Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


24 de January de 2011

Câmbio, juros, inflação e as represas que transbordam

Category: Economia – Reinaldo Cafeo 9:44

A taxa de câmbio no Brasil não decola. Mesmo com inúmeras ações na direção de forçar a elevação do preço da moeda norte-americana, o que se observa é um dólar oscilando em torno de R$ 1,70.

Há uma grande preocupação com balança comercial à medida que os exportadores brasileiros sofrem pressão pelo aumento dos custos internos e não conseguem mais Reais por cada dólar exportado. Em outras palavras: passaram do limite no tocante a enxugamento de custos e ganhos em produtividade. A falta de margem para manter exportações tem derrubado o saldo comercial brasileiro, que observa, no sentido contrário, um aumento no volume de importações.

Com isso a previsão de um déficit na ordem de US$ 50 bilhões em transações correntes para este ano deve se concretizar.

Na outra ponta está a preocupação com a inflação. O governo brasileiro age no câmbio, mas está de olho no controle dos preços. Uma das formas de controlar a inflação é segurar a demanda doméstica através de política monetária restritiva. Entre as medidas adotadas está a manutenção de juros altos. Juros altos são capazes de derrubar preços internamente, mas se apresentam como mais um ingrediente para atração do capital estrangeiro.

Mais capital estrangeiro ingressando no país a cotação do dólar fica baixa, gerando um ciclo vicioso estabelecendo uma verdadeira luta diária entre o Banco Central do Brasil e o mercado.

Do ponto de vista da inflação, e somente neste ponto de vista, um dólar barato ajuda a segurar os preços. Trazendo produtos importados mais baratos se estabelece uma nova referência de preços por comparação e a inflação é controlada mais facilmente.

Observaram as amarras? Tudo isso porque o governo foi incapaz até o presente momento de atacar as causas do problema, sendo a mais séria o exagero nos gastos públicos. Só para exemplificar, no ano passado o governo Lula aumentou os gastos em custeio na ordem de R$ 98 bilhões, dos quais, praticamente 90% foram canalizados para os salários do funcionalismo público. São gastos que não têm volta, gerando necessidades adicionais de arrecadação por parte do governo.

Com um novo governo, mesmo se apresentando como continuidade do governo anterior, gera-se a expectativa que as causas sejam atacadas e que seja minimizada a necessidade de amarrar o setor privado com juros elevados e carga tributária excessiva para controlar os preços.

Semelhante as represas que ficam no limite nessa época de chuvas e, em determinado momento transbordam, monitorar a economia atacando somente as conseqüências do problema pode levar o país a não sustentar seu crescimento, penalizando a sociedade como um todo.

Como já colocado, com novo governo espera-se nova prática.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr

Pagamento do IPVA: não há motivos para ser no início do ano

Category: Economia – Reinaldo Cafeo 9:43

Todo início de ano é a mesma coisa: o cidadão se depara com inúmeros compromissos financeiros.

Primeiramente vêm os gastos acima da média de final de ano e que se acumulam para janeiro. Em seguida tem que honrar a matrícula escolar e comprar material escolar. Entidades profissionais também lançam suas anuidades para o início do ano. Somam-se a tudo isso o IPTU e as despesas normais do mês e para os proprietários de veículos tem ainda o IPVA.

Talvez não tenhamos nos questionado do porque existir tanta pressão sobre os gastos no início de ano.

Entre todos os gastos um dos mais pesados é o IPVA. No estado de São Paulo além de cobrar a maior alíquota do país para os veículos de passeio (4% sobre o valor de mercado do veículo) o pagamento parcelado ou cota única com desconto tem que ser feita em janeiro.

Da arrecadação do IPVA 50% fica no município e o restante é canalizado ao governo do Estado. A pergunta é: qual o tipo de pressão financeira que o Estado e Municípios observam para esta verdadeira “sede” de arrecadação logo no início do ano?

Mesmo que houvesse pressão financeira, uma diluição planejada nos compromissos orçamentários desses entes públicos poderia facilitar a vida dos contribuintes.

Poderiam oferecer a opção de pagamento em mais parcelas ou ainda iniciar o pagamento a partir do segundo trimestre do ano.

Avalio que a arrecadação aumentaria, à medida que com mais tempo para assimilar os gastos de início de ano o contribuinte não ficaria inadimplente.

Um cidadão com boa saúde financeira mantém seus compromissos em dia no comércio e com os inúmeros prestadores de serviços. Sem pressão do IPVA a inadimplência nestes setores cairia.

Tenho observado que o cidadão comum quando assume um cargo público se esquece que está a serviço da comunidade e que suas decisões no tocante a arrecadação tributária estão sem sintonia com o anseio popular.

É chegado o momento de forte mobilização popular, demonstrando o inconformismo com este estado de coisas.

Há muita gente se endividando, pagando juros exorbitantes no cheque especial e cartão de crédito visando manter seus compromissos em dia, sendo inaceitável mais pressão vinda do setor público.

Que nossos representantes legais tenham a sensibilidade em alterar a legislação no tocante ao IPVA e que para o ano que vem seja implantado novo plano de pagamento, que permita diluir o impacto financeiro no bolso das pessoas.

Efetivamente não há motivos para que o vencimento do IPVA seja no início do ano.

Todo início de ano é a mesma coisa: o cidadão se depara com inúmeros compromissos financeiros.

Primeiramente vêm os gastos acima da média de final de ano e que se acumulam para janeiro. Em seguida tem que honrar a matrícula escolar e comprar material escolar. Entidades profissionais também lançam suas anuidades para o início do ano. Somam-se a tudo isso o IPTU e as despesas normais do mês e para os proprietários de veículos tem ainda o IPVA.

Talvez não tenhamos nos questionado do porque existir tanta pressão sobre os gastos no início de ano.

Entre todos os gastos um dos mais pesados é o IPVA. No estado de São Paulo além de cobrar a maior alíquota do país para os veículos de passeio (4% sobre o valor de mercado do veículo) o pagamento parcelado ou cota única com desconto tem que ser feita em janeiro.

Da arrecadação do IPVA 50% fica no município e o restante é canalizado ao governo do Estado. A pergunta é: qual o tipo de pressão financeira que o Estado e Municípios observam para esta verdadeira “sede” de arrecadação logo no início do ano?

Mesmo que houvesse pressão financeira, uma diluição planejada nos compromissos orçamentários desses entes públicos poderia facilitar a vida dos contribuintes.

Poderiam oferecer a opção de pagamento em mais parcelas ou ainda iniciar o pagamento a partir do segundo trimestre do ano.

Avalio que a arrecadação aumentaria, à medida que com mais tempo para assimilar os gastos de início de ano o contribuinte não ficaria inadimplente.

Um cidadão com boa saúde financeira mantém seus compromissos em dia no comércio e com os inúmeros prestadores de serviços. Sem pressão do IPVA a inadimplência nestes setores cairia.

Tenho observado que o cidadão comum quando assume um cargo público se esquece que está a serviço da comunidade e que suas decisões no tocante a arrecadação tributária estão sem sintonia com o anseio popular.

É chegado o momento de forte mobilização popular, demonstrando o inconformismo com este estado de coisas.

Há muita gente se endividando, pagando juros exorbitantes no cheque especial e cartão de crédito visando manter seus compromissos em dia, sendo inaceitável mais pressão vinda do setor público.

Que nossos representantes legais tenham a sensibilidade em alterar a legislação no tocante ao IPVA e que para o ano que vem seja implantado novo plano de pagamento, que permita diluir o impacto financeiro no bolso das pessoas.

Efetivamente não há motivos para que o vencimento do IPVA seja no início do ano.

Gostou? Compartilhe!
  • E-mail this story to a friend!
  • Print this article!
  • Google
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • LinkedIn
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • Live
  • Ping.fm
  • Pownce
  • Technorati
  • Digg
  • Tumblr