Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


1 de December de 2011

DAE Bauru precisa ser reinventado

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 9:30

Em meio às discussões sobre quem deve comandar o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), não pode ser perdida de vista a necessidade de um olhar sobre o futuro da autarquia municipal.

Há tempos o DAE deixou de ser referência do ponto de vista de gestão. Ao ser utilizada como moeda de troca no jogo político, os valorosos colaboradores, aqueles que efetivamente dão sustentação a entidade, perderam voz e força, e com isso o departamento de água de Bauru perdeu sua identidade.

Os desafios são enormes. Primeiramente porque o DAE não trabalhou no sentido de recuperar a sua capacidade de investimento. Trabalha pontualmente, sempre a reboque, com ações corretivas e não preventivas.

Segundo porque não definiu seu planejamento estratégico. É preciso definir com clareza sua missão, seus valores, enfim o negócio em si, para em seguida traçar um plano que permita atingir seus objetivos. O que transparece é que não há objetivos. Sempre que há um movimento em alguma direção que mude estruturalmente a autarquia, há um verdadeiro bloqueio pelo receio de que a conclusão seja privatiza-la. É um enorme equívoco, como se uma coisa fosse necessariamente ligada à outra. Não é preciso privatizar para se obter excelência em gestão.

O terceiro e não menos importante desafio é definir o que fazer com o tratamento de esgoto. Ficou mais que provado que, apesar da boa vontade dos profissionais do DAE, insisto, valorosos profissionais (os de carreira), a autarquia não estava e não está preparada para administrar esse novo, diria, “negócio”.

Mesmo hoje é muito difícil estabelecer com clareza o que é atribuição do DAE e o que é atribuição do Tratamento de Esgoto. Mesmo com verba carimbada a separação entre ambos é tênue.

Dentro do planejamento estratégico poderia surgir inclusive à necessidade da criação de uma nova empresa, específica para gerenciar o tratamento de esgoto da cidade.

O que é frustrante observar é que os interesses políticos, de quem dá as cartas na entidade, se sobrepõem ao interesse coletivo. A população deseja, em última instância, uma autarquia produtiva, que maximiza os resultados e reduza custos e seja eficiente no que realiza.

Estamos a menos de um ano das eleições e esperamos que o tema seja amplamente discutido e que soluções estruturais sejam propostas. Em fim de mandato nada ou quase nada será feito.

A conclusão, por tudo que vem ocorrendo na autarquia, é que o DAE precisa ser reinventado.

 

 

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20 de October de 2011

A ração que o mercado não quer

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 17:25

A equipe econômica atual inverteu em parte a lógica do jogo em relação às políticas de controle da economia, ou seja, está em curso o afrouxamento da política monetária.

Mesmo com pressão sobre a inflação o Banco Central brasileiro optou por preparar o terreno para 2012, e reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros, saindo de 12% para 11,5% ao ano.

É certo que ainda praticamos a maior taxa de juros do mundo, o que equivale em termos reais (descontada a inflação) a 5,5% ao ano, mas também é certo que algo novo pode estar nascendo, retirando a ração muito desejada pelo mercado financeiro que é uma taxa de juros básica nas alturas.

E espaço para redução há. Só para exemplificar, a segunda maior taxa de juros do mundo é da Hungria com 2,3% (menos da metade da taxa brasileira) e a terceira é do Chile, com 1,9% ao ano.

É evidente que não será possível trilhar este caminho imaginando que a coisa se dará da noite para o dia, afinal são anos a fio combatendo desequilíbrios entre oferta e procura com aperto monetário, mas em determinado momento aconteceria este rompimento. Também haverá um custo, ditado pelas incertezas, críticas, dúvidas quanto ao futuro da inflação e um cem número de outras indagações, por isso que, além de ser firme, será preciso sinalizar com mudanças estruturais.

O controle dos gastos públicos em custeio é imperativo! Também investir em infraestrutura é condição fundamental para garantir a sustentação do crescimento, isso tudo sem falar da eliminação de outros gargalos, e ainda agilizar as reformas estruturais, entre outras.

É um caminho longo e árduo, mas tem que ser percorrido, e com muita determinação, pois a tendência natural é que as pressões externas falem mais alto.

Os operadores do sistema financeiro querem elevadas remunerações e apostam na fragilidade pública para auferirem ganhos extraordinários, prática recorrente nestes últimos anos.

Espera-se que não haja blefe e que efetivamente o desarme do modelo econômico, acomodado em política monetária restritiva, principalmente juros altos, esteja em curso.

 

 

 

 

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6 de October de 2011

A inadimplência na juventude

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 12:23

Pesquisa do TeleCheque mostra que os jovens lideraram a inadimplência no primeiro semestre deste ano. A base de dados levou em conta mais de 13 mil pessoas.

Muitas pessoas abandonaram o uso do cheque, mas mesmo assim chama a atenção o percentual do calote nos jovens até 20 anos: 16,92%. A pesquisa apontou que os mais idosos honram mais seus compromissos: e partir dos 51 anos somente 3% não cumpriram a obrigação de cobrir o cheque emitido.

A segunda faixa de inadimplentes é entre 21 e 30 anos com 6,33%, vindo em seguida à faixa entre 31 e 40 anos com 4,29% ficando em 2,61% a inadimplência entre aqueles que estão na faixa etária entre 41 e 50 anos. Esses números levam a concluir que conforme a idade avança menor é a inadimplência.

O que estaria levando os jovens a darem calote? Antes de buscar explicações para este comportamento, devemos lamentar que consumidores que praticamente estão começando a vida financeira já estejam com restrições cadastrais.

O que vem ocorrendo é uma somatória de fatores. De um lado a falta de educação financeira. Tenho insistido em meus artigos sobre finanças pessoais que uma educação completa passa também pela orientação financeira. Somente nos últimos tempos é que chamada educação formal está se dando conta da importância em ensinar a lidar com o dinheiro. E isso deve começar cedo. Importante ressaltar que não é tarefa somente das escolas, mas principalmente das famílias, dos pais e responsáveis.

Outro importante fator é o fato de as instituições de crédito não adotarem critérios rigorosos na concessão de crédito. No afã de atingirem metas de “venda do crédito” não estão analisando adequadamente o cadastro de seus clientes. Isso é comprovado quando são analisadas outras modalidades de crédito, como o crédito pessoal e o cartão de crédito, e nelas se constatam que também a inadimplência entre os jovens é elevada. É tratar o crédito ou dinheiro como um produto como outro qualquer.

Os jovens são prezas fáceis no mercado de consumo. Gastam além da conta na balada, na compra de tecnologia, na aquisição do tênis da moda, no consumo da roupa de grife e até mesmo a sustentação do status com carros, viagens, motos, etc. Não há renda que sustente tudo isso. Chega um momento em que a conta na fecha, e atrasar os pagamentos é o único caminho que resta.

Alguém um dia disse: um dos maiores patrimônios que uma pessoa possui é seu nome, e infelizmente muitas pessoas não fazem a mínima para isso. Evidentemente que há casos isolados em que o nome da pessoa fica sujo na praça por motivos justificáveis, mas isso deveria ser exceção e não regra.

Jovens sem compromisso com seu próprio nome serão adultos com que tipo de comportamento?

Vale uma reflexão e, cada núcleo familiar, deveria identificar comportamentos como esse e estabelecer maneiras inteligentes, compartilhadas de mudar o rumo das coisas.

Os números indicam o comportamento do passado, as pessoas podem e devem interferir para mudanças positivas para o futuro.

 

 

 

 

 

 

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21 de July de 2011

Analógico ou digital?

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 16:19

 

Diferentemente da juventude de hoje, faço parte de uma geração que nasceu analógica e com o decorrer do tempo se tornou digital.

Lembro com certo saudosismo das aulas de datilografia, quando construir um texto formal e datilografá-lo sem olhar para o teclado era pré-requisito para conseguir o tão almejado diploma de “datilógrafo”, que por sinal era uma exigência das empresas quando da contratação de um profissional para seu quadro funcional.

Acompanhei a evolução da tecnologia, do antigo telex, máquinas de escrever elétricas, passando pelo fax (que revolução), pelos megas centros de processamento de dados (com cartão perfurado para programação), até a era da internet.

A geração atual é mais ágil. Domina a convergência de tecnologia com uma rapidez invejável. É dinâmica, enfim, tecnológica.

Esse contraste, mais do que indicar que minha geração está ficando velha, e está mesmo, deve ser visto pelos vários ângulos do que se exige de um profissional completo.

Observo jovens profissionais que são incapazes de redigir um ofício por falta de repertório e de capacidade analítica. Processam dados como ninguém, mas têm dificuldade em verbalizar.

A especialização e a própria tecnologia levaram parte desses jovens talentosos ao isolamento. Sabem muito de uma área e possuem pouca capacidade de entender o conjunto da organização e a reais necessidades das empresas.

Para muitos falta foco. Outra característica marcante é a falta de comprometimento. Se envolvem, mas se comprometem pouco. São também mais individualistas e querem retornos rápidos, muito no curto prazo.

A sabedoria indica que na vida, em qualquer área e até mesmo no pessoal, é necessário saber usufruir da experiência acumulada, abrindo espaço para o novo. É possuir mente arejada, aberta.

Nas empresas o desafio é harmonizar essa gama de profissionais. Os cinqüentões estão em alta no mercado de trabalho pela vivência, pelo conhecimento, por trazerem respostas rápidas às necessidades da empresa, contudo, o jovem está aí, cheio de garra, querendo fazer história.

Fazer parte de uma geração que vivenciou o analógico e convive com o digital me parece um diferencial competitivo.

Analógico ou digital? Prefiro a mescla dos dois, mesmo sabendo que um dia só existirão os digitais.

 

 

 

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3 de March de 2011

O fortalecimento da Classe C

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 10:31

Os números envolvendo a classe C brasileira são impressionantes. São mais de 90 milhões de brasileiros que pertencem a essa classe social e estão fazendo a diferença no consumo brasileiro.

Com nível de renda entre R$ 1.500,00 e R$ 5.100,00 esses consumidores que já ampliaram seus gastos em computadores e eletrodomésticos e agora ampliam seus gastos em higiene e beleza.

Creme facial observou crescimento no consumo na ordem de 161%; maquiagem crescimento de 67%, creme dental 34% e desodorante 28%. O período analisado foi de 2003 a 2010, sendo que a pesquisa foi realizada pelo instituto Data Popular.

Empresas que investiram no segmento estão registrando resultados consideráveis. Evidentemente que essas empresas não apostaram somente no aumento da renda dos consumidores. Estabeleceram estratégias para conquistar estes clientes. Reduziram preços, treinaram equipe, entenderam os anseios dos consumidores e melhoram seus canais de distribuição.

Como qualquer outro consumidor, estes emergentes da classe C, querem atenção e reconhecimento, e quando encontram estes atributos nas empresas vendedoras, fidelizam.

Na prática não adianta atuar no mercado sem entender o que se passa na mente dos consumidores. Empresas vencedoras em qualquer segmento elaboram estudos, treinam suas equipes e se convencem do óbvio: o soberano consumidor precisa ser encantado. Este encantamento se dá por aquele que estabelece o primeiro contato com este consumidor: o funcionário que agora deve ganhar status de associado. O raciocínio é simples: quem traz receita para a empresa é este consumidor e ele precisa ser valorizado e quem o atende é o associado, ex-funcionário.

Tenho observado que muitas empresas se voltam para o ambiente interno. Se perdem em reuniões intermináveis e ficam incomodados quando o “chato” do cliente os abordam. Tentam analisar as melhores estratégias de marketing, gastando verdadeiras fortunas na divulgação de suas marcas e produtos, e se esquecem do mais simples: atender bem seus consumidores, aquele “chato” que lhe garante o dinheiro para realização de seu lucro.

O apetite da classe C é só um exemplo do tamanho do mercado a ser explorado. Neste particular não é possível aceitar que haja uma análise superficial, colocando inclusive culpa nesta classe social pelo aumento da inflação. Muitos preços caíram e se algum aumentou, foi por pura falta de estratégia das organizações empresariais. Chegou à vez daqueles que ficaram fora do mercado do consumo, portanto, aceitemos este fato, e que a condução da política econômica brasileira, caminhe no sentido de permitir a realização dos sonhos de consumo de milhões de brasileiros que passaram anos a fio chupando o dedo.

A classe C está fortalecida e isso muito positivo para economia nacional, sendo de sinônimo de acessão social.

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30 de December de 2010

O perverso IGP-M

Category: Cenário,Economia – Reinaldo Cafeo 8:49

Dentro da salada de letras que compõe o mundo financeiro, o IGP-M não é somente mais um deles, à medida que se apresenta como o grande inimigo dos inquilinos.

Preferido pelos proprietários de imóveis, o Índice Geral de Preços do Mercado, acumulou alta de 11,32% em 2010.

Isso quer dizer que os aluguéis que vencem em janeiro de 2011 e que possuem o IGP-M como indexador, sofrerão reajuste neste patamar. Praticamente o dobro da inflação oficial do governo.

É um índice perverso para o consumidor ou pessoa comum. Pela metodologia desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas (responsável pela apuração e divulgação do índice), no IGP, em todas as suas séries, ou seja, IGP-10, IGP-M e IGP-DI, os preços no atacado têm peso de 60% na composição final do índice. Os preços ao consumidor têm peso de 30% e o da construção civil 10%.

Ter peso de 60% nos preços no atacado significa que qualquer oscilação nos preços dos produtos negociados entre empresas, em nível de atacadistas, antes de chegar ao varejo é captado pelo índice. São preços de 481 mercadorias selecionadas pela FGV.

Para ilustrar: o recente aumento dos preços dos alimentos, das commodities, potencializou o índice. Se, por exemplo, ocorrer um aumento de um produto no atacado, mas para o varejo o aumento não é repassado, o IGP-M também é potencializado.

Observem que é um índice inadequado ao assalariado, à medida que os reajustes salariais são embasados nos índices de inflação ao consumidor. O princípio é que ninguém deveria assumir reajustes em seus compromissos utilizando um indexador que não reajusta sua renda.

Há alguns anos levantei esta questão em relação aos tributos municipais e a Câmara de Vereadores de Bauru sugeriu a alteração no índice de que reajustava tais tributos anualmente e o IGP-M foi substituído pelo índice de preços ao consumidor.

No tocante aos aluguéis, apesar de a legislação estabelecer que os índices devam ser pactuados livremente, com reajustes anuais, o que se observa é uma imposição do proprietário do imóvel, indicando o IGP-M como indexador, inclusive em alguns casos, mencionando vários índices e que será escolhido o maior entre eles.

Mesmo que em determinados períodos o IGP-M seja menor do que o índice de inflação (isso ocorre quando há queda preços no atacado, por exemplo) vale à pena manter um indexador que reajusta sua renda.

Como os contratos já estão em vigência e o inquilino já terá que discutir o reajuste nos próximos dias, a dica é negociar, demonstrando ao proprietário do imóvel a diferença entre o reajuste salarial e o patamar apontado pelo IGP-M, levantando, inclusive, a situação de mercado de imóveis para aluguel.

Infelizmente o Brasil viveu anos a fio com o fantasma da correção monetária e com ela a indexação da economia e, apesar de inflação de um dígito, ou seja, abaixo de 10%, com meta de 4,5% podendo oscilar em dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ainda vivemos com esta realidade de reajustes automáticos, por índices muito distantes a realidade do assalariado.

É certo que melhorou muito ao só permitir reajustes anuais, mas de qualquer maneira ainda há as distorções quanto aos indexadores utilizados.

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