Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


20 de October de 2011

A ração que o mercado não quer

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 17:25

A equipe econômica atual inverteu em parte a lógica do jogo em relação às políticas de controle da economia, ou seja, está em curso o afrouxamento da política monetária.

Mesmo com pressão sobre a inflação o Banco Central brasileiro optou por preparar o terreno para 2012, e reduziu pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros, saindo de 12% para 11,5% ao ano.

É certo que ainda praticamos a maior taxa de juros do mundo, o que equivale em termos reais (descontada a inflação) a 5,5% ao ano, mas também é certo que algo novo pode estar nascendo, retirando a ração muito desejada pelo mercado financeiro que é uma taxa de juros básica nas alturas.

E espaço para redução há. Só para exemplificar, a segunda maior taxa de juros do mundo é da Hungria com 2,3% (menos da metade da taxa brasileira) e a terceira é do Chile, com 1,9% ao ano.

É evidente que não será possível trilhar este caminho imaginando que a coisa se dará da noite para o dia, afinal são anos a fio combatendo desequilíbrios entre oferta e procura com aperto monetário, mas em determinado momento aconteceria este rompimento. Também haverá um custo, ditado pelas incertezas, críticas, dúvidas quanto ao futuro da inflação e um cem número de outras indagações, por isso que, além de ser firme, será preciso sinalizar com mudanças estruturais.

O controle dos gastos públicos em custeio é imperativo! Também investir em infraestrutura é condição fundamental para garantir a sustentação do crescimento, isso tudo sem falar da eliminação de outros gargalos, e ainda agilizar as reformas estruturais, entre outras.

É um caminho longo e árduo, mas tem que ser percorrido, e com muita determinação, pois a tendência natural é que as pressões externas falem mais alto.

Os operadores do sistema financeiro querem elevadas remunerações e apostam na fragilidade pública para auferirem ganhos extraordinários, prática recorrente nestes últimos anos.

Espera-se que não haja blefe e que efetivamente o desarme do modelo econômico, acomodado em política monetária restritiva, principalmente juros altos, esteja em curso.

 

 

 

 

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13 de October de 2011

Brasil: crescimento menor

Category: Brasil – Reinaldo Cafeo 10:36

 

O ambiente de incertezas externas tem levado o governo brasileiro a efetuar revisão para baixo no crescimento econômico deste ano.

Os 4,5% iniciais foram revistos para 3,5%, portanto o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) crescerá 3,5% em 2011, em termos reais, se comparado ao ano de 2010.

Ficará abaixo de outros países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), notadamente a China e Índia.

O Brasil tem monitorado a economia combinando as políticas fiscal e monetária. A política fiscal garante ao governo forte arrecadação e ampliação nos gastos, notadamente em custeio. Já a política monetária monitora a liquidez do mercado, com austeridade na taxa de juros e política crédito. O objetivo até então é de garantir a estabilidade de preços, à medida que a inflação desgarrou da meta central de 4,5%, ficando mais próxima do limite máximo de 6,5% para este ano.

Quando se observa a queda na projeção do PIB o indicativo é afrouxar as duas políticas. Os juros já foram reduzidos, contudo, ainda está presente a preocupação com a elevação dos preços.

Diferentemente do ambiente econômico de 2008 e 2009, quando do auge da crise internacional, a inflação ainda precisa ser combatida, o que inibe medidas mais fortes, como por exemplo, redução da carga tributária e até mesmo quedas mais significativas na taxa de juros.

De qualquer maneira o atual governo tem sinalizado que irá inverter em parte a equação que tem engessado o desempenho econômico brasileiro: ser mais rigoroso na política fiscal, principalmente no que se refere ao controle dos gastos públicos, abrindo espaço para que os juros no Brasil deixem de ser os maiores do mundo, chegando ao longo do tempo em patamares semelhantes aos de países que conseguem crescer e controlar a inflação.

A revisão para baixo do crescimento da economia é um alerta para que os agentes econômicos refaçam suas estratégias, e é um indicativo de que o mercado de consumo poderá encolher.

Não é para pessimismo, mas para redobrar a atenção, afinal, crescer é importante, mas sustentar o crescimento é fundamental.

 

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6 de October de 2011

A inadimplência na juventude

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 12:23

Pesquisa do TeleCheque mostra que os jovens lideraram a inadimplência no primeiro semestre deste ano. A base de dados levou em conta mais de 13 mil pessoas.

Muitas pessoas abandonaram o uso do cheque, mas mesmo assim chama a atenção o percentual do calote nos jovens até 20 anos: 16,92%. A pesquisa apontou que os mais idosos honram mais seus compromissos: e partir dos 51 anos somente 3% não cumpriram a obrigação de cobrir o cheque emitido.

A segunda faixa de inadimplentes é entre 21 e 30 anos com 6,33%, vindo em seguida à faixa entre 31 e 40 anos com 4,29% ficando em 2,61% a inadimplência entre aqueles que estão na faixa etária entre 41 e 50 anos. Esses números levam a concluir que conforme a idade avança menor é a inadimplência.

O que estaria levando os jovens a darem calote? Antes de buscar explicações para este comportamento, devemos lamentar que consumidores que praticamente estão começando a vida financeira já estejam com restrições cadastrais.

O que vem ocorrendo é uma somatória de fatores. De um lado a falta de educação financeira. Tenho insistido em meus artigos sobre finanças pessoais que uma educação completa passa também pela orientação financeira. Somente nos últimos tempos é que chamada educação formal está se dando conta da importância em ensinar a lidar com o dinheiro. E isso deve começar cedo. Importante ressaltar que não é tarefa somente das escolas, mas principalmente das famílias, dos pais e responsáveis.

Outro importante fator é o fato de as instituições de crédito não adotarem critérios rigorosos na concessão de crédito. No afã de atingirem metas de “venda do crédito” não estão analisando adequadamente o cadastro de seus clientes. Isso é comprovado quando são analisadas outras modalidades de crédito, como o crédito pessoal e o cartão de crédito, e nelas se constatam que também a inadimplência entre os jovens é elevada. É tratar o crédito ou dinheiro como um produto como outro qualquer.

Os jovens são prezas fáceis no mercado de consumo. Gastam além da conta na balada, na compra de tecnologia, na aquisição do tênis da moda, no consumo da roupa de grife e até mesmo a sustentação do status com carros, viagens, motos, etc. Não há renda que sustente tudo isso. Chega um momento em que a conta na fecha, e atrasar os pagamentos é o único caminho que resta.

Alguém um dia disse: um dos maiores patrimônios que uma pessoa possui é seu nome, e infelizmente muitas pessoas não fazem a mínima para isso. Evidentemente que há casos isolados em que o nome da pessoa fica sujo na praça por motivos justificáveis, mas isso deveria ser exceção e não regra.

Jovens sem compromisso com seu próprio nome serão adultos com que tipo de comportamento?

Vale uma reflexão e, cada núcleo familiar, deveria identificar comportamentos como esse e estabelecer maneiras inteligentes, compartilhadas de mudar o rumo das coisas.

Os números indicam o comportamento do passado, as pessoas podem e devem interferir para mudanças positivas para o futuro.

 

 

 

 

 

 

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