Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


31 de March de 2011

IGP-M desacelera, mas ainda é elevado

Category: Carga Tributária,Economia – Reinaldo Cafeo 9:59

O primeiro índice de inflação divulgado, o IGP-M, referente ao mês de março ficou em 0,62%. Mesmo apontando para queda em relação a fevereiro (que foi de 1,0%) no acumulado em 12 meses o índice está acima de 10%, mais precisamente em 10,95%.

Este é o patamar para início de negociação para, por exemplo, os contratos de aluguéis, preferência dos proprietários de imóveis.

Vale lembrar que apesar de o índice referir-se a março, sua metodologia de cálculo leva em conta levantamentos de preços entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual, ou seja, neste período foram coletados preços de 21 de fevereiro a 20 de março, portanto, capta somente parte da inflação deste mês. Fazem isso para que o mercado tenha um parâmetro logo na virada do mês.

De janeiro até março a inflação acumulada é de 2,43%.

Para atingir o resultado de 0,62% no mês de março, o IGP-M teve como base três outros índices: O IPA (Índice de Preços por Atacado) que tem peso de 60%; o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) que tem peso de 30% e o INCC (Índice Nacional da Construção Civil) que tem peso de 10%.

O IPA registrou desaceleração ficando em 0,65% contra o 1,2% de fevereiro. O IPC atingiu 0,62% (foi 0,67% em fevereiro) e o INCC ficou em 0,44% contra 0,39% do mês passado.

Alguns exemplos de variação de preços: custo da mão-de-obra na construção civil subiu 0,27%; materiais, equipamentos e serviços ligados à construção civil subiram 0,60%; gastos com educação cresceram 0,18%; transportes 1,15%; tendo alguns preços recuados significativamente, como foi o caso de passagens aéreas que ficaram 9,28% mais baratas do que o mês passado. Ainda o grupo alimentação continua pressionando os preços. Este grupo observou elevação de 0,69%. O grupo vestuário também teve alta significativa: subiu 0,78%.

Observem que se analisarmos somente o mês de março, poderíamos concluir que a inflação está gradativamente perdendo fôlego, contudo, um patamar acima de 10% no acumulado em 12 meses, forçará novos aumentos para o mês que vem, indexando parte dos preços da economia, pois, além de reajustar aluguéis, o IGP-M reajusta tarifas, entre outros preços da economia.

A indexação não será combatida com juros altos e tampouco com restrição ao crédito. Sua inércia provoca por si só novas altas de preços. Atualmente cerca de 15% dos preços da economia sofrem alguma influência dos reajustes automáticos provocados por esta indexação.

O indicativo é buscar alternativas para o combate da inflação saindo principalmente da já cansativa decisão de conter o crédito, elevando os juros por exemplo.

Se não atacarem a cadeia produtiva, com ações que mexam na estrutura de mercado, com o governo efetivamente cortando seus gastos, eliminando desperdícios, ficaremos sempre atenuando as consequências, sem mexer nas causas.

Poderiam mudar a forma de conduzir a política econômica do país, homenageando o recém-falecido ex-vice-presidente José Alencar, forte defensor da queda dos juros no Brasil.

Quem sabe a equipe econômica atual se sensibilize.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr

25 de March de 2011

As agências reguladoras

Category: Brasil,Economia – Reinaldo Cafeo 15:41

A discussão no Brasil a cerca de limitar a atuação do Estado na economia se deu ao final dos anos de 1980. O denominado Consenso de Washington indicou que economias emergentes, como a brasileira, precisavam transferir à iniciativa privada atividades econômicas, se concentrando em questões voltadas para o social, reduzindo assim seu tamanho e sua intervenção na economia.

O processo de privatização veio no vácuo da mudança da maneira de o Estado atuar na economia: sai o Estado interventor, entra o Estado regulador.

Não entrando no mérito dos resultados alcançados com esta mudança, as agências reguladoras exerceriam, como exercem, papel fundamental no sentido de garantir o bom funcionamento do mercado. Foram criadas para fiscalizar e regular os setores que atuam.

Ao permitir que o setor privado atue em setores fundamentais para o país como telecomunicações, energia, aviação, vigilância sanitária, saúde suplementar, petróleo e transportes, o governo através dessas agências reguladoras passa a exercer papel importante, para que, em última instância, não prevaleça a prática do abuso do poder econômico.

Neste contexto espera-se que as agências reguladoras cumpram seu papel de maneira transparente e isenta.

Infelizmente pelo noviciado brasileiro, posto que em países como os Estados Unidos as agências reguladoras são realidade desde o início dos anos 1900, essas agências no Brasil estão transcendendo sua atuação. Querem, inclusive, ditar normas, o que não é seu papel e, o que é pior, não cumprem sequer as suas atribuições.

Além da exagerada intervenção (observem a contradição) as agências reguladoras ainda são utilizadas politicamente. As nomeações são verdadeiros cabides de emprego e nem sempre tão isentas como é desejável.

Visando mudar a forma de atuação das agências o governo de Dilma Rousseff pretende limitar o poder das mesmas. De um lado houve ao longo desses últimos anos houve um corte orçamentário na ordem de R$ 5,3 bilhões, racionalizando seus gastos e de outro lado o governo prepara uma série de medidas no sentido criar uma lei geral das agências, indo ao encontro da limitação de poder e de atuação já mencionada.

Ficou de fora neste momento a forma política de nomeações, à medida que a intenção do governo é tirar o poder dos partidos e não do próprio governo, contudo, é positiva a intenção de rever a forma de atuação.

De pouco adiantará desejar uma economia de mercado em um país com exagerada concentração de atuação de alguns setores, se não houver agências reguladoras que sejam independentes e cumpram seu real papel.

É preciso ter coragem para mexer em estruturas viciadas. Se o projeto atual não é o ideal, vale ao menos registrar que algo será feito para mudar o atual formato, e isso por si só já é positivo.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr

10 de March de 2011

O ano começa agora?

Category: Brasil,Economia – Reinaldo Cafeo 11:30

Será que a velha máxima que indica que o ano só se inicia após o carnaval é verdadeira? Penso que não.

O ano começou a todo vapor. Nova Presidente da República, posse dos políticos eleitos no ano passado e muitas discussões políticas.

No ambiente econômico o ano iniciou com pressão sobre os preços. Com receio de perder o controle da inflação o governo cortou gastos, aumentou a taxa de juros básica e centra esforços em conter a demanda interna.

Além destes aspectos vieram IPVA, IPTU, matrícula escolar, material escolar, fatura do cartão de crédito das férias e gastos de final e início de ano.

No ambiente externo conflito do Egito e Líbia entre outros. Barril do petróleo ultrapassando US$ 100.

As atividades escolares já tiveram início e o conteúdo desenvolvido em sala de aula já se acumulam.

Quem pensa que o ano só começa agora está muito enganado. Os fatos estão presentes e vida segue firme e intensa.

Já encontro colegas que se sentem cansados, com se já estivessem no final do ano.

É o preço de fazer parte da engrenagem do mundo moderno. É aquela história que se parar de pedalar a bicicleta cai. Uma verdadeira roda viva.

No ambiente empresarial as projeções para o ano já esta revistas e quem esperou chegar neste momento para dar um rumo diferente aos negócios, está muito atrasado.

Na prática não há mais espaço para vincular o realizar, o tomar atitudes, o fazer diferença, em datas específicas.

Da mesma maneira que a internet abriu um mundo de possibilidades, 24 horas por dia, 30 dias no mês e 365 dias no ano, a rotina de trabalho, de decisões e realizações deve acompanhar este ritmo.

Foram mais de 68 dias muito intensos e que deram o tom dos grandes desafios que enfrentaremos neste ano, tanto no particular como no coletivo.

Se você está entre aqueles que apostaram no início do ano a partir de agora terá que criar condições de se alinhar com aqueles que se tocaram o ano começou e faz tempo.

De qualquer maneira não custa nada desejar um feliz ano novo, afinal, desejar coisas positivas não tem data específica. Então, feliz ano novo a todos!

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr

3 de March de 2011

O fortalecimento da Classe C

Category: Cenário – Reinaldo Cafeo 10:31

Os números envolvendo a classe C brasileira são impressionantes. São mais de 90 milhões de brasileiros que pertencem a essa classe social e estão fazendo a diferença no consumo brasileiro.

Com nível de renda entre R$ 1.500,00 e R$ 5.100,00 esses consumidores que já ampliaram seus gastos em computadores e eletrodomésticos e agora ampliam seus gastos em higiene e beleza.

Creme facial observou crescimento no consumo na ordem de 161%; maquiagem crescimento de 67%, creme dental 34% e desodorante 28%. O período analisado foi de 2003 a 2010, sendo que a pesquisa foi realizada pelo instituto Data Popular.

Empresas que investiram no segmento estão registrando resultados consideráveis. Evidentemente que essas empresas não apostaram somente no aumento da renda dos consumidores. Estabeleceram estratégias para conquistar estes clientes. Reduziram preços, treinaram equipe, entenderam os anseios dos consumidores e melhoram seus canais de distribuição.

Como qualquer outro consumidor, estes emergentes da classe C, querem atenção e reconhecimento, e quando encontram estes atributos nas empresas vendedoras, fidelizam.

Na prática não adianta atuar no mercado sem entender o que se passa na mente dos consumidores. Empresas vencedoras em qualquer segmento elaboram estudos, treinam suas equipes e se convencem do óbvio: o soberano consumidor precisa ser encantado. Este encantamento se dá por aquele que estabelece o primeiro contato com este consumidor: o funcionário que agora deve ganhar status de associado. O raciocínio é simples: quem traz receita para a empresa é este consumidor e ele precisa ser valorizado e quem o atende é o associado, ex-funcionário.

Tenho observado que muitas empresas se voltam para o ambiente interno. Se perdem em reuniões intermináveis e ficam incomodados quando o “chato” do cliente os abordam. Tentam analisar as melhores estratégias de marketing, gastando verdadeiras fortunas na divulgação de suas marcas e produtos, e se esquecem do mais simples: atender bem seus consumidores, aquele “chato” que lhe garante o dinheiro para realização de seu lucro.

O apetite da classe C é só um exemplo do tamanho do mercado a ser explorado. Neste particular não é possível aceitar que haja uma análise superficial, colocando inclusive culpa nesta classe social pelo aumento da inflação. Muitos preços caíram e se algum aumentou, foi por pura falta de estratégia das organizações empresariais. Chegou à vez daqueles que ficaram fora do mercado do consumo, portanto, aceitemos este fato, e que a condução da política econômica brasileira, caminhe no sentido de permitir a realização dos sonhos de consumo de milhões de brasileiros que passaram anos a fio chupando o dedo.

A classe C está fortalecida e isso muito positivo para economia nacional, sendo de sinônimo de acessão social.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr