25 de August de 2011
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, veio a público alertar que a riqueza deste ano deve ser menor. O crescimento do Produto Interno Bruto pode ficar mais próximo dos 4% do que dos 4,5% inicialmente previsto.
É na prática uma declaração de alerta. O ambiente externo está revestido de incertezas, as projeções apontam para recessão, para recuperação lenta nos Estados Unidos e vários países da Europa e até mesmo da Ásia.
Mercado internacional estreito dificulta a colocação dos produtos brasileiros no exterior, e o mercado interno seria a salvação do desempenho das empresas, mas não há internamente capacidade para absorver o excedente produtivo.
O Brasil está na mesma posição da crise internacional de 2008 e 2009. Não é o centro do problema, mas será atingido, mesmo que marginalmente.
Os instrumentos para minimizar o impacto interno já são conhecidos: redução de tributos em setores com importante cadeia produtiva, queda nos juros, aumento da liquidez do sistema, controle dos gastos públicos, entre outros.
O Brasil continua blindado e só não se sairá bem se for soberbo, acreditando que é uma “marolinha” e não fazendo a lição de casa. Isso seria muita incompetência.
Quanto aos agentes econômicos a palavra é de alerta. Não é necessário entrar em clima de pessimismo, mas vale a mesma leitura do setor público: ser proativo, antecipar cenários, trabalhar preventivamente.
As organizações que conseguem fazer uma leitura adequada do ambiente econômico e conseguem impactar em seus negócios, com planejamento, traçando cenários, saem na frente e contornam momentos ruins da economia com muita tranquilidade. São estas questões que efetivamente fazem a diferença na gestão, em todos os setores.
O pronunciamento de Mantega confirma que a inércia não é a melhor opção.
Comments Off
19 de August de 2011
Muitos dos problemas emocionais vivenciados pelas famílias têm como origem as questões financeiras.
A maioria da população brasileira não foi e não é educada para o mundo das finanças. Somente recentemente é que as escolas de ensino fundamental e médio se deram conta que falar de dinheiro é necessário. Pouquíssimas famílias se importam em orientar os filhos no sentido de aprenderem a lidar com crédito, contas a pagar, renda, etc.
A separação de casais por divergências na relação com o dinheiro está em crescimento: 50% dos casais que se separam apontam esta causa como a que motivou o fim do relacionamento.
Tudo começa no namoro. O encantamento amoroso, a paixão, o querer bem, não podem inibir uma conversa franca sobre dinheiro.
O casal para ter uma vida completa a dois precisa, além da afinidade amorosa, também ter sintonia financeira. É necessário decidir qual padrão de vida a ser estabelecido, se há necessidade de conta conjunta, se os dois trabalharão, como serão os gastos gerais, qual o volume de reservas para emergências, etc.
Quando vem o filho inicia-se uma pequena revolução nas finanças do casal. Se houve planejamento financeiro para este novo momento, as coisas tendem a ser mais fáceis, mas o que se observa é exatamente o contrário: mais gastos incorporados a um casal desorganizado financeiramente.
Quando chegam os filhos é preciso em algum momento falar com os filhos sobre o tema. O indicativo é que isso ocorra quando os filhos completarem cinco a seis anos. Nesta idade devem manusear o dinheiro, efetuar pequenas compras de produtos que custem alguns centavos.
É muito positivo instituir semanadas. Um valor em dinheiro entregue toda semana para a criança gastar no que deseja. Vale destacar que os pais não podem transferir para a mesada despesas que são de sua obrigação, como compras de livros, mensalidade escolar, uniformes, etc. O valor da semanada deve ser definido dentro do padrão de vida de cada família. O fundamental é que a criança preste conta em que gastou e que os pais acompanhem a vida financeira dos filhos.
Quando adolescentes é preciso ir além. Mostrar com clareza as fontes de renda (mesmo sem declinar o montante), e quais os gastos prioritários da família. Abordar a importância em manter o nome limpo na praça e para tanto orientar para que sempre paguem em dia as contas assumidas. Educar para esses jovens guardem dinheiro. Mostrar a importância de ter reservas financeiras para emergências. Falar de seguros, previdência privada, carreira, entre outros, garantirão educação mais completa.
Nem todos os pais têm conhecimento sobre tudo, portanto, não há problema algum em buscar ajuda de especialistas e até mesmo matricular os filhos em cursos de especialização no tema.
É cada vez mais necessário educar de maneira completa e forjar cidadãos que tenham dignidade. A boa saúde financeira passa por isso.
Educar financeiramente é ajudar a obter qualidade de vida.
Comments Off
11 de August de 2011
Desde o ano passado, analisando a lenta recuperação americana e seu desajuste fiscal, havia enorme dúvida se a economia dos Estados Unidos recuperaria ou teria um duplo mergulho, ou seja, uma nova recessão. O desempenho em W, isto é, a economia entrou em recessão, recuperou, mas entraria em nova recessão para depois se recuperar, era o grande temor mundial.
De certa maneira essas dúvidas se tornam realidades no lado pior: a nova recessão. Aqui mesmo neste espaço escrevi vários artigos indicando que um dos cenários possível seria este comportamento.
O atual momento da economia americana é uma consequência da crise de 2008/2009. Naquele momento a crise se instalou no setor privado, o qual foi socorrido pelo setor público. Agora quem está no centro do problema é o setor público.
Os desajustes fiscais, não somente dos Estados Unidos, como da Europa como todo, não foram equacionados. Socorrerem empresas privadas e não fizeram a lição de casa. Pagam agora o preço por este desarranjo.
Os Estados Unidos, em particular, pagam um preço adicional: o decepcionante Obama perdeu maioria no congresso americano e a crise tem contornos políticos. É o pior dos mundos: ter que fazer ajustes e não obter a solidariedade do congresso para aprovar seus necessários ajustes.
E o Brasil? Considerando que o governo brasileiro saiu da crise rapidamente e que o socorro ao setor privado foi segmentado e em dimensões menores do que o resto do mundo, não houve grande sangria internamente.
Isso não quer dizer que há plena imunidade. Há maior proteção, mas não fizemos todas as lições de casa. Os gastos públicos cresceram consideravelmente nestes últimos anos. O governo da Dilma vive um inferno astral com denúncias de corrupção de toda ordem.
De qualquer maneira o volume de reservas internacionais é confortável, bem como os valores represados referentes ao compulsório bancário. Isso sem falar no poder que o governo tem em suas mãos no sentido de promover eventuais desonerações fiscais, as quais já foram utilizadas no início da crise internacional.
Outro desafio brasileiro é manter a inflação no centro da meta com crescimento econômico.
Enfim, nova crise, novos temores, mas com uma certeza: os instrumentos de controle da economia são sobejamente conhecidos, será muita incompetência não utilizá-los em sua plenitude.
A crise saiu do setor privado e se instalou no setor púbico.
Comments Off
5 de August de 2011
O recente pacote de medidas para fortalecimento do setor industrial brasileiro mexeu em um ponto que tem sido o entreve no sentido de tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mercado: a redução dos encargos sobre a folha de salários.
De um lado há direitos adquiridos pelos trabalhadores que precisam ser respeitados. Por outro lado há urgente necessidade de reduzir os custos incidentes sobre a folha de salários.
Estudos apontam que, para alguns setores, considerando encargos sociais e provisões, um funcionário contratado por mil reais, pode custar mais que o dobro para a empresa. E o que é pior: a empresa gasta muito e o funcionário leva pouco.
Empresas com tributação simplificada reduzem o ônus sobre a folha de salário, transferindo parte do custo em alíquotas que incidem sobre o faturamento, resultando em menor custo final.
Todos sabem que os custos são repassados aos preços. Quando o custo em manter um funcionário registrado se eleva, de duas uma, ou a empresa contrata menos ou repassa esse custo ao preço final. A sociedade perde duas vezes: a primeira vez na baixa geração de emprego e a segunda vez pagando preços acima do que deveriam.
Mexer no formato atual não é tarefa fácil. Os trabalhadores, com razão, precisam que suas conquistas trabalhistas sejam mantidas, por seu turno o meio empresarial deseja gastar menos, e na outra ponta o governo quer manter o nível atual de arrecadação. Sentiram a complicação?
Independentemente dessas verdadeiras amarras mais cedo ou mais tarde mudanças estruturais nesta área terão que vir. Pode começar, inclusive, com um novo formato de contratação para quem ingressa no mercado de trabalho. É discutir a empregabilidade e não somente o emprego.
Os mercados se globalizaram. O acesso aos produtos está cada vez mais fácil e rápido. O consumidor tem clareza quando os preços são abusivos.
No contexto econômico, pensando em concorrência internacional, tentar compensar com taxa cambial o chamado custo Brasil, no qual os encargos sociais estão inseridos, não se demonstra eficaz.
Cada vez mais afloram nossas deficiências internas e é chegado o momento para avanços maiores, caso contrário seremos somente uma possibilidade de nação desenvolvida e não efetivamente desenvolvida.
Considerando que o governo incentivou empresas do setor industrial e admitiu que a redução dos encargos sobre a folha de salários nos torna mais competitivos, o diagnóstico já foi feito, é só seguir neste caminho.
Comments Off