28 de April de 2011
O mundo todo observa quebra de paradigmas, buscando novos referenciais. No contexto das potências mundiais sempre avaliávamos os Estados Unidos como imbatíveis, como economia de risco zero, mas o que observamos é uma nova leitura sobre o desempenho econômico americano, rebaixado pelas agências de avaliação de risco.
Quando do lançamento do Euro a leitura é unânime: este é um modelo a ser seguido. As crises vivenciadas por boa parte dos países que compõem a zona do Euro se encarregaram de colocar em dúvida se é o melhor modelo.
Outras referências mundiais como o Japão entre outros também são questionadas.
Os países emergentes, compostos pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e agora se aproximando a África do Sul) são aqueles que demonstram maior vigor neste momento, com excelentes perspectivas. Até mesmo a cadeira de presidente do Fundo Monetário Internacional pode ser assumida por um representante dos emergentes, no caso, a China.
No contexto empresarial aceitávamos produtos com qualidade razoável, hoje o consumidor deseja defeito zero. A prestação de serviços podia se realizada de maneira a atender parte das expectativas dos clientes, hoje, como novo paradigma, é satisfação total do cliente ou nada feito.
Havia nas empresas o comandante pensador e único dono da verdade: atualmente a gestão é voltada para a causa e efeito.
O acionista era o centro dos negócios, em busca de resultados a qualquer custo, hoje somos sabedores que o soberano na empresa é o cliente, este que traz receita e sustenta financeiramente a empresa, e que os colaboradores devem ser priorizados, pois são eles a interface da empresa com este gerador de riquezas para as organizações.
Já vivemos a era do chefe, hoje, líder. O empregado ganha status de associado.
Defeito zero, melhoria constante, não apego a modelos, sistemas abertos, inversão da pirâmide hierárquica, são expressões e práticas cada vez mais comuns nas organizações vencedoras. Quem leu o Monge e o Executivo de James Hunter deve ter absorvido as lições da liderança positiva e como ele aborda estas questões de quebra de paradigmas, e a necessária busca de novas referências.
O século XXI indica exatamente esta perspectiva: a única certeza que temos é que as coisas mudarão.
O desafio é adequar a velocidade destas mudanças com a capacidade de realizá-las, mas aí surge um novo paradigma: planejar a qualquer custo.
O moderno indica: nas relações negociais ou se pratica o ganha/ganha ou nada feito. O tempo de profissionais “meia boca” (tanto empresário, como associado) já foi, portanto, ou há retorno e se pratica a parceria, ou não haverá espaço para crescimento da empresa e do próprio crescimento profissional.
Os paradigmas estão aí para ser quebrados, é preciso de capacidade para identificá-los e coragem para mudar. Todos devem estar abertos a novos referenciais.
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13 de April de 2011
Depois de mais de uma década e meia do lançamento do Real o Brasil ainda convive com o fantasma da indexação nos preços.
O país observou anos a fio uma inflação nas alturas, atingindo em meados dos anos 1980 a absurda marca de 70% ao mês.
Ocorreram inúmeras tentativas no sentido de derrubar e estabilizar os preços no Brasil, como congelamentos de preços e salários, confisco de recursos, entre outras, mas a inflação sempre voltou e cada vez mais robusta.
Após os fracassos dos Planos Cruzado (1 e 2), Plano Bresser, Plano Verão e Plano Collor (1 e 2), o Plano Real conseguiu estancar a inflação brasileira por ter atacado, finalmente, as principais causas da inflação no Brasil. Na prática, a estabilidade de preços e em seguida o crescimento sustentado, se dariam em três pilares: equilíbrio das contas públicas, a eliminação da indexação dos preços e as reformas estruturais.
O Fundo Social de Emergência, mais tarde a lei de responsabilidade fiscal e prática de uma política fiscal apertada, que combinou elevação da carga tributária, com maior controle dos gastos públicos e a política de metas de inflação, permitiram cumprir em parte o primeiro pilar da estabilidade.
O segundo pilar foi combatido com a introdução da URV (Unidade Real de Valor) que depois virou a própria moeda brasileira, o Real. Sem congelamentos e dentro de uma engenharia financeira bem conduzida o país conseguiu se livrar da inércia da inflação promovida pela indexação, ou seja, a reprodução da inflação passada para os preços futuros.
O terceiro pilar pouco andou, mas a austeridade nas políticas fiscal e monetária garantiu preços comportados neste período.
A introdução da URV eliminou a inércia da inflação, mas não a indexação por completo. Aluguéis são reajustados anualmente tomando como base índices de preços. Os salários, tanto públicos como privados são discutidos anualmente. O salário mínimo tem dinâmica própria que leva em conta a inflação passada e o crescimento da economia. Tarifas de energia, telefonia, pedágio, entre outras são reajustadas pela inflação passada. Planos de saúde, idem. Enfim, durante o ano, há inúmeros reajustes indexados.
Neste período a indexação não chamou tanto a atenção devido ao controle dos preços dentro da meta de inflação. Agora a coisa está diferente.
O índice de inflação oficial está acima de 6% ao ano se considerados os últimos 12 meses. Vale lembrar que o limite máximo é de 6,5%. O IGP-M, preferência dos credores, está acima de 10% ao ano. O salário mínimo deverá ser reajustado em 2012, pelas regras atuais, acima de 13%. As tarifas seguirão a mesma toada.
Está mais que evidente que a inércia inflacionária voltou. Estima-se que mais de 40% dos preços no Brasil ainda seguem a lógica aqui descrita.
Isso posto fica evidente que utilizar as políticas fiscal e monetária apertadas não resolverão o problema da inflação, fato este já observado na história de combate inflacionário no Brasil.
Talvez seja necessária uma nova interferência do governo, semelhante ao praticado no Plano Real, revendo toda a lógica dos reajustes anuais automáticos. Se de um lado os reajustes anuais estabelecem um padrão que pode até proteger o consumidor, de outro lado impõe, em condições de inflação em alta, o ônus maior que é a perda do controle dos preços.
Preços livres são mais indicados e agências reguladoras fortes, independentes e autônomas, cumprindo seu papel, podem ser as guardiãs das boas práticas no mercado. Isso sem falar em acordos setoriais, políticas de importação, entre outras.
É preciso exorcizar o fantasma da indexação. Em início de governo, cria-se ambiente favorável a mudanças.
7 de April de 2011
O Brasil pode ser considerado a bola da vez para o capital estrangeiro. Sua democracia se consolida dia a dia. Possui um mercado consumidor em crescimento, como, por exemplo, a classe média brasileira, que tem se tornado cada vez mais robusta. O país atrai capital estrangeiro para o setor produtivo.
Não bastassem estes atrativos o país pratica a maior taxa de juros do mundo. Tem pautado a condução da política econômica em posição muito conservadora, com ajustes fiscais e política monetária apertada. Rações mais do que suficientes para incentivar a entrada maciça de dólares no país.
Com forte oferta de dólares, sem que haja demanda proporcional, a cotação da moeda norte-americana cai, tudo isso potencializado pela própria depreciação do dólar no mundo todo.
Medidas internas de desvalorização do Real no curto prazo são inócuas. É o que se chama de enxugar gelo. Aumenta o ingresso de dólares no mercado doméstico e o governo tenta segurar a cotação, atuando no mercado com oneração, eventualmente com compras de dólares, emissão de títulos cambiais, entre outras ações, mas os atrativos internos são muito superiores a capacidade de reação do governo.
O indicativo é construir uma série de ações que permita ao país, no âmbito do comércio exterior, não depender somente do preço da moeda estrangeira. É que podemos chamar de ações de médio e longo prazos.
O exportador brasileiro quer retorno quando coloca seus produtos lá fora. Se para cada dólar exportado recebe cada vez menos reais, é evidente que os outros custos de produção devem ser atacados, isso sem contar que as empresas precisam trabalhar no que se chama agregação de valor aos produtos.
Estamos falando de competitividade. O custo de produção no Brasil é muito elevado. A mão de obra é cara e os encargos sociais são exorbitantes, tendo que conviver ainda com baixa produtividade. Os custos de transportes são elevados. Com foco forte no transporte rodoviário a riqueza do país é transportada em estradas precárias, que gera excesso de desgaste dos caminhões. Os combustíveis são absurdamente caros e o frete dispara. Com aeroportos e portos obsoletos não há velocidade no envio e recebimento de mercadorias. Faltam armazéns, e o excesso de burocracia em todos os setores deixam o país fora do ranking dos países competitivos.
No âmbito do produto o país tem pauta de exportação fraca, privilegiando os produtos básicos, in natura, se apresentando, com raríssimas exceções, como presa fácil no comércio internacional.
Os juros internos também precisam convergir para patamares praticados por países emergentes como o nosso, os quais têm suas taxas básicas fixadas em praticamente 50% da taxa brasileira.
Como as decisões de hoje impactarão no futuro, se o governo não agir na direção do equacionamento destas questões, nortearemos o debate cambial em cima da cotação do dólar e deixaremos o foco central, que é a mudança estrutural, em segundo plano, com lamentações de toda ordem.
Seria mais prudente aproveitar o dólar baixo para conter as altas de preços importando seletivamente produtos que estão com a oferta e procura desequilibrados, incentivando
inclusive a renovação do parque industrial nacional, do que continuar tentando combater o incombatível.
Cá entre nós: enxugar gelo é insano.
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