15 de julho de 2010
Que a economia nacional vive um bom momento não há dúvidas. Puxado pelo consumo das famílias, com bom desempenho em todos os setores da economia, o Produto Interno Bruto brasileiro será robusto em 2010.
Apesar deste cenário benigno, teremos que conviver com alguns efeitos colaterais indesejáveis.
O primeiro deles já perdeu forças: a inflação. Com juros mais altos, queda de preços de commodities, valorização do real frente ao dólar, os preços já não aumentam na mesma velocidade do primeiro semestre.
Outro efeito previsível é aumento da inadimplência do consumidor. É lamentável que isso ocorra, mas é possível entender porque ocorrerá.
De um lado falta ao brasileiro, na média, senso de planejamento. Muitos ainda pensam como se estivéssemos na época de inflação de 40% ao mês, portanto, levam a vida financeira pessoal embolada. Contraem dívidas sem ter a menor noção se terão recursos para honrá-las. A inflação mascarava essa deficiência, mas com preços estáveis a coisa muda de figura.
De outro lado falta educação financeira. Esses consumidores se preparam para muitas coisas, mas não para lidar com o dinheiro. Tentam manter um padrão de vida incompatível com a renda disponível, se deixando levar pelo ambiente social e, quando caem na real, a dívida já é uma realidade.
Normalmente são presas fáceis do crediário a perder de vista, pois analisam mais o valor da prestação mensal do que o valor total envolvido e a taxa de juros embutida neste crediário.
Analisam se a prestação é baixa em relação à renda, em vez de analisarem se há espaço para assumir mais um gasto dentre tantos já contraídos.
Devemos considerar ainda a elevada taxa de juros. Uma pequena dívida no cheque especial ou no cartão de crédito vira uma bola de neve, com juros extorsivos que podem atingir entre 150 a mais de 400% ao ano, principalmente no cartão de crédito.
Mesmo com o emprego em alta, com melhoria da renda familiar, os gastos sem planejamento levam o consumidor a ter que escolher o que pagar e, entre garantir a sobrevivência da família, priorizando os gastos essenciais, e pagar as prestações assumidas, de gastos supérfluos, é evidente que priorizarão os essenciais, portanto, inadimplência na certa.
Alguns são obrigados a vender patrimônio para evitar o pior. São aqueles que compram o que não precisam e vendem o que precisam.
Sempre é tempo de mudar o rumo das coisas e caberá a cada consumidor a mudança de atitude em lidar com o dinheiro.
O que está em jogo é a manutenção da qualidade de vida.
Não faça parte das estatísticas dos endividados, dos que têm nome sujo na praça e não figure entre os inadimplentes.
Planejar e controlar, sempre!
18 de março de 2010
Uma das características das eleições presidenciais que se aproximam é a previsibilidade quanto a discussão de qual modelo econômico o Brasil adotará.
Quando da sucessão de Fernando Henrique Cardoso, havia uma discussão ideológica. De um lado a manutenção do modelo neoliberal e do outro o discurso histórico de um Partido dos Trabalhadores que pregava maior participação do Estado na economia.
A prática demonstrou que houve somente continuidade na maneira de conduzir a economia nacional, não obstante a mudança de estilo da gestão implementado pelo Presidente Lula.
Considerando a possível polarização entre PT e PSDB não haverá de parte a parte nenhuma discussão calorosa quanto ao modelo a ser adotado daqui para frente. Por sinal pensar em mudança radical na condução da economia nacional é dar um tiro no pé, à medida que a estabilidade econômica está em curso e com ela uma excelente avaliação do atual governo.
O PT terá que manter a coerência e indicar os mesmos caminhos trilhados até agora pela equipe econômica, e o PSDB, condutor por oito anos da estabilidade econômica nos moldes atuais, não trará novidades sobre o destino da economia nacional.
O que restará na discussão política? Modelo de gestão. Aqui sim será possível analisar a política de gastos públicos, com redução dos gastos em custeio privilegiando os gastos em investimentos, ações que melhorem a distribuição de renda no país, com melhoria na educação pública, eliminação da burocracia e desperdício dos recursos públicos, enfim, uma infinidade de questões que permitirão em última instância identificar estilos de gestão.
No tocante aos gastos públicos talvez seja o maior desafio para o próximo governo, a medida que o atual governo abriu a guarda neste particular.
Ao eleitor caberá a avaliação crítica, considerando que de novidade teremos pouca coisa.
Será o neoliberal versus neoliberal.
4 de dezembro de 2009
A manchete não está errada. A discussão do mundo econômico é se a recuperação da economia se dará em W, U ou V.
Muitos colocam somente o W e o U, mas a inclusão do V apresenta alternativa a análise.
Os indicadores da economia no mundo todo demonstram que boa parte dos países saiu chamada recessão técnica. Há abalos ainda, como o de Dubai, mas já não são capazes de provocar estragos tão intensos nas bolsas e na própria economia.
O Brasil tem demonstrado vigor na recuperação econômica. Estudos apontam para um crescimento na ordem de 5% para 2010.
Na condução da política macroeconômica a dúvida que existe é se a retomada do crescimento é sustentável.
Uma ala de economistas entende que poderemos observar novo ciclo de recessão. Neste caso estaríamos no formato W, ou seja, a economia teve um decréscimo, retomando em seguida, mas se abalando novamente, até ensaiar nova recuperação. Podemos chamar de cenário pessimista. A justificativa seria a volta da inflação à medida que os preços ficaram defasados no ápice da crise. Para combater a alta de preços seria necessária uma política monetária austera, indo no sentido contrário do crescimento mais robusto da economia.
Outra ala entende que teremos uma recuperação em U, ou seja, teríamos chegado ao fundo do poço, e agora seria a vez da recuperação, mais lenta, suave como a parte debaixo da letra U. Cenário intermediário.
Já a recuperação em V apontaria para uma recuperação mais rápida, com pouca permanência na área de recessão. Cenário otimista.
Tanto para análise em U como para em V a aposta é que não haveria ambiente para novas quedas no desempenho econômico, posto que teríamos chegado ao limite de quedas no mundo todo.
Compartilho com aqueles que entendem que a economia se recupera em U. A crise internacional se apresentou como verdadeiro aprendizado e a ciência econômica já provou ter testado mecanismos que permitem encurtar os ciclos econômicos.
De qualquer maneira cada um pode fazer sua leitura. O fundamental é ter conseguido no período de crise, assimilar as mudanças na forma de atuar no ambiente econômico e com isso enfrentar tanto crescimento, como eventual recessão, com muita maturidade, ou seja, mais bem preparados.
Escolha sua letra.
19 de novembro de 2009
James Hunter em seu livro “O Monge e o Executivo” ao tratar de liderança coloca entre outros pensamentos a indicação que “se continuarmos fazendo as mesmas coisas, colheremos os mesmos resultados”. Na prática o que Hunter coloca é que sejamos capazes de fazer diferente para colher diferente.
Isso vale para tudo. Muitas vezes estamos desgostosos com a nossa vida profissional. Lamentações e mais lamentações, gerando um ciclo vicioso que alimenta a alma negativamente. Neste momento algo mais forte tem que nos mover, indicando “se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultado”, e neste mesmo momento tem vir o plano alternativo, de mudar o rumo das coisas. Pode ser uma mudança simples, de rotina, por exemplo, ou até mesmo mais radical, de emprego.
Observo muitos casais descontentes com o relacionamento amoroso. Acham que a coisa está muita fria. Se continuarem mantendo a forma atual de se relacionar, a coisa irá continuar fria.
Na escola estudantes que tiram notas ruins pressionam os professores, entretanto se esquecem de avaliar como estão estudando. Invariavelmente deixam acumular matéria e estudam nas vésperas das provas. Se continuaram estudando assim, terão os mesmos resultados.
Empresários, profissional liberais e uma série de outros profissionais criticam a condução da economia, a gestão do país, o caos das cidades, o trânsito, a correria do dia a dia, enfim, tudo que entendem que atrapalham o desempenho profissional e até pessoal, contudo, são poucos que estão dispostos a lutar para mudar este estado de coisas, e vivem isolados, sem preocupação coletiva, portanto, continuam a fazer as mesmas coisas, colhendo os mesmos resultados.
O calendário é sábio. A proximidade do final de ano nos leva a refletir sobre nossa conduta e nos indica que planejar é preciso. Entendo que devemos aproveitar a virada do ano e elencar aquilo que precisamos fazer diferente para colher diferente.
Uma coisa é certa: as coisas mudam e o conhecimento se multiplica, se não sairmos da zona de conforto, continuaremos colhendo os mesmos resultados, mantendo a insatisfação atual.
Fazer mais e diferente, mudando o rumo das coisas. Reflita sobre isso.
2 de outubro de 2009
A economia americana ainda patina. Dados do segundo trimestre deste ano apontam para manutenção da recessão nos Estados Unidos, com retração no trimestre de 0,7% se comparado a idêntico período.
Esses dados podem gerar certo pessimismo no curto prazo, mas dados preliminares apontam para um terceiro trimestre em recuperação.
Independentemente deste desempenho americano, não há motivos para abalos na economia brasileira.
Os números do produto interno bruto brasileiro já apontaram crescimento. Além deste aspecto os chamados fundamentos econômicos brasileiros estão se consolidando.
Em outras palavras: para este ano as projeções apontam no sentido da recuperação. Isso garante que em 2010 o país manterá o ritmo de crescimento.
Até mesmo o péssimo resultado das contas públicas, com queda de 68% no superávit primário não será capaz de comprometer o otimismo para os próximos meses.
O desafio maior para o Brasil vem depois das eleições. Crescer quer dizer investir em infra-estrutura. E lamentavelmente não estamos caminhando na direção de eliminar gargalos. Também tem o aspecto dos gastos do certo público. Os novos governantes, da situação ou oposição, terão que enfrentar esta questão. Caso contrário o ônus para o setor privado será enorme, retardando, entre outras coisas, a queda mais contundente da taxa de juros.
Em resumo: este ano pouca coisa abalará a economia brasileira, até mesmo notícias ruins vindas de fora. O caminho para 2010 está de alguma maneira alicerçado, contudo, o grande desafio será manter o crescimento de forma sustentada. Para que isso efetivamente ocorra, pensar em próxima eleição é pouco, precisamos construir um plano de longo prazo, muito mais como projeto de Estado do que de governo.
O diagnóstico é conhecido, à medida que o Programa de Aceleração no Crescimento foi criado neste sentido, mas como tudo no Brasil, em muitos casos, estas ações se perdem na burocracia da máquina pública.
É hora de avanços mais firmes, criando condições efetivas para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
29 de janeiro de 2009
Já fizeram suas projeções para esse ano? O tamanho do crescimento da economia brasileira é uma incógnita. O Fundo Monetário Internacional indica 1,8%. Otimistas projetam entre 2,5% e 3,0%.
Na prática o que sabemos mesmo é que a crise internacional atingiu o lado real da economia.
Um dos termômetros é exatamente o nível emprego. Setores importantes, que atuam em ampla cadeia produtiva, estão revendo seus quadros. Com isso milhares de brasileiros perderam seus postos de trabalho. A diminuição do tamanho da indústria afeta diretamente os trabalhadores das companhias e indiretamente seus fornecedores, prestadores de serviços, entre outros.
É uma revisão para menos.
É verdade que muitas empresas optam por este caminho, o da dispensa. Mas há empresas dos mais variados setores que apostam na manutenção do emprego, custe o que custar, pois sabem como é oneroso treinar, qualificar e lapidar a mão-de-obra. Estão abrindo para parcerias. Compartilhando redução de custos. Empresários abrindo mão de retiradas e se a decisão for pela dispensa de empregados, trabalham para que tenham o menor impacto possível.
Se de um lado o mundo pode entrar em recessão, com números pessimistas ou otimistas, o indicativo que no Brasil a palavra de ordem é desaceleração, indicando, mesmo com menor intensidade, crescimento.
Como alguns indicam que é preciso piorar para melhorar, quem conseguir se estruturar para enfrentar esse primeiro trimestre, poderá colher frutos a partir daí.
A irrigação externa via crédito pode minimizar o impacto interno.
Em resumo: é hora de sair da vala comum. Como dissemos: é hora de parceria e com isso nem é preciso esperar piorar para melhorar.