Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


24 de junho de 2010

A copa rola e o governo age!

Categoria: Brasil – Reinaldo Cafeo 15:59

Eu pessoalmente gosto muito da copa do mundo. Reúno a família, os amigos, mudo à rotina e, apesar da queda da produtividade, aproveito o momento. Em quatro e quatro anos, podemos nos dar ao luxo de abrir mão de parte do dia e do trabalho.

Até aí sem problemas. Acontece que, paralelamente a copa do mundo, o governo age. O Banco Central recentemente elevou a taxa básica de juros de 9,5% para 10,25% ao ano e quase não houve repercussão junto aos agentes econômicos. A imprensa explorou pouco a decisão e até mesmo o meio empresarial, normalmente com avaliações mais críticas, se omitiu.

Também neste ambiente de copa os aposentados tiveram a aprovação do reajuste de 7,72%, mas o Presidente Lula vetou o fim do fator previdenciário, também com pouca repercussão.

No vácuo da copa foi aprovado o reajuste aos funcionários da Câmara Federal, com aumentos fora de qualquer padrão e pouco se falou.

Além da perda de foco nas questões mais importantes, o governo continua a retirar recursos importantes da sociedade. Por exemplo, em maio, a arrecadação cresceu 16,5% em relação a 2009, sendo recorde para o mês. Atingiu R$ 61 bilhões. Valor expressivo.

Isso permite ao governo atuar, no que podemos denominar de zona de conforto. Os gastos poderão ser mantidos ou até mesmo crescer, contudo, gastos em rubrica errada, ou seja, custeio, quando os gastos em investimentos é que geram riqueza ao país. Em vez de maiores gastos seria importante desonerar a produção e o consumo, mas isso é pedir demais.

Copa, alegria, curtição, vivência com amigos e família, tudo dentro do contexto, mas deixar de lado o senso crítico, e aceitar que as mesmas práticas do passado, notadamente, quando vivíamos um período de exceção, é no mínimo sermos coniventes com um Estado pouco produtivo e gastador por excelência.

Torcer pelo Brasil sim, mas de olho no ambiente econômico e político, com muita vigilância.

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17 de junho de 2010

Sindicatos: é hora de profissionalizar

Categoria: Sindicato – Reinaldo Cafeo 18:26

Os sindicatos, tanto patronal como de empregados, exercem importante papel na histórica relação capital/trabalho.

Podemos até afirmar que no Brasil engatinhamos na atuação sindical, afinal, a época da ditadura militar das décadas de 1960 e 1970 se incumbiu de limitar a atuação dos trabalhadores na articulação junto a seus pares.

Com a redemocratização brasileira a atuação sindical voltou fortemente, culminando, inclusive, com a eleição de Lula (entre outros líderes sindicais), expoente máximo da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Tudo isso aconteceu em 30 anos aproximadamente, bem diferente do acontece no resto do mundo. Somos novos nesta prática.

Isso tudo é fato, mas também é fato que os sindicatos patronais avançaram na direção de uma maior profissionalização de seu quadro funcional, enquanto os sindicatos dos trabalhadores, nem tanto.

São eleitos, legitimamente, representantes dos trabalhadores, através do voto, contudo, para muitos, atuarem sindicalmente virou meio de vida. São líderes junto a seus pares, mas isso não é sinônimo de competência administrativa, de boa comunicação e acima de tudo de estratégia de longo prazo.

Raramente há um bom interlocutor e até comunicador quando da atuação em campanhas salariais e outros momentos de negociação com os patrões.

Até mesmo em questões econômico-financeiras são cometidos erros básicos, como cálculos de reposição de inflação, o conceito de ganho real, entre outros. Alguns sindicatos já avançaram contratando especialistas na área, mas são poucos que têm esta prática.

Quero dizer que a gestão dos sindicatos deve contar com profissionais, próprios ou terceirizados, que sejam capazes de oferecer a base técnica para discussões que não têm como não ser políticas.

Traduzir em números o que se deseja em termos de reajuste, com o devido alicerce técnico, comunicar com a mídia de maneira a ser entendido, alicerçar juridicamente os pleitos e acima de tudo saber envolver e comprometer os trabalhadores que representam, deveriam fazer parte da estratégia macro das Entidades. É o conceito de proatividade. O que se observa que alguns sindicatos é que só reagem e não proagem.

É hora de oxigenar a mente dos sindicalistas e isso não quer dizer necessariamente renovar seu quadro, que poderia até ocorrer, mas é acima de tudo, oxigenar a forma de pensar e agir, entrando nas discussões, mesclando o espírito guerreiro e articulador dos líderes sindicais, com embasamento técnico, que lhes permitam ir aos embates, quando forem necessários, no mínimo de igual para igual.

Tenho insistido na frase de James Hunter no livro o Monge e o Executivo: “se continuar fazendo as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados, é preciso fazer diferente para colher diferente”.

Se efetivamente os sindicatos querem colher mais e avançar em sua representatividade, é preciso exercitar a autocrítica e acima de tudo estar aberto ao novo.

Um bom e alicerçado planejamento estratégico da Entidade Sindical já seria um bom caminho para chegar à profissionalização aqui indicada.

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10 de junho de 2010

Os dois lados do PIB brasileiro

Categoria: PIB – Reinaldo Cafeo 17:50

Dados divulgados pelo IBGE demonstram que o Brasil apresentou excelente desempenho econômico no primeiro trimestre deste ano: crescimento do Produto Interno Bruto de 9% sobre idêntico período de 2009. Tomando como base o trimestre anterior o crescimento foi de 2,7%, o que projetada um crescimento na ordem de 6% para este ano.

Os números que medem a geração de riqueza no país têm dois lados: bom e ruim.

Crescer 9% não é pouca coisa, portanto, tem que ser comemorado. Este patamar é inferior a poucos países no mundo entre eles a China (crescimento de 11,9%). O país ficou na sexta posição entre os países que mais cresceram no período. Ficamos a frente inclusive da índia que cresceu 8,6%. Além disso, a indústria de transformação cresceu 17,2%, o comércio 15,2%, a construção civil 14,9% e a indústria extrativa 13,6%. Outro aspecto positivo é a retomada dos investimentos, notadamente no setor industrial. A expansão foi de 26%. É a maior alta desde 1995.

O desempenho robusto demonstra que o Brasil se recuperou da recente crise internacional e de sobra retomou fortemente o nível da atividade econômica.

Mas nem tudo são flores.

Primeiramente devemos considerar a precária base de comparação, ou seja, os números atuais são comparados ao desempenho pífio da economia nacional do ano passado. Evidentemente que por este motivo os números atuais se potencializam.

Outro aspecto relevante, que nos remete a analisar o desempenho do PIB com cautela, é o fato que alguns setores tiveram excelente desempenho a partir de subsídios governamentais, como foi o caso do setor automotivo que teve na redução do IPI o que permitiu produzir e vender veículos “como nunca antes visto neste país” como gosta de dizer o presidente Lula. Daqui para frente serão praticados preços normais, o que reduzem as vendas.

Sem expandir a poupança interna, que se situa na casa dos 15,8% do PIB, portanto sem recursos para investimentos, haverá desequilíbrio entre a oferta e demanda no mercado, cujo efeito colateral já sabemos: inflação. Só para exemplificar, a poupança na China é na ordem de 30% do PIB. Para “segurar” a demanda o caminho será apertar a política monetária, com elevação dos juros básicos, aumento do compulsório bancário e outras restrições ao crédito.

Isso tudo sem falar do baixo investimento em infraestrutura, como energia, portos, aeroportos, estradas, armazéns, entre outros. São gargalos que não permitem a manutenção de um ritmo acelerado de crescimento da economia.

Se é importante comemorar o bom desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre, não é menos importante ter um olhar mais técnico e pé no chão, evitando entre outras coisas, uma euforia que pode se transformar em frustração. A análise do PIB tem seus dois lados.

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2 de junho de 2010

Atendimento ao consumidor: maior versus veloz

Categoria: Economia – Reinaldo Cafeo 13:32

Pesquisa feita pela consultoria GfK e pela revista do “Consumidor Moderno” apontou que caiu a qualidade no atendimento ao consumidor.

Com vendas em alta as empresas não investiram na estrutura de atendimento, elevando o tempo de espera do consumidor para ser atendido.

Esta constatação é em relação ao telefone e internet.

O fato é que o consumidor está cada vez mais exigente e se as empresas não investirem na qualidade do atendimento, haverá migração para concorrência.

Milhões de reais são gastos no sentido de atrair os consumidores, persuadindo-o as compras e tudo pode ir por água abaixo caso o atendimento não seja satisfatório.

Na era da informação que se transformou em conhecimento não é o maior que engole o menor e sim o mais rápido que ultrapassa o mais lento. Empresas pequenas podem ser ágeis, conquistando e fidelizando seus clientes e, empresas grandes, lentas, podem perder participação no mercado.

A tecnologia tem nivelado os produtos, restando o atendimento como diferencial competitivo.

Empresas modernas, arejadas e voltados para o mercado inverterem a pirâmide hierárquica, colocando no primeiro escalão o soberano consumidor, este que traz a receita para empresa e valorizaram seus colaboradores, estes que são os contatos diretos com os gerados de dinheiro para empresa.

O mercado está em crescimento, o perfil das classes sociais vem se alterando, só para exemplificar, mais de 30 milhões de brasileiros migraram das classes D e E para a classe C, permitindo acessar mais produtos, exigindo em contrapartida qualidade.

Esperar que o consumidor migre para a concorrência por falta de estrutura no atendimento, é no mínimo não entender o desejo deste cada vez mais exigente consumidor.

As empresas precisam investir em treinamento e ampliar o quadro de atendimento, caso contrário serão presas fáceis neste mercado competitivo.

É o momento de se preparar para garantir vendas constantes e em crescimento. Nada justifica atender sem qualidade.

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