Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


22 de January de 2009

A queda dos juros na prática

Category: Copom,Juros,Prefeitura,Selic,Sem categoria,Spread – Tags: , , , , – Reinaldo Cafeo 9:17

O Banco Central através do Comitê de Política Monetária reduziu a taxa de juros básica da economia brasileira em 1 ponto percentual. A chamada taxa Selic foi fixada em 12,75% ao ano.

Partindo da constatação da queda de preços, por baixa demanda, somada a queda acelerada do nível de atividade econômica, refletida no aumento do desemprego, o Copom não teria outro caminho senão reduzir os juros. Isso sem falar da pressão da sociedade civil organizada.

Essa queda refletirá de imediato no custo da rolagem da dívida interna brasileira. Boa parte dos títulos emitidos pelo governo é remunerada pela taxa Selic.

No decorrer dos meses essa queda poderá, eu disse, poderá, chegar na ponta, ao tomador de recursos.

Acontece que a lógica é: juros básicos menores induzem os intermediários financeiros (bancos, por exemplo) a remunerarem menos quem aplica seus recursos no sistema financeiro, abrindo oportunidade para reduzir os juros de quem precisa dos empréstimos. É uma tendência e não uma certeza, afinal, utilizando a lei de mercado, esses intermediários financeiros podem ou não ampliar o volume de empréstimos. Se não ampliarem os juros não caem. De imediato somente os bancos oficiais anunciaram, via pressão governamental, redução dos juros ao tomador final.

O grande problema no Brasil é que o patamar de juros praticados pelo governo é muito elevado se comparado ao resto do mundo. Os chamados juros reais (descontada a inflação) aqui no Brasil são os maiores do mundo, ficando cerca de 2 pontos percentuais acima da Hungria, segunda colocada no ranking. Além disso os bancos exageram no spread bancário (diferença entre juros pagos a quem aplica e de quem empresta recursos), encarecendo demasiadamente o custo do dinheiro.

Em meio a crise as principais economias capitalistas reduziram drasticamente seus juros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa básica está abaixo de 1%.

De qualquer maneira esse é o jogo da política monetária: se a prioridade é retomar o crescimento econômico, juros menores. Se a inflação subiu, juros maiores.

Se a redução de um ponto percentual não resolve todos os problemas ao menos retomamos o processo de queda e, finalmente, o Banco Central, começou a entender melhor o lado real da economia.

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16 de January de 2009

Prefeitura de Bauru: sobra de caixa?

Category: Prefeitura – Tags: – Reinaldo Cafeo 15:59

Muito provavelmente o ex-prefeito Tuga Angerami em determinado momento de sua administração, uma vez que não poderia cumprir todas as promessas de campanha, estabeleceu que a lembrança maior de sua gestão seria a retomada do equilíbrio financeiro do município.

Neste particular foi firme, negociou, envolveu parte da sociedade, enfim, garantiu ao prefeito eleito as certidões necessárias para retomada de crédito do município.

Talvez, neste mesmo objetivo de sanear as contas públicas, Tuga tenha ordenado que houvesse sobras de caixa. Ficou em conta, algo próximo da R$ 30 milhões. Seria um montante bem-vindo se não fosse um valor ilusório.

Essa ilusão vem da não realização da previsão orçamentária. Os precatórios de 2008, por exemplo, foram pagos com valores a menor, a partir de uma interpretação jurídica, questionável, que dependendo da decisão judicial deverá ser honrada no futuro.

Outro exemplo é a frota da prefeitura. Sucateada. Tanto é verdade que haverá um leilão dessas sucatas. Isso tudo sem falar as péssimas condições do banheiro da Praça Rui Barbosa, do Teatro Municipal (por sinal, precisa ele todo de manutenção), buracos, e tantos outros itens.

Como administrar é fazer escolhas, o ex-prefeito fez a sua: deixar de gastar no que é necessário para passar imagem de sobras de recursos.

O alerta é para que não haja ilusão com o dinheiro deixado.

Mas uma coisa é verdadeira: Tuga não precisaria deste artifício, pois, com sua experiência fez o que tinha que fazer. Só errou em imaginar que sanear concorre com estar presente na sociedade e conviver com seus eleitores.

Fica ao menos a constatação que garantir sobras de dinheiro adiando gastos, qualquer pobre mortal é capaz.

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