2 de February de 2012
O Banco Central brasileiro vem promovendo reduções sucessivas na taxa básica de juros. A denominada taxa Selic está em 10,5% ao ano e a última ata do Comitê de Política Monetária sinaliza com novas reduções.
Semanalmente o Banco Central realiza e publica a Pesquisa Focus e o relatório desta semana indica que o Brasil poderá operar com menos de um dígito em sua taxa básica, portanto abaixo dos 10% ao ano, já no mês de março.
Mesmo alguns setores da economia entendendo que o momento é de cautela à medida que há sinais de recuperação da economia e com ela o receio de descontrole nos preços, penso ser irreversível a redução dos juros básicos da economia brasileira.
De um lado a redução é bem vinda à medida que o gasto com juros para rolagem da dívida interna brasileira é extremamente elevado. O salto foi de 10,17% com as elevações efetuadas no ano passado. A dívida pública bateu o valor de R$ 1,87 trilhão com o incremento no período de R$ 172,31 bilhões. São valores expressivos.
De outro lado juros elevados engessam o setor privado. Evidentemente que não se preconiza reduções expressivas, mas sim reduções gradativas, invertendo o jogo do controle econômico e da conquista da estabilidade.
O governo tem sido menos rigoroso no controle de seus gastos e com isso lança mão da estratégia de segurar o setor privado com política monetária apertada. Isso tem sido a tônica deste o início do Real.
Chegou o momento de ousar mais. É chegado momento de incutir nos agentes econômicos um novo olhar sobre o controle das variáveis econômicas. Não é mais possível aceitar que pratiquemos a maior da taxa de juros real (descontada a inflação) do planeta.
Um país que é tido e havido como a bolsa da vez não pode perder o bonde da história. O medo tem que dar espaço a determinação em mudar.
Evidentemente que a pressão do mercado será intensa. Por sinal já tem sido assim desde quando o Banco Central promoveu reduções nos juros, contudo, se faz necessário abstrair as análises mais catastróficas, muitas delas voltadas aos interesses dos especuladores, que desejam o “quanto pior melhor” (melhor para ganhar mais na especulação financeira) e pautar a atuação nos sinais reais da economia.
Se o governo esperava um momento para começar a mudar este estado de coisas, ele chegou. É fundamental não se render aos interesses dos operadores do sistema e ao mesmo tempo manter a determinação na consolidação da mudança da maneira de controlar a economia brasileira.
É imperativo reduzir a taxa de juros no Brasil!
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26 de January de 2012
Um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas que possuem a participação majoritária do governo é a interferência política.
Mesmo a gigante Petrobras, que possui acionistas das mais variadas classes sociais (afinal permitiu que os trabalhadores investissem parte do FGTS em sua ações), não ficou imune a esta interferência política.
Com a necessidade de focar nos projetos de investimentos e alavancar recursos para dar velocidade em suas estratégias, a Petrobras trocou de comando.
Sai José Sérgio Gabrielli, mais político, e entra Maria das Graças Silva Foster, mais técnica.
Na prática a Maira das Graças que exercia cargo na Petrobras como Diretora de Gás e Energia tem um perfil muito parecido com o da Presidente Dilma, além de ser de sua inteira confiança. Aos poucos começam a deixar o governo os indicados pelo ex-presidente Lula.
Gabrielli focou sua gestão nas questões financeiras e Foster vem para focar na produção. Mudança importante que nos primeiros momentos do anúncio já observou reação positiva do mercado.
Uma estatal do porte da Petrobras não pode se entregar as questões pontuais de governo. Tem responsabilidade com seus acionistas e com a economia como um todo. Atua em um setor vital para sustentar o crescimento do país e forte influenciadora na composição dos preços dos produtos internos.
Além disso, a empresa precisa viabilizar a exploração no chamado pré-sal, cujos resultados futuros podem permitir a mudança de patamar na geração de riqueza no Brasil.
Administrar uma empresa com tantos desafios não é tarefa fácil e é necessário não perder o foco, garantindo, tecnicamente, sua estratégia no curto, médio e longo prazos.
Espera-se que Maria das Graças conquiste autonomia necessária para implementar mudanças estruturais na companhia e mantenha o apoio, diria, incondicional da presidente Dilma.
O primeiro passo neste sentido foi dado. Resta agora transformar em ações práticas toda a expectativa criada em torno da competência da nova presidente da Petrobras.
Que consigamos ter uma Petrobras mais técnica e menos política.
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19 de January de 2012
Considerando o ambiente de incertezas e as previsões menos otimistas quanto ao desempenho econômico brasileiro, a redução na taxa básica de juros promovida pelo Banco Central, reduzindo de 11% para 10,5% ao ano, ficou de bom tamanho.
Mesmos os mais céticos quanto à inflação para este ano estão fazendo coro com o governo aprovando a redução.
A queda de meio ponto percentual não pode ser considerada a solução para potencializar o crescimento da economia este ano, contudo o mais importante neste momento é a sinalização futura em relação à política monetária.
Na era da moeda, o Real, a política monetária deu o tom do controle da economia. Juros nas alturas, contenção do crédito, compulsório elevado, são exemplos de política monetária restritiva, cujo resultado final foi ter conseguido manter a inflação sob controle, mas com um elevado preço no que se refere a obter um patamar mais elevado de crescimento. Evidentemente que a falta de condições estruturais que permitisse um crescimento duradouro e sustentado também forçou o governo a engessar em parte o setor privado, isso sem contar o inchaço do setor público, que ampliou demasiadamente seus gastos.
O atual governo sinaliza com outra perspectiva. Pelo menos no discurso indica que haverá mudança na forma de conduzir o controle econômico. A redução dos gastos públicos e aumento nos investimentos são dois sinais importantes para reduzir a dependência do controle econômico da política monetária.
É evidente que, entre o discurso, a intenção e a prática, há uma enorme distância. É preciso imprimir o senso de austeridade no controle dos gastos, introduzindo o controle qualitativo do destino dos recursos públicos, para depois criar condições, via política fiscal mais austera, para um afrouxamento da política monetária.
O setor privado brasileiro espera com muita ansiedade este momento. É como se um grande animal, saudável, estivesse preso, e esperasse o momento para sair da jaula e correr solto na floresta fazendo o que mais gosta, livre.
O que está posto é que o modelo atual não vai nesta direção. Na dá mais para aceitar que a economia brasileira pratique o que foi consagrado no mercado como o voo da galinha. Todos sabemos que galinha na voa, no máximo consegue alguns impulsos, mas insuficientes para deslanchar em seu voo.
Se há algum momento mais favorável para reduzir a dependência da política monetária, penso que é este, afinal, é em época de crise que os sábios identificam as oportunidades.
O Copom andou bem reduzindo os juros básicos, mas pode fazer muito mais pela economia nacional.
8 de December de 2011
Como era esperado o PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre de 2011 desacelerou se comparado ao segundo trimestre deste ano.
O IBGE divulgou que o crescimento naquele período foi zero. O consumo das famílias que puxava o PIB para cima observou a primeira queda depois de três anos seguidos de crescimento.
O resultado só não foi pior devido ao bom desempenho da agropecuária que cresceu 3,2% no mesmo período, já que a indústria e os serviços caíram respectivamente 0,9% e 0,3%.
O pano de fundo continua sendo a crise internacional, cujas incertezas quanto ao futuro da economia mundial tem trazido algumas conseqüências econômicas e psicológicas no comportamento do consumidor.
O lado econômico, racional, refere-se a queda no nível de atividade sentido pelo trabalhador, o receio de perda de emprego e até mesmo em alguns setores a dispensa já concretizada.
O lado psicológico, emocional, vem da avalanche de informações externas apontando para um cenário maligno, sinalizando aos agentes econômicos que é melhor ter cautela neste momento, o que leva ao adiamento do consumo, e ainda ao adiamento nas decisões que comprometam a renda no longo prazo.
O governo de certa maneira já tinha esta sinalização e apostou na queda dos juros e ainda na desoneração fiscal de alguns produtos com forte apelo popular, como os da linha branca.
Caso o cenário se deteriore ainda mais não estão descartadas novas medidas, na mesma linha do início da crise que se deu em 2008 e 2009, com redução de tributos em outros setores, notadamente no setor automotivo.
É um filme já visto, e é imperativo não encara-lo como uma marolinha, e sim com ações firmes que não comprometam as conquistas internas, principalmente no que tange a ascensão social de milhões de brasileiros.
A manutenção do nível de atividade econômica é um pré-requisito para garantir tais conquistas.
Os números do IBGE devem servir de alerta ao governo.
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17 de November de 2011
Resultados do Censo de 2010 começam a ser divulgados pelo IBGE. Entre os inúmeros indicadores vale destacar aqueles que tratam da distribuição de renda no Brasil.
As estatísticas apontam para fortalecimento da classe C brasileira, contudo a realidade é que apesar da melhora, a distribuição de renda no Brasil está longe da ideal.
Por exemplo: o rendimento médio per capita (por pessoa). O Censo aponta que metade da população brasileira tem rendimento mensal de até R$ 375, ou seja, recebem menos do que o salário mínimo que na época era de R$ 510.
A defasagem fica mais evidente em municípios com até 50 mil habitantes. O rendimento médio per capita em municípios de porte médio (até 500 mil habitantes) é o dobro se comparado a esses municípios.
O país continua com desigualdades regionais, sendo que os estados do Sul e Sudeste detém a maior fatia da renda. Brasileiros que vivem nos estados do Norte e Nordeste têm renda 50% inferior àqueles que vivem nas regiões Sul e Sudeste.
Há outros dados, mas já é possível concluir que desconcentrar renda vai além do discurso.
Somos sabedores que o crescimento econômico é uma pré-condição para melhorar indicadores sociais, entre eles a distribuição de renda, mas também somos sabedores que ações concretas devem ser trabalhadas para que isso efetivamente ocorra.
O nível de desemprego deve ser mantido em níveis baixos, e mesmo com inúmeros projetos sociais em curso, entre eles o bolsa família, são necessárias compensações tributárias para efetivamente atacar o problema, como por exemplo, tributar as grandes fortunas, desonerar a produção e o consumo, além da eficácia na política de transferência de renda.
Os municípios têm tido pouca participação na estratégia geral de eliminação das desigualdades e todos os atores envolvidos devem exercer plenamente seus papéis.
Além desses aspectos há um desafio adicional: garantir que aqueles que tiveram ascensão para classe C possam permanecer e até melhorar seu padrão de vida. Com a crise nos Estados Unidos e na Europa não será tarefa fácil.
É hora de um projeto de Estado e não de governo para efetivamente mudarmos este estado de coisas.
Ações neste sentido agora podem solucionar problemas no futuro, mas é preciso trabalhar para que isso ocorra.
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3 de November de 2011
A economia brasileira, puxada pelo setor industrial, começa a dar sinais de desaceleração. Os pedidos do comércio diminuíram e com isso já é possível constatar que os estoques de produtos estão elevados.
Isso tudo tem como pano de fundo a crise internacional e o comércio ainda não sentiu mais fortemente em função do robusto mercado interno, que é movido pelo apetite dos consumidores.
É possível continuar apostando em um final de ano bom. O sinal de alerta fica para o primeiro trimestre de 2012, cuja queda no nível de atividade poderá ser minimizada com redução de juros, tributos e até mesmo com as convidativas promoções.
Não obstante este cenário, estudo do DIEESE apontou para injeção de R$ 118 bilhões adicionais na economia neste final de ano, via décimo terceiro.
Trabalhadores das mais diversas áreas, incluindo empregadas domésticas, além de aposentados e pensionistas, terão seu adicional de salário neste mês de novembro e dezembro.
É um valor expressivo. Na prática o empresário tem dois caminhos: fica lamentando que a crise novamente vá afetar seus negócios, ou aproveita o ambiente de consumo e surpreende.
Parece-me que o segundo caminho é mais indicado. Na prática é preciso trabalhar por sua parte. Invista em atendimento. Surpreenda o cliente saindo da mesmice do atendimento padrão que, em vez de tratar o cliente como aquele que traz receita para empresa, trata-o como se fosse descartável.
Investida nas vitrines. Tenha no conhecimento do desejo do consumidor seu diferencial. Agregue valor ao produto, com boas embalagens e até mesmo brindes.
Pare de lamentar o custo do cartão de crédito e cumpra o previsto no Código de Defesa do Consumidor, não diferenciando preços no cartão e em dinheiro.
Seja tolerante. Tenha paciência no atendimento. Saiba que o consumidor tem inúmeras opções e se escolheu entrar em sua loja é porque algo o atraiu, não desperdice esta oportunidade.
Trabalhe de maneira cooperada para equacionar a questão do estacionamento, exija melhoria no trânsito e aposte na segurança.
Você pode lamentar ou encantar.
Não tenha dúvida que os R$ 118 bilhões serão disputados intensamente. Planeje o quanto deseja abocanhar deste volume e trabalhe para que isso aconteça.
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