Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


30 de June de 2011

DE GASTO EM GASTO…

Category: Brasil,Economia – Reinaldo Cafeo 11:28

 

Os grandes gastos normalmente são acompanhados pelas famílias, contudo, o que pode levar ao desequilíbrio do orçamento doméstico são os pequenos gastos.

Uma pequena compra aqui, outro gasto ali, e quando menos percebeu esses valores somados, acabam representando um valor significativo. Faça as contas e terá uma grande surpresa.

Na prática qualquer que seja o montante, pequeno ou grande, deve ter o mesmo rigor em seu controle por parte das famílias.

Quando as pessoas saem de casa com dinheiro no bolso há uma potencialização dos gastos. O dinheiro “vivo” em quantidade oferece uma sensação de poder de compra e os menos avisados são capazes de gastar muito além do que efetivamente poderiam.

O melhor a fazer é separar somente o volume de dinheiro necessário para aquele dia, a partir de compras programadas.

Por sinal um dos vilões dos gastos supérfluos é exatamente o gasto não programado. Sair de casa para ir às compras sem saber ao certo o que deseja, ou melhor, o que precisa comprar, é um convite ao desperdício.

Todos aqueles que compram o que não precisam, uma hora ou outra terão que vender o que precisam. Produtos sem muita utilidade poucas pessoas desejam adquirir e, se aceitarem comprar, o preço cairá significativamente.

Não quero aqui preconizar que não podemos nos dar ao luxo de comprar uma vez outra um produto que atenda o sonho de consumo, e que devemos ser miseráveis ao ponto de ficar pensando duas vezes antes de tomar um cafezinho, mas é preciso saber em que momento isso pode se dar. Esse momento está diretamente ligado à folga financeira conquistada ao longo do tempo. Em outras palavras: primeiro conquista-se o dinheiro, com ele a folga financeira, depois vem o consumo.

Pessoas que não são capazes de programar pequenas compras, que não possuem o hábito de poupar, são prezas fáceis em um mundo forjado no consumo pelo consumo. Observem que menciono programar pequenas compras e não suspender pequenas compras.

A mídia, o status, o meio social, as “tribos” em que vivemos, são verdadeiros convites ao consumo e para evitar o desequilíbrio financeiro via gasto excessivo e desnecessário é preciso muita disciplina, tendo planejamento e controle.

Se de grão em grão a galinha enche o papo, de gasto em gasto, as finanças do lar atingem o desequilíbrio.

Gastar não é proibido, mas tem que ser com racionalidade.

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22 de June de 2011

Quando a conta não fecha

Category: Economia – Reinaldo Cafeo 18:54

 

Encaixar os gastos no limite a renda, este é um dos maiores desafios para a maior parte da população brasileira.

O salário médio do trabalhador brasileiro é baixo se comparado a outros países que estão no mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil.

Isso leva a um descompasso entre a capacidade de pagamento e a necessidade de compra. É certo que a coisa vem melhorando, mas é certo também que há um longo caminho a ser percorrido até que, na média, todos possam acessar mais produtos e serviços e consigam honrar, em dia, os compromissos assumidos.

Renda menor do que os gastos fazem com que a conta não feche. Quando isso acontece o melhor a fazer é equacionar o problema rapidamente.

O que tenho observado é que as pessoas demoram a agir. Arrumam desculpas, ficam aguardando um crédito futuro, acreditam que no mês seguinte as coisas melhorarão, enfim, enganam a si mesmas. E é a partir deste comportamento que o descontrole financeiro pode tomar dimensões incontroláveis.

Os sintomas são facilmente identificados: começam a utilizar o limite do cheque especial e não conseguem cobri-lo; recebem a fatura do cartão de crédito e pagam somente o valor mínimo; atrasam o crediário; e as coisas se agravam quando não conseguem honrar contas básicas como energia elétrica, água, entre outras.

Na prática as pessoas precisam assumir o comando e ter um comportamento proativo com as finanças do lar. O primeiro passo é adequar o padrão de vida ao limite da renda. Nada adiantará pensar em parcelamento da dívida ou até mesmo na venda de um bem para liquidar pendências financeiras se as pessoas não gastarem dentro do limite da renda.

Cumprindo o primeiro passo, os devedores devem relacionar todas as dívidas, priorizando o pagamento das contas consideradas essenciais (água e luz, por exemplo) e aquelas cuja taxa de juros é elevada, como o cartão de crédito e cheque especial. Se não tiverem recursos para quitar estas dívidas o indicativo é procurarem os credores. Bancos e administradoras de cartão de crédito já oferecem parcelamento automático, com juros que podem chegar à metade dos juros praticados por estas modalidades.

É fundamental que tenham com clareza quanto podem assumir de prestação mensal para colocar em prática esses parcelamentos. Sempre pensando que não adianta parcelar e não conseguir pagar. Isso só adiaria o problema.

Como já colocado, quanto mais tempo demorarem em começar a agir, mais complicado será realizar todos os acertos.

Proatividade esta é a palavra que deve nortear o controle financeiro pessoal.

 

 

 

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16 de June de 2011

Grupo de Devedores Anônimos

Category: Brasil,Finanças – Reinaldo Cafeo 10:40

 

O número chama a atenção: 15 milhões de brasileiros não conseguem pagar suas contas em dia e potencialmente este número pode atingir 50 milhões de pessoas.

Só por esses dados justifica-se a criação de um Grupo de Devedores Anônimos. E ele realmente existe e é conhecido no Estado de São Paulo como D.A. (Devedores Anônimos).

Os grupos formados (há vários no Brasil) trabalham no sentido de identificar o que leva as pessoas a exagerar nos gastos. Alguns compram por necessidade, outros por diversão, alguns por modismo, status e apelo da mídia. Entretanto há muitas pessoas que consomem pelo simples prazer de comprar, sem que analisem a real necessidade em possuir o bem.

O consumo sem critério, exagerado, é sinônimo de doença, conhecida como aneomania, que atinge pessoas que têm como característica comprar de maneira compulsiva. Essa doença é um distúrbio que pode ser considerada obsessivo-compulsiva. Em alguns casos a aneomania vai além do gasto exagerado, sendo acompanhada de outras características como contar objetos sem conseguir parar.

Estima-se que no Brasil haja 3% da população com este distúrbio, que somados aos devedores que não necessariamente possuem a doença, chega-se aos 15 milhões de brasileiros mencionados anteriormente.

As mulheres são a maioria: para cada quatro mulheres um homem sofre da doença. Não há comprovações científicas que esclareçam o porquê de as mulheres serem mais suscetíveis a doença, mas sabe-se que a ansiedade, alteração no humor, álcool e distúrbios alimentares estão associados ao agravamento da doença.

O comportamento desse grupo de pessoas é depressivo, são pessoas que sentem um vazio em seu ser e são muito ansiosas.

Na prática essas pessoas têm o consumo como vício, semelhante ao viciado em álcool ou outras drogas. Enquanto compram, os viciados em consumo têm alívio e sentem um prazer intenso, contudo, logo após as compras, voltam os sintomas aqui descritos.

Muitos sequer sabem que contrariam a doença, mas é fácil identificar: gastam muito, gastam sem nenhum critério e estão endividadas.

Precisam de ajuda psicológica e ajuda do grupo de amigos e familiares, à medida que ainda não há um remédio específico que combata os sintomas da doença.

Não quero ser alarmista, mas indico uma reflexão de como está seu impulso para os gastos. Consegue gastar dentro do limite de sua renda? Paga em dia suas contas? Seu guarda roupas não tem peças em excesso? Consegue ir ao comércio central, no shopping e não se render as compras? Utiliza do consumo para alívio psicológico? São algumas perguntas que dependendo das respostas pode indicar, senão a doença em si, mas se não está no caminho de contraí-la.

O consumo precisa se consciente e dentro do limite que a renda permite. Se de um lado tudo nos leva a gastar cada vez mais, de outro lado temos que assumir o controle do dinheiro e estabelecer os nossos limites.

Fique atento ao comportamento de consumo e trabalhe preventivamente.

 

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10 de June de 2011

Status: para que serve mesmo?

Category: Sem categoria – admplaneta 10:15

 

Quando menciono a palavra status (do latim: estado ou condição ou grau elevado de distinção e prestígio social) me vem à mente os produtos que são reconhecidos pelos consumidores como diferenciados.

A sociedade moderna passou a dar uma importância cada vez maior a esses produtos. Os adolescentes, na maioria das vezes influenciados pelo meio social, não abrem mão do consumo de produtos “de marca” para que sejam aceitos ou até mesmo reconhecidos no meio em que vivem. São exemplos desses produtos: tênis, roupas, acessórios, entre outros.

Tenho observado, por exemplo, famílias com dificuldades em pagar integralmente a fatura do cartão de crédito, porque as compras que realizam, boa parte para sustentar o status familiar, comprometem todo o orçamento familiar.

Operam com um nível de gastos incompatível com a renda auferida. Não adequaram o padrão de vida.

Do que adianta ostentar um produto de marca se o que está em jogo em honrar os compromissos financeiros em dia?

Perdem qualidade de vida por se equivocarem na percepção da vida. Invertem os valores, admitindo que a aceitação no grupo social se dê em função de seu poder aquisitivo, nos bens materiais que possuem, e não pelo que são verdadeiramente.

Não quero aqui preconizar que o consumo destes produtos de marca deva ser abandonado. Não é esta a questão. O que não é aceitável é valorizar demasiadamente estes produtos. É como se, para algumas pessoas, o fundamental da vida girasse em torno do possuir, do ter e ter cada vez mais, custe o que custar.

Felizmente observo, mesmo que timidamente, a valorização do simples. Casais estáveis, com filhos centrados na essência da vida, que consomem sim, mas com critério, dentro do limite imposto pela renda, sem ostentação, estão começando a se destacar na sociedade.

Considerando que os filhos em sua maioria, são reflexos das atitudes dos pais, cada um de nós deve redobrar a atenção para reproduzirmos um modelo que valoriza o fácil, o agora, o ter.

Esta mudança de geração, que deixou de ser pai e mãe no estilo antigo, mais autoritários e passou a conviver com os filhos se colocando mais como “amigos”, precisa refletir sobre os limites que desta abertura.

Sustentar o dia-a-dia do consumo em um conto de fadas, fora de qualquer realidade financeira, é perder qualidade de vida.

Afinal, para que serve o status mesmo?

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2 de June de 2011

Cartão de Crédito: use racionalmente

Category: Economia – Reinaldo Cafeo 11:13

 

Entraram em vigor as novas regras do cartão de crédito. O pano de fundo das mudanças é sinalizar ao consumidor final que ele precisa ter maior controle sobre seus gastos.

Na prática o cartão de crédito potencializa o poder de compra do consumidor. Ao estabelecer um limite de crédito bem superior à renda mensal, a administradora do cartão de crédito está induzindo o consumidor a gastos além de suas possibilidades em honrar.

O que se observa são pessoas endividadas, rolando a dívida a juros que podem atingir mais de 240% ao ano.

O uso racional é o mais indicado. Os gastos de uma forma geral precisam ser planejados. O primeiro parâmetro para o planejamento das contas é a renda. Quem ganha R$ 1.000,00 não pode e não deve gastar além deste valor. Por sinal o recomendável é gastar no máximo 80% deste valor nas contas mensais.

Outros parâmetros devem ser considerados. Inicialmente ter clareza quanto aos gastos fixos mensais. São os gastos que qualquer família tem que honrar mensalmente, tais como: aluguel, conta de energia, conta de água, manutenção da casa, gastos com alimentação, condomínio, mensalidade escolar, entre outros. Esses gastos têm históricos, portanto, são conhecidos antecipadamente mesmo que sofram pequenas variações a cada mês.

Há outros gastos sazonais os esporádicos. Por exemplo: IPTU, conserto do carro, gastos com viagem, entre outros.

O conhecimento do montante envolvidos nestes dois grandes grupos de gastos permite ao consumidor saber antecipadamente qual o comprometimento de sua renda mensal.

Considerando que surgem outras necessidades de outros gastos, como roupa, presentes, etc., evidentemente que o consumidor ao saber exatamente quanto sua renda está comprometida será mais cauteloso na hora de efetuar novas compras.

Toda esta dinâmica de gastos, como já colocado, é potencializada com uso sem critério do cartão de crédito. Isso ocorre porque além de o consumidor ter a renda como referência, ele ainda terá o limite de crédito estabelecido pela operadora.

Isso de certa maneira ocorre com o uso do cheque especial. O que vem acontecendo é que o consumidor trocou o limite desta modalidade de crédito pelo limite do cartão. Trocou um ruim por um péssimo.

Para garantir o pagamento integral da fatura e evitar pagar os escorchantes juros do cartão gaste no máximo 50% de sua renda, desde que parte dos gastos fixos esteja equacionada.

Quer se convencer do uso racional do cartão? É fácil, calcule quantas horas você terá que trabalhar para pagar os juros da rolagem da dívida do cartão.

As novas regras são importantes e ajudam a induzir o consumidor ao controle dos gastos, contudo, somente com vontade em mudar o comportamento diante dos gastos, assumindo o controle de sua vida financeira é que efetivamente a coisa funcionará.

Aproveite o momento para organizar suas finanças pessoais.

 

 

 

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