade, outros por diversão, alguns por modismo, status e apelo da mídia. Entretanto há muitas pessoas que consomem pelo simples prazer de comprar, sem que analisem a real necessidade em possuir o bem.
O consumo sem critério, exagerado, é sinônimo de doença, conhecida como aneomania, que atinge pessoas que têm como característica comprar de maneira compulsiva. Essa doença é um distúrbio que pode ser considerada obsessivo-compulsiva. Em alguns casos a aneomania vai além do gasto exagerado, sendo acompanhada de outras características como contar objetos sem conseguir parar.
Estima-se que no Brasil haja 3% da população com este distúrbio, que somados aos devedores que não necessariamente possuem a doença, chega-se aos 15 milhões de brasileiros mencionados anteriormente.
As mulheres são a maioria: para cada quatro mulheres um homem sofre da doença. Não há comprovações científicas que esclareçam o porquê de as mulheres serem mais suscetíveis a doença, mas sabe-se que a ansiedade, alteração no humor, álcool e distúrbios alimentares estão associados ao agravamento da doença.
O comportamento desse grupo de pessoas é depressivo, são pessoas que sentem um vazio em seu ser e são muito ansiosas.
Na prática essas pessoas têm o consumo como vício, semelhante ao viciado em álcool ou outras drogas. Enquanto compram, os viciados em consumo têm alívio e sentem um prazer intenso, contudo, logo após as compras, voltam os sintomas aqui descritos.
Muitos sequer sabem que contrariam a doença, mas é fácil identificar: gastam muito, gastam sem nenhum critério e estão endividadas.
Precisam de ajuda psicológica e ajuda do grupo de amigos e familiares, à medida que ainda não há um remédio específico que combata os sintomas da doença.
Não quero ser alarmista, mas indico uma reflexão de como está seu impulso para os gastos. Consegue gastar dentro do limite de sua renda? Paga em dia suas contas? Seu guarda roupas não tem peças em excesso? Consegue ir ao comércio central, no shopping e não se render as compras? Utiliza do consumo para alívio psicológico? São algumas perguntas que dependendo das respostas pode indicar, senão a doença em si, mas se não está no caminho de contraí-la.
O consumo precisa se consciente e dentro do limite que a renda permite. Se de um lado tudo nos leva a gastar cada vez mais, de outro lado temos que assumir o controle do dinheiro e estabelecer os nossos limites.
Fique atento ao comportamento de consumo e trabalhe preventivamente.
Comments Off
19 de May de 2011
Estudos do Banco Mundial apontam que as economias do Brasil, China, Rússia, Índia, Indonésia e Coréia do Sul vão responder por mais da metade da economia mundial em 2025, portanto, o Brasil, segundo os estudos, fará parte dos líderes globais.
A pergunta é: será que isso ocorrerá?
Se a análise for baseada somente na capacidade de gerar riqueza a resposta pode ser sim, contudo, somos sabedores que os desafios são maiores do que essa análise.
O Brasil primeiramente precisa desarmar a maneira atual de conduzir a política econômica. Este modelo que tem um lado um Estado gastador e de outro um setor privado concentrador (poucas empresas dominando setores importantes da economia) tem que ser revisto.
Controlar a economia com carga tributária nas alturas e com maiores juros do mundo não nos credencia a ingressar no seleto grupo dos países desenvolvidos. Isso sem mencionar o pífio desempenho externo brasileiro.
Além da necessária mudança na condução da política econômica nacional é preciso investir em educação. Mas não esta educação atual que está mais preocupada com o tempo de permanência dos alunos em sala de aula, com as estatísticas, e sim na educação com qualidade.
Também é imperativo investir em ciência e tecnologia. O país não tem uma política definida de retenção de talentos e não nos estruturamos adequadamente para avançar tecnologicamente.
As reformas estruturais precisam sair do papel. Deveriam estar na pauta do dia à revisão das leis trabalhistas, a reforma administrativa, os avanços no judiciário, isso sem falar na revisão total da carga de tributos e suas formas de tributação. O Estado, em todas as suas esferas precisa ser mais eficiente.
A infraestrutura deve receber investimentos robustos. Portos, aeroportos, estradas, armazéns, enfim, o chamado custo Brasil precisa sair de cena.
Enfim, não é tarefa fácil chegar como referência de potência econômica, é um longo caminho, que pode e deve ser trilhado, mas fica evidente que se não sairmos do marasmo atual, da visão de curto prazo, os estudos de organismos nacionais e internacionais serão meras peças teóricas.
O diagnóstico é conhecido, faltam ações na direção das necessárias mudanças na estrutura do país para efetivamente sermos um dos líderes mundiais com crescimento sustentado, contemplando qualidade de vida a sua população.
Comments Off
7 de April de 2011
O Brasil pode ser considerado a bola da vez para o capital estrangeiro. Sua democracia se consolida dia a dia. Possui um mercado consumidor em crescimento, como, por exemplo, a classe média brasileira, que tem se tornado cada vez mais robusta. O país atrai capital estrangeiro para o setor produtivo.
Não bastassem estes atrativos o país pratica a maior taxa de juros do mundo. Tem pautado a condução da política econômica em posição muito conservadora, com ajustes fiscais e política monetária apertada. Rações mais do que suficientes para incentivar a entrada maciça de dólares no país.
Com forte oferta de dólares, sem que haja demanda proporcional, a cotação da moeda norte-americana cai, tudo isso potencializado pela própria depreciação do dólar no mundo todo.
Medidas internas de desvalorização do Real no curto prazo são inócuas. É o que se chama de enxugar gelo. Aumenta o ingresso de dólares no mercado doméstico e o governo tenta segurar a cotação, atuando no mercado com oneração, eventualmente com compras de dólares, emissão de títulos cambiais, entre outras ações, mas os atrativos internos são muito superiores a capacidade de reação do governo.
O indicativo é construir uma série de ações que permita ao país, no âmbito do comércio exterior, não depender somente do preço da moeda estrangeira. É que podemos chamar de ações de médio e longo prazos.
O exportador brasileiro quer retorno quando coloca seus produtos lá fora. Se para cada dólar exportado recebe cada vez menos reais, é evidente que os outros custos de produção devem ser atacados, isso sem contar que as empresas precisam trabalhar no que se chama agregação de valor aos produtos.
Estamos falando de competitividade. O custo de produção no Brasil é muito elevado. A mão de obra é cara e os encargos sociais são exorbitantes, tendo que conviver ainda com baixa produtividade. Os custos de transportes são elevados. Com foco forte no transporte rodoviário a riqueza do país é transportada em estradas precárias, que gera excesso de desgaste dos caminhões. Os combustíveis são absurdamente caros e o frete dispara. Com aeroportos e portos obsoletos não há velocidade no envio e recebimento de mercadorias. Faltam armazéns, e o excesso de burocracia em todos os setores deixam o país fora do ranking dos países competitivos.
No âmbito do produto o país tem pauta de exportação fraca, privilegiando os produtos básicos, in natura, se apresentando, com raríssimas exceções, como presa fácil no comércio internacional.
Os juros internos também precisam convergir para patamares praticados por países emergentes como o nosso, os quais têm suas taxas básicas fixadas em praticamente 50% da taxa brasileira.
Como as decisões de hoje impactarão no futuro, se o governo não agir na direção do equacionamento destas questões, nortearemos o debate cambial em cima da cotação do dólar e deixaremos o foco central, que é a mudança estrutural, em segundo plano, com lamentações de toda ordem.
Seria mais prudente aproveitar o dólar baixo para conter as altas de preços importando seletivamente produtos que estão com a oferta e procura desequilibrados, incentivando
inclusive a renovação do parque industrial nacional, do que continuar tentando combater o incombatível.
Cá entre nós: enxugar gelo é insano.
Comments Off