Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


14 de July de 2011

O competitivo mercado de trabalho

Category: Carga Tributária,Economia – Reinaldo Cafeo 11:16

 

A economia brasileira deu sinal de desaceleração este ano. O crescimento de maio foi 0,17% contra um crescimento de 0,44% de abril. Reflexos do aperto monetário promovido pelo governo Federal.

Mesmo assim observa-se um mercado de trabalho competitivo. As empresas ainda apostam em bom desempenho, observam um consumidor com perfil comprador e precisam de bons profissionais.

O que vem ocorrendo é que as empresas não têm mais tempo para formar a mão-de-obra. Até possuem programas de qualificação, mas precisam de profissionais prontos.

Mudaram inclusive a faixa etária na contratação. Se antes buscavam jovens talentosos, hoje buscam pessoas mais maduras. Os “cinquentões” estão em alta.

Além de buscarem profissionais que já entrem nas empresas com desempenho elevado, também querem um profissional que mescle a especialidade com a generalidade, ou seja, é importante ser especialista na área, mas precisam ter uma visão de conjunto, do todo da empresa.

As competências emocionais também são importantes. Profissionais com boa comunicação, sorridentes, éticos e transparentes, são valorizados na contratação e manutenção no emprego.

Outro fator considerado é a atualização do profissional. Cursos de extensão, pós-graduação, domínio de idiomas, informática, entre outros, fazem a diferença na vida profissional.

Na prática empresas e empresários estão em busca de empreendedores. Isso vai além da velha e desgastada relação capital/trabalho. É uma parceria que permite aliar o capitalista, com os empregados hoje considerados associados.

No momento econômico do Brasil é imperativo que os empresários amadureçam, valorizem seus funcionários e criem condições de uma parceria duradoura. De outro lado é imprescindível que os trabalhadores não se acomodem. Devem estar permanentemente em busca do aperfeiçoamento profissional e investindo na carreira.

Em mercado competitivo todos podem tirar proveito.

 

 

 

 

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31 de March de 2011

IGP-M desacelera, mas ainda é elevado

Category: Carga Tributária,Economia – Reinaldo Cafeo 9:59

O primeiro índice de inflação divulgado, o IGP-M, referente ao mês de março ficou em 0,62%. Mesmo apontando para queda em relação a fevereiro (que foi de 1,0%) no acumulado em 12 meses o índice está acima de 10%, mais precisamente em 10,95%.

Este é o patamar para início de negociação para, por exemplo, os contratos de aluguéis, preferência dos proprietários de imóveis.

Vale lembrar que apesar de o índice referir-se a março, sua metodologia de cálculo leva em conta levantamentos de preços entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual, ou seja, neste período foram coletados preços de 21 de fevereiro a 20 de março, portanto, capta somente parte da inflação deste mês. Fazem isso para que o mercado tenha um parâmetro logo na virada do mês.

De janeiro até março a inflação acumulada é de 2,43%.

Para atingir o resultado de 0,62% no mês de março, o IGP-M teve como base três outros índices: O IPA (Índice de Preços por Atacado) que tem peso de 60%; o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) que tem peso de 30% e o INCC (Índice Nacional da Construção Civil) que tem peso de 10%.

O IPA registrou desaceleração ficando em 0,65% contra o 1,2% de fevereiro. O IPC atingiu 0,62% (foi 0,67% em fevereiro) e o INCC ficou em 0,44% contra 0,39% do mês passado.

Alguns exemplos de variação de preços: custo da mão-de-obra na construção civil subiu 0,27%; materiais, equipamentos e serviços ligados à construção civil subiram 0,60%; gastos com educação cresceram 0,18%; transportes 1,15%; tendo alguns preços recuados significativamente, como foi o caso de passagens aéreas que ficaram 9,28% mais baratas do que o mês passado. Ainda o grupo alimentação continua pressionando os preços. Este grupo observou elevação de 0,69%. O grupo vestuário também teve alta significativa: subiu 0,78%.

Observem que se analisarmos somente o mês de março, poderíamos concluir que a inflação está gradativamente perdendo fôlego, contudo, um patamar acima de 10% no acumulado em 12 meses, forçará novos aumentos para o mês que vem, indexando parte dos preços da economia, pois, além de reajustar aluguéis, o IGP-M reajusta tarifas, entre outros preços da economia.

A indexação não será combatida com juros altos e tampouco com restrição ao crédito. Sua inércia provoca por si só novas altas de preços. Atualmente cerca de 15% dos preços da economia sofrem alguma influência dos reajustes automáticos provocados por esta indexação.

O indicativo é buscar alternativas para o combate da inflação saindo principalmente da já cansativa decisão de conter o crédito, elevando os juros por exemplo.

Se não atacarem a cadeia produtiva, com ações que mexam na estrutura de mercado, com o governo efetivamente cortando seus gastos, eliminando desperdícios, ficaremos sempre atenuando as consequências, sem mexer nas causas.

Poderiam mudar a forma de conduzir a política econômica do país, homenageando o recém-falecido ex-vice-presidente José Alencar, forte defensor da queda dos juros no Brasil.

Quem sabe a equipe econômica atual se sensibilize.

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2 de December de 2010

O necessário ajuste fiscal

Category: Carga Tributária – Reinaldo Cafeo 11:31

Dada a condução das contas públicas nos últimos anos, há consenso que será necessário um forte ajuste fiscal já em 2011.

Talvez seja um dos maiores desafios do novo governo. O corte estimado na ordem de R$ 70 bilhões.

Há dois caminhos clássicos para cobrir esta diferença: aumento da arrecadação ou corte de despesas.

Pensar em aumentar a arrecadação via aumento da carga tributária é inaceitável. De 1994 para cá a carga tributária brasileira saltou de 25% do Produto Interno Bruto para algo próximo a 40%. E isso se deu com grande peso nos tributos indiretos, que incidem sobre a produção e consumo, tornando os produtos mais caros, não praticando justiça tributária à medida que este imposto não guarda proporção sobre a renda das pessoas, sem contar que deixa o país menos competitivo internacionalmente à medida que outros países emergentes como o Brasil não oneram tanto o setor produtivo. Não há espaço para novos tributos, principalmente a CPMF o chamado imposto de cheque.

O caminho mais difícil, mas esperado pelos agentes econômicos é o necessário corte nos gastos públicos, além, evidentemente da necessidade em combater a corrupção, desvios, que resulte em melhor qualidade na alocação dos recursos públicos.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, os R$ 70 bilhões faltantes equivalem a todo o orçamento da saúde para o ano que vem.

Não há receita única, sendo necessário monitorar os gastos em todas as pastas, segurar as despesas com pessoal, em custeio, e que este esforço em conter gastos atinja todas as esferas de governo.

Com contas públicas ajustadas, abrindo espaço para investimentos, a política monetária não precisa ser tão apertada como a atual, sendo possível garantir crescimento sem o efeito do aumento dos preços.

O novo governo terá que ser firme e extremamente competente para administrar as contas públicas.

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13 de July de 2009

A inflação está comportada: espaço para queda nos juros

Category: Carga Tributária – admplaneta 15:12

A inflação oficial, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,36% no mês de junho. Acumula no primeiro semestre deste ano 2,57% e nos últimos 12 meses 4,8%.

 

A meta central do governo é de 4,5% para o ano fechado de 2.009.

 

Considerando que não há motivos para qualquer surpresa em relação aos preços, com exceção de eventuais altas de preços em produtos sazonais, podemos afirmar que o controle da inflação não deve ser a principal a preocupação do governo e a meta definida será atingida.

 

Evidentemente que o histórico de inflação no Brasil nos condena e, todo cuidado é pouco, mas é certo que o baixo crescimento econômico e com ele todo reflexo em termos de emprego e renda, deve ser a maior preocupação no momento.

 

Para garantir um mínimo de crescimento da economia em 2009, a decisão em manter a redução dos tributos em setores importantes da economia é fundamental, mas só isso não basta.

 

A carga tributária ainda é elevada. Bateu novo recorde em junho ao atingir 38% do Produto Interno Bruto. Considerando que os gastos públicos estão em alta, o caminho é afrouxar a política monetária, principalmente a taxa de juros de básica.

 

Em outras palavras: priorizar o crescimento econômico, sem ter maiores preocupações com o controle da inflação, abre espaço para a queda nos juros.

 

Juros básicos menores forçam queda dos juros na ponta, para o tomador final. Além disso reduz o custo da rolagem da dívida interna, ajudando a reduzir o déficit nominal do governo, isso sem contar que retrai em parte a entrada de capital estrangeiro, facilitando a manutenção da taxa de câmbio em patamar que permita manter e ampliar as exportações. O reflexo dessas ações conjuntas será sentido no nível de atividade econômica.

 

Podemos ter que conviver com a eventual trava da caderneta de poupança, que se apresentaria por suas características atuais, como excelente alternativa de investimento, à medida que, com juros básicos menores, haverá queda nas taxas das várias modalidades de aplicações disponíveis, contudo, há como contornar esta questão com a redução do imposto de renda que incide sobre estas aplicações.

 

O jogo é claro: crescer, gerar emprego e renda. Não há outro caminho se queremos rapidamente recuperar o nível de atividade econômica do país.

 

Os índices de inflação do governo e os apurados por inúmeros institutos de pesquisas do Brasil, dão o aval ao Banco Central para afrouxar a política monetária.

 

 

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13 de May de 2009

Os efeitos da redução da carga tributária

Category: Carga Tributária – Tags: , – admplaneta 16:05

 

 Certos setores da economia dependem do crédito para manutenção e expansão de seu mercado. É o caso específico do setor automotivo.

 

Com a crise financeira internacional, os juros finais aumentaram e foi estabelecido maior rigor na concessão de crédito. A conseqüência foi a queda no nível de atividade.

 

O setor automotivo observou queda expressiva em suas vendas, isso tudo em ambiente de cautela por parte do consumidor.

 

A ação do governo, tardia por sinal, foi no sentido de reduzir a taxa básica de juros e paralelamente reduziu a carga de tributos no setor.

 

Os juros demoraram a cair na ponta, para o tomador de recursos, mas o efeito da redução dos tributos foi imediata.

 

Houve recuperação de parte das vendas o que minimizou a queda no emprego no setor.

 

Esse desempenho é clara demonstração do peso dos tributos na economia brasileira. Com uma carga tão elevada como a praticada no Brasil, a terceira maior do mundo, é evidente que os preços finais encarecem e muitos consumidores ficam alijados deste mercado.

 

É evidente que antes da crise o consumidor até aceitava preços maiores, mas esses eram compensados pelo crédito mais barato.

 

Em resumo: o peso do Estado na economia é exagerado e a retomada do crescimento da economia brasileira precisa combinar políticas fiscais adequadas, notadamente na queda dos tributos e ao mesmo tempo flexibilização da política monetária, com juros menores, na ponta.

 

Não dá para aceitar outra combinação se queremos efetivamente sair rapidamente da crise.

 

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19 de February de 2009

A falta de sintonia entre o governo e o mercado

Category: Carga Tributária,Lado Real – Reinaldo Cafeo 17:33

O governo começou com a avaliação de que a crise internacional seria somente uma marolinha. Mais tarde indicou que o Brasil daria lição ao mundo, saindo ileso da crise. Suas ações, corretas inicialmente, deram espaço à inércia, gerando uma crise de confiança no país.

 

Agora observamos uma completa falta de sintonia do governo com o mercado.

 

O mercado deseja alívio fiscal: o governo bate recorde de arrecadação.

 

O mercado implora por juros menores: continuamos com a maior taxa básica de juros (em termos reais) do mundo. O máximo que a autoridade monetária realizou foi a “magnífica” queda de um ponto percentual, enquanto outros países derrubaram fortemente suas taxas.

 

O que será necessário para que o governo se renda a realidade do lado real da economia? Números piores quanto ao emprego? Aumento no número de falências?

 

Alinho meu pensamento com aqueles que entendem que a crise no Brasil será menos sentida do que em outros países, contudo, isso se dará se o governo brasileiro utilizar de forma rápida e inteligente os instrumentos de política macroeconômica, entre eles a política fiscal e monetária em favor do nível de atividade econômica, mesmo que isto custe abrir mão do foco maior na inflação.

 

As ações do governo podem ser avaliadas como o sujeito que se afogava em uma profundidade de 10 metros e agora está a 9 metros, portanto, continua se afogando.

 

O que mais o governo precisa para agir?

 

Isso não é somente admitir os efeitos da crise, é efetivamente entender o lado real da economia, este que gera empregos e movimenta bens e serviços, e acima de tudo financia as atividades do próprio governo.

 

Até quando?

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