Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


28 de July de 2011

Câmbio: governo continua enxugando gelo

Category: Copom,Economia – Reinaldo Cafeo 10:54

O Real continua forte em relação ao dólar. A cotação da moeda norte americana tem atingido patamares do fim do século passado, ou seja, valores de mais de 12 anos atrás.

A combinação de inúmeros fatores tem enfraquecido o dólar. Primeiramente a economia americana está debilitada. Com déficit fiscal em níveis perigosos, saindo de uma crise aguda e com impasses na condução política quanto à redução de gastos e aumento de tributos, a economia americana apresenta um enfraquecimento poucas vezes observado na história mundial. Em resumo: poucos investidores desejam ficar com a moeda de um país que apresenta essas condições.

Além desse aspecto, ou seja, o enfraquecimento da moeda americana, o Brasil possui alguns atrativos importantes aos investidores estrangeiros.

Nosso país pratica a maior taxa de juros do mundo. Se isso não bastasse às agências de análise de riscos têm aumentado a nota brasileira, recomendando aos investidores estrangeiros que aportem seus recursos aqui no Brasil. Também há um enorme mercado consumidor, com fortalecimento da classe média, se apresentando como um verdadeiro oásis aos investidores diretos (investimento na produção).

Isso tudo sem falar na estabilidade política, democracia em consolidação, entre outros aspectos.

Mesmo o Brasil possuindo fragilidades em sua infraestrutura e gargalos que impendem um crescimento sustentado, não há dúvida que esses atrativos todos atraem investidores estrangeiros e a oferta de dólares é ampliada, derrubando a cotação da moeda norte americana.

O governo anunciou novas medidas para conter a desvalorização do dólar, como a taxação em aplicações em derivativos, mas a avaliação é que pouca coisa mudará neste cenário.

Alterações mais profundas poderão vir no longo prazo. A retomada do crescimento econômico americano e a queda dos juros domésticos são exemplos do caminho que poderá ser trilhado.

Enquanto isso não acontece qualquer mexida do governo na questão cambial é semelhante a enxugar gelo, por sinal, já fizemos esta observação em outro artigo publicado há meses, ou seja, na questão cambial o governo continua enxugando gelo, e o que é pior, potencializando esta questão, quando eleva a taxa de juros básica para conter a inflação.

Enxugar gelo continua sendo insano.

 

 

 

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21 de July de 2011

Analógico ou digital?

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 16:19

 

Diferentemente da juventude de hoje, faço parte de uma geração que nasceu analógica e com o decorrer do tempo se tornou digital.

Lembro com certo saudosismo das aulas de datilografia, quando construir um texto formal e datilografá-lo sem olhar para o teclado era pré-requisito para conseguir o tão almejado diploma de “datilógrafo”, que por sinal era uma exigência das empresas quando da contratação de um profissional para seu quadro funcional.

Acompanhei a evolução da tecnologia, do antigo telex, máquinas de escrever elétricas, passando pelo fax (que revolução), pelos megas centros de processamento de dados (com cartão perfurado para programação), até a era da internet.

A geração atual é mais ágil. Domina a convergência de tecnologia com uma rapidez invejável. É dinâmica, enfim, tecnológica.

Esse contraste, mais do que indicar que minha geração está ficando velha, e está mesmo, deve ser visto pelos vários ângulos do que se exige de um profissional completo.

Observo jovens profissionais que são incapazes de redigir um ofício por falta de repertório e de capacidade analítica. Processam dados como ninguém, mas têm dificuldade em verbalizar.

A especialização e a própria tecnologia levaram parte desses jovens talentosos ao isolamento. Sabem muito de uma área e possuem pouca capacidade de entender o conjunto da organização e a reais necessidades das empresas.

Para muitos falta foco. Outra característica marcante é a falta de comprometimento. Se envolvem, mas se comprometem pouco. São também mais individualistas e querem retornos rápidos, muito no curto prazo.

A sabedoria indica que na vida, em qualquer área e até mesmo no pessoal, é necessário saber usufruir da experiência acumulada, abrindo espaço para o novo. É possuir mente arejada, aberta.

Nas empresas o desafio é harmonizar essa gama de profissionais. Os cinqüentões estão em alta no mercado de trabalho pela vivência, pelo conhecimento, por trazerem respostas rápidas às necessidades da empresa, contudo, o jovem está aí, cheio de garra, querendo fazer história.

Fazer parte de uma geração que vivenciou o analógico e convive com o digital me parece um diferencial competitivo.

Analógico ou digital? Prefiro a mescla dos dois, mesmo sabendo que um dia só existirão os digitais.

 

 

 

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14 de July de 2011

O competitivo mercado de trabalho

Category: Carga Tributária,Economia – Reinaldo Cafeo 11:16

 

A economia brasileira deu sinal de desaceleração este ano. O crescimento de maio foi 0,17% contra um crescimento de 0,44% de abril. Reflexos do aperto monetário promovido pelo governo Federal.

Mesmo assim observa-se um mercado de trabalho competitivo. As empresas ainda apostam em bom desempenho, observam um consumidor com perfil comprador e precisam de bons profissionais.

O que vem ocorrendo é que as empresas não têm mais tempo para formar a mão-de-obra. Até possuem programas de qualificação, mas precisam de profissionais prontos.

Mudaram inclusive a faixa etária na contratação. Se antes buscavam jovens talentosos, hoje buscam pessoas mais maduras. Os “cinquentões” estão em alta.

Além de buscarem profissionais que já entrem nas empresas com desempenho elevado, também querem um profissional que mescle a especialidade com a generalidade, ou seja, é importante ser especialista na área, mas precisam ter uma visão de conjunto, do todo da empresa.

As competências emocionais também são importantes. Profissionais com boa comunicação, sorridentes, éticos e transparentes, são valorizados na contratação e manutenção no emprego.

Outro fator considerado é a atualização do profissional. Cursos de extensão, pós-graduação, domínio de idiomas, informática, entre outros, fazem a diferença na vida profissional.

Na prática empresas e empresários estão em busca de empreendedores. Isso vai além da velha e desgastada relação capital/trabalho. É uma parceria que permite aliar o capitalista, com os empregados hoje considerados associados.

No momento econômico do Brasil é imperativo que os empresários amadureçam, valorizem seus funcionários e criem condições de uma parceria duradoura. De outro lado é imprescindível que os trabalhadores não se acomodem. Devem estar permanentemente em busca do aperfeiçoamento profissional e investindo na carreira.

Em mercado competitivo todos podem tirar proveito.

 

 

 

 

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7 de July de 2011

Caderneta de poupança perde investidores

Category: Economia,Poupança – Reinaldo Cafeo 11:11

 

A velha e conhecida caderneta de poupança sempre foi à preferência nacional. Enquanto nos países de primeiro mundo a poupança de longo prazo é realizada no mercado acionário, aqui no Brasil a caderneta de poupança faz este papel.

É uma modalidade fácil de administrar. Tem elevada liquidez, aceita baixos valores em suas aplicações, tem garantia adicional do Fundo Garantidor de Crédito e ainda é isenta de imposto de renda.

Eu pessoalmente vejo a caderneta de poupança muito mais como uma modalidade que protege o poder de compra do dinheiro do que efetivamente uma aplicação que permita aumentar o patrimônio do investidor ao longo do tempo. Poderia ser considerada uma primeira experiência para quem quer adquirir a cultura do “guardar” dinheiro.

De qualquer maneira o volume aplicado é significativo e os recursos servem de base para os financiamentos imobiliários.

Neste ano o saldo entre depósitos e saques se apresentou negativo. O poupador tem alguns motivos para sacar mais dinheiro do que depositar.

Primeiramente é questão da baixa remuneração da caderneta de poupança se comparada a outras modalidades. O governo tem aumentado a taxa Selic (juros básicos da economia nacional) e a Taxa Referencial (TR) que atualiza os saldos da caderneta de poupança não tem acompanhado este aumento na mesma proporção. Lembrando que a caderneta de poupança rende TR acrescida de 0,5% ao mês.

Quando se trata de valores mais expressivos, os Fundos de investimentos, por exemplo, oferecem rendimento líquido superior a poupança.

Além dos juros mais baixos a tentação em consumir tem aumentado. Isso se dá em duas frentes: a primeira quando o poupador analisa os baixos juros e prefere sacar o dinheiro e comprar e a segunda por que há um novo perfil de consumidor no mercado, sedento por adquirir bens e serviços. O primeiro saca o dinheiro aplicado, o segundo gasta todo o dinheiro não obtendo sobras para poupar.

Pode-se dizer que esse mecanismo faz parte da dinâmica da economia.

Considerando que a postura da maior parte dos poupadores é conservadora, não há demonstração, ao menos no curto prazo, que o saldo negativo deste ano no volume aplicado em caderneta de poupança preocupe exageradamente, contudo, fica registrado o sinal de alerta para uma eventual revisão no critério de remuneração da preferência nacional.

 

 

 

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