Como era esperado o PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre de 2011 desacelerou se comparado ao segundo trimestre deste ano.
O IBGE divulgou que o crescimento naquele período foi zero. O consumo das famílias que puxava o PIB para cima observou a primeira queda depois de três anos seguidos de crescimento.
O resultado só não foi pior devido ao bom desempenho da agropecuária que cresceu 3,2% no mesmo período, já que a indústria e os serviços caíram respectivamente 0,9% e 0,3%.
O pano de fundo continua sendo a crise internacional, cujas incertezas quanto ao futuro da economia mundial tem trazido algumas conseqüências econômicas e psicológicas no comportamento do consumidor.
O lado econômico, racional, refere-se a queda no nível de atividade sentido pelo trabalhador, o receio de perda de emprego e até mesmo em alguns setores a dispensa já concretizada.
O lado psicológico, emocional, vem da avalanche de informações externas apontando para um cenário maligno, sinalizando aos agentes econômicos que é melhor ter cautela neste momento, o que leva ao adiamento do consumo, e ainda ao adiamento nas decisões que comprometam a renda no longo prazo.
O governo de certa maneira já tinha esta sinalização e apostou na queda dos juros e ainda na desoneração fiscal de alguns produtos com forte apelo popular, como os da linha branca.
Caso o cenário se deteriore ainda mais não estão descartadas novas medidas, na mesma linha do início da crise que se deu em 2008 e 2009, com redução de tributos em outros setores, notadamente no setor automotivo.
É um filme já visto, e é imperativo não encara-lo como uma marolinha, e sim com ações firmes que não comprometam as conquistas internas, principalmente no que tange a ascensão social de milhões de brasileiros.
A manutenção do nível de atividade econômica é um pré-requisito para garantir tais conquistas.
Os números do IBGE devem servir de alerta ao governo.
Em meio às discussões sobre quem deve comandar o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), não pode ser perdida de vista a necessidade de um olhar sobre o futuro da autarquia municipal.
Há tempos o DAE deixou de ser referência do ponto de vista de gestão. Ao ser utilizada como moeda de troca no jogo político, os valorosos colaboradores, aqueles que efetivamente dão sustentação a entidade, perderam voz e força, e com isso o departamento de água de Bauru perdeu sua identidade.
Os desafios são enormes. Primeiramente porque o DAE não trabalhou no sentido de recuperar a sua capacidade de investimento. Trabalha pontualmente, sempre a reboque, com ações corretivas e não preventivas.
Segundo porque não definiu seu planejamento estratégico. É preciso definir com clareza sua missão, seus valores, enfim o negócio em si, para em seguida traçar um plano que permita atingir seus objetivos. O que transparece é que não há objetivos. Sempre que há um movimento em alguma direção que mude estruturalmente a autarquia, há um verdadeiro bloqueio pelo receio de que a conclusão seja privatiza-la. É um enorme equívoco, como se uma coisa fosse necessariamente ligada à outra. Não é preciso privatizar para se obter excelência em gestão.
O terceiro e não menos importante desafio é definir o que fazer com o tratamento de esgoto. Ficou mais que provado que, apesar da boa vontade dos profissionais do DAE, insisto, valorosos profissionais (os de carreira), a autarquia não estava e não está preparada para administrar esse novo, diria, “negócio”.
Mesmo hoje é muito difícil estabelecer com clareza o que é atribuição do DAE e o que é atribuição do Tratamento de Esgoto. Mesmo com verba carimbada a separação entre ambos é tênue.
Dentro do planejamento estratégico poderia surgir inclusive à necessidade da criação de uma nova empresa, específica para gerenciar o tratamento de esgoto da cidade.
O que é frustrante observar é que os interesses políticos, de quem dá as cartas na entidade, se sobrepõem ao interesse coletivo. A população deseja, em última instância, uma autarquia produtiva, que maximiza os resultados e reduza custos e seja eficiente no que realiza.
Estamos a menos de um ano das eleições e esperamos que o tema seja amplamente discutido e que soluções estruturais sejam propostas. Em fim de mandato nada ou quase nada será feito.
A conclusão, por tudo que vem ocorrendo na autarquia, é que o DAE precisa ser reinventado.