24 de November de 2011
Finalmente o governo Federal estuda uma maneira de aumentar a remuneração dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Este recurso recolhido pelas empresas é patrimônio do trabalhador, contudo, sua utilização é disciplinada pela legislação, ou seja, a ingerência do trabalhador, maior interessado, é mínima.
Sua movimentação somente é possível em casos de dispensa sem justa causa, uso para amortização de financiamentos imobiliários e alguns casos de doença grave. Mesmo tendo gestores do fundo, algumas travas impedem, por exemplo, que os ganhos sejam superiores aos atuais.
O rendimento anual é a combinação da Taxa Referencial (TR) acrescida de 3%. Observem, rende ao ano TR acrescida de 3%. É pífio. A própria caderneta de poupança, que rende pouco, remunera TR acrescida de 6% ao ano. O dobro em termos de juros.
Como os recursos alavancam, por exemplo, financiamentos imobiliários, cuja taxa de juros cobrada do tomador de recursos é superior ao rendimento do FGTS, é justo que parte dos ganhos do sistema seja repassada aos trabalhadores.
Se isso já fosse praticado o ano passado parte do lucro do fundo, cujo valor foi de R$ 5,4 bilhões, seria canalizado aos verdadeiros titulares dos recursos. A remuneração poderia ser o dobro da atual.
No bojo desta análise é importantíssimo que haja um novo olhar sobre a gestão destes recursos.
Tirando as oportunidades que foram concedidas quando foi permitida a aplicação em ações da Petrobrás e Vale, o trabalhador não participa diretamente na destinação de seus recursos. A legislação precisa ser atualizada.
Seria também importante uma prestação de contas mais detalhada, demonstrando nos extratos recebidos pelos trabalhadores em que efetivamente os recursos são aplicados, em que condições foram liberados e até mesmo os riscos envolvidos.
Possuir um recurso e ter que se comportar passivamente quanto a sua gestão é no mínimo não respeitar os direitos dos trabalhadores.
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17 de November de 2011
Resultados do Censo de 2010 começam a ser divulgados pelo IBGE. Entre os inúmeros indicadores vale destacar aqueles que tratam da distribuição de renda no Brasil.
As estatísticas apontam para fortalecimento da classe C brasileira, contudo a realidade é que apesar da melhora, a distribuição de renda no Brasil está longe da ideal.
Por exemplo: o rendimento médio per capita (por pessoa). O Censo aponta que metade da população brasileira tem rendimento mensal de até R$ 375, ou seja, recebem menos do que o salário mínimo que na época era de R$ 510.
A defasagem fica mais evidente em municípios com até 50 mil habitantes. O rendimento médio per capita em municípios de porte médio (até 500 mil habitantes) é o dobro se comparado a esses municípios.
O país continua com desigualdades regionais, sendo que os estados do Sul e Sudeste detém a maior fatia da renda. Brasileiros que vivem nos estados do Norte e Nordeste têm renda 50% inferior àqueles que vivem nas regiões Sul e Sudeste.
Há outros dados, mas já é possível concluir que desconcentrar renda vai além do discurso.
Somos sabedores que o crescimento econômico é uma pré-condição para melhorar indicadores sociais, entre eles a distribuição de renda, mas também somos sabedores que ações concretas devem ser trabalhadas para que isso efetivamente ocorra.
O nível de desemprego deve ser mantido em níveis baixos, e mesmo com inúmeros projetos sociais em curso, entre eles o bolsa família, são necessárias compensações tributárias para efetivamente atacar o problema, como por exemplo, tributar as grandes fortunas, desonerar a produção e o consumo, além da eficácia na política de transferência de renda.
Os municípios têm tido pouca participação na estratégia geral de eliminação das desigualdades e todos os atores envolvidos devem exercer plenamente seus papéis.
Além desses aspectos há um desafio adicional: garantir que aqueles que tiveram ascensão para classe C possam permanecer e até melhorar seu padrão de vida. Com a crise nos Estados Unidos e na Europa não será tarefa fácil.
É hora de um projeto de Estado e não de governo para efetivamente mudarmos este estado de coisas.
Ações neste sentido agora podem solucionar problemas no futuro, mas é preciso trabalhar para que isso ocorra.
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11 de November de 2011
Com a chegada do final de ano e com ele o recebimento do décimo terceiro salário, vem tona à discussão de qual seria o melhor destino deste recurso extra.
Avaliar o destino do décimo terceiro sem deixar o lado racional prevalecer me parece loucura.
Comece por analisar sua real situação financeira. Neste particular não é necessário estar inadimplente, basta pagar juros, por exemplo, no cheque especial ou cartão de crédito.
O raciocínio é simples: ao não conseguir pagar a fatura do cartão de crédito integralmente, automaticamente o devedor optou pelo financiamento do saldo não pago. A taxa de juros média nesta modalidade está na casa dos 11% ao mês. Isso mesmo, 11% ao mês. Na mesma linha está o cheque especial, que para muitos incorporou-se a renda. A taxa de juros média está na cassa dos 9% ao mês. A pergunta é objetiva: você continuaria a pagar juros para rolar essas modalidades, tendo em mãos o valor total ou até mesmo parte do dinheiro para cobrir estes empréstimos? A resposta nos parece óbvia.
Este é um lado da questão. Ocorre que há muitos consumidores que não estão nem aí quanto ao seu ímpeto em consumir. Possuem pendências financeiras e mesmo assim saem gastando sem critério. Fazem novas dívidas e empurram o problema para frente. Começam o ano endividados, mesmo sabendo que no início do ano chegam àqueles indesejados compromissos tais como matrícula escolar, material escolar, IPTU, IPVA, entre outros.
É evidente que iremos comemorar o Natal e a passagem de ano. Também é evidente que iremos presentear as pessoas, mas não há o menor interesse, mesmo para quem quer vender seus produtos, que as pessoas não consigam honrar os compromissos assumidos.
Os próprios bancos estão reforçando campanhas que levam as pessoas a refletir sobre suas finanças pessoais.
Se de um lado o ambiente é de consumo e seja natural que queiramos mesa farta e ainda alegrar os familiares e amigos com presentes, de outro lado é importante ter os pés no chão, gastando no limite da renda.
Não seria nada coerente contrair nova dívida com pendências financeiras.
Faça boas escolhas e terá boa saúde financeira.
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3 de November de 2011
A economia brasileira, puxada pelo setor industrial, começa a dar sinais de desaceleração. Os pedidos do comércio diminuíram e com isso já é possível constatar que os estoques de produtos estão elevados.
Isso tudo tem como pano de fundo a crise internacional e o comércio ainda não sentiu mais fortemente em função do robusto mercado interno, que é movido pelo apetite dos consumidores.
É possível continuar apostando em um final de ano bom. O sinal de alerta fica para o primeiro trimestre de 2012, cuja queda no nível de atividade poderá ser minimizada com redução de juros, tributos e até mesmo com as convidativas promoções.
Não obstante este cenário, estudo do DIEESE apontou para injeção de R$ 118 bilhões adicionais na economia neste final de ano, via décimo terceiro.
Trabalhadores das mais diversas áreas, incluindo empregadas domésticas, além de aposentados e pensionistas, terão seu adicional de salário neste mês de novembro e dezembro.
É um valor expressivo. Na prática o empresário tem dois caminhos: fica lamentando que a crise novamente vá afetar seus negócios, ou aproveita o ambiente de consumo e surpreende.
Parece-me que o segundo caminho é mais indicado. Na prática é preciso trabalhar por sua parte. Invista em atendimento. Surpreenda o cliente saindo da mesmice do atendimento padrão que, em vez de tratar o cliente como aquele que traz receita para empresa, trata-o como se fosse descartável.
Investida nas vitrines. Tenha no conhecimento do desejo do consumidor seu diferencial. Agregue valor ao produto, com boas embalagens e até mesmo brindes.
Pare de lamentar o custo do cartão de crédito e cumpra o previsto no Código de Defesa do Consumidor, não diferenciando preços no cartão e em dinheiro.
Seja tolerante. Tenha paciência no atendimento. Saiba que o consumidor tem inúmeras opções e se escolheu entrar em sua loja é porque algo o atraiu, não desperdice esta oportunidade.
Trabalhe de maneira cooperada para equacionar a questão do estacionamento, exija melhoria no trânsito e aposte na segurança.
Você pode lamentar ou encantar.
Não tenha dúvida que os R$ 118 bilhões serão disputados intensamente. Planeje o quanto deseja abocanhar deste volume e trabalhe para que isso aconteça.
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