A inflação oficial, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,36% no mês de junho. Acumula no primeiro semestre deste ano 2,57% e nos últimos 12 meses 4,8%.
A meta central do governo é de 4,5% para o ano fechado de 2.009.
Considerando que não há motivos para qualquer surpresa em relação aos preços, com exceção de eventuais altas de preços em produtos sazonais, podemos afirmar que o controle da inflação não deve ser a principal a preocupação do governo e a meta definida será atingida.
Evidentemente que o histórico de inflação no Brasil nos condena e, todo cuidado é pouco, mas é certo que o baixo crescimento econômico e com ele todo reflexo em termos de emprego e renda, deve ser a maior preocupação no momento.
Para garantir um mínimo de crescimento da economia em 2009, a decisão em manter a redução dos tributos em setores importantes da economia é fundamental, mas só isso não basta.
A carga tributária ainda é elevada. Bateu novo recorde em junho ao atingir 38% do Produto Interno Bruto. Considerando que os gastos públicos estão em alta, o caminho é afrouxar a política monetária, principalmente a taxa de juros de básica.
Em outras palavras: priorizar o crescimento econômico, sem ter maiores preocupações com o controle da inflação, abre espaço para a queda nos juros.
Juros básicos menores forçam queda dos juros na ponta, para o tomador final. Além disso reduz o custo da rolagem da dívida interna, ajudando a reduzir o déficit nominal do governo, isso sem contar que retrai em parte a entrada de capital estrangeiro, facilitando a manutenção da taxa de câmbio em patamar que permita manter e ampliar as exportações. O reflexo dessas ações conjuntas será sentido no nível de atividade econômica.
Podemos ter que conviver com a eventual trava da caderneta de poupança, que se apresentaria por suas características atuais, como excelente alternativa de investimento, à medida que, com juros básicos menores, haverá queda nas taxas das várias modalidades de aplicações disponíveis, contudo, há como contornar esta questão com a redução do imposto de renda que incide sobre estas aplicações.
O jogo é claro: crescer, gerar emprego e renda. Não há outro caminho se queremos rapidamente recuperar o nível de atividade econômica do país.
Os índices de inflação do governo e os apurados por inúmeros institutos de pesquisas do Brasil, dão o aval ao Banco Central para afrouxar a política monetária.
Certos setores da economia dependem do crédito para manutenção e expansão de seu mercado. É o caso específico do setor automotivo.
Com a crise financeira internacional, os juros finais aumentaram e foi estabelecido maior rigor na concessão de crédito. A conseqüência foi a queda no nível de atividade.
O setor automotivo observou queda expressiva em suas vendas, isso tudo em ambiente de cautela por parte do consumidor.
A ação do governo, tardia por sinal, foi no sentido de reduzir a taxa básica de juros e paralelamente reduziu a carga de tributos no setor.
Os juros demoraram a cair na ponta, para o tomador de recursos, mas o efeito da redução dos tributos foi imediata.
Houve recuperação de parte das vendas o que minimizou a queda no emprego no setor.
Esse desempenho é clara demonstração do peso dos tributos na economia brasileira. Com uma carga tão elevada como a praticada no Brasil, a terceira maior do mundo, é evidente que os preços finais encarecem e muitos consumidores ficam alijados deste mercado.
É evidente que antes da crise o consumidor até aceitava preços maiores, mas esses eram compensados pelo crédito mais barato.
Em resumo: o peso do Estado na economia é exagerado e a retomada do crescimento da economia brasileira precisa combinar políticas fiscais adequadas, notadamente na queda dos tributos e ao mesmo tempo flexibilização da política monetária, com juros menores, na ponta.
Não dá para aceitar outra combinação se queremos efetivamente sair rapidamente da crise.
O governo começou com a avaliação de que a crise internacional seria somente uma marolinha. Mais tarde indicou que o Brasil daria lição ao mundo, saindo ileso da crise. Suas ações, corretas inicialmente, deram espaço à inércia, gerando uma crise de confiança no país.
Agora observamos uma completa falta de sintonia do governo com o mercado.
O mercado deseja alívio fiscal: o governo bate recorde de arrecadação.
O mercado implora por juros menores: continuamos com a maior taxa básica de juros (em termos reais) do mundo. O máximo que a autoridade monetária realizou foi a “magnífica” queda de um ponto percentual, enquanto outros países derrubaram fortemente suas taxas.
O que será necessário para que o governo se renda a realidade do lado real da economia? Números piores quanto ao emprego? Aumento no número de falências?
Alinho meu pensamento com aqueles que entendem que a crise no Brasil será menos sentida do que em outros países, contudo, isso se dará se o governo brasileiro utilizar de forma rápida e inteligente os instrumentos de política macroeconômica, entre eles a política fiscal e monetária em favor do nível de atividade econômica, mesmo que isto custe abrir mão do foco maior na inflação.
As ações do governo podem ser avaliadas como o sujeito que se afogava em uma profundidade de 10 metros e agora está a 9 metros, portanto, continua se afogando.
O que mais o governo precisa para agir?
Isso não é somente admitir os efeitos da crise, é efetivamente entender o lado real da economia, este que gera empregos e movimenta bens e serviços, e acima de tudo financia as atividades do próprio governo.
Até quando?