Reinaldo Cafeo – descomplicando a economia


27 de maio de 2010

Brasil e o voo da galinha

Categoria: Economia – Reinaldo Cafeo 10:05

A expressão “voo da galinha” se consagrou entre os Economistas no sentido de resumir o desempenho da economia brasileira.

A história tem mostrado que, toda vez que o país esboça crescimento econômico acima de 5% a 6% ao ano, este patamar de crescimento não tem sustentação.

Assim, semelhante à galinha, batemos a asa, saímos do chão, mas logo somos obrigados a admitir que não estávamos preparados para alçar voos altos.

O Brasil convive com um Estado “gastador”. Arrecada como nunca e gasta como sempre. Canalização excessiva de gastos em custeio em detrimento aos gastos em investimentos. A máquina pública fica cada vez mais robusta, sobrando poucos recursos para gerar riqueza ao país.

Sem investimento do setor público, o setor privado se recolhe. Quando o setor privado diminui sua capacidade ociosa, a partir de maior consumo das famílias, a resposta de oferta é mais lenta do que a resposta do excesso de demanda, desequilibrando o mercado, ensejando, por exemplo, o aumento da inflação.

Neste contexto o governo entra como paliativo, pois ataca os sintomas sem combater as causas. Os juros elevados, por exemplo, são “remédios” de uso contínuo para combater a inflação.

Com portos obsoletos, estradas precárias não permitindo o escoamento adequado da produção, falta de armazéns, baixa capacidade de geração e distribuição de energia, custo Brasil nas alturas, enfim, uma série e amarras e gargalos, não é possível pensar em outro voo que não seja o da galinha.

A tudo isso chamamos de crescimento sem sustentação.

Pode ser o voo da galinha, o efeito sanfona, dieta inadequada, enfim, utilizem a expressão que desejarem, mas uma coisa é verdadeira: não é possível conviver com esta falta de tendência a longo prazo.

É ruim não crescer, mas é pior crescer e não sustentar, forçando o recuo, para depois voltar a crescer.

Investimentos produtivos somente serão maturados com tendência de crescimento de longo prazo, mesmo que não seja elevado, mas constante.

Uma economia com o potencial da economia brasileira não pode ficar refém de um ciclo vicioso, que alterna crescimento econômico e desaceleração.

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20 de maio de 2010

O Brasil está ou não blindado?

Categoria: Economia – Reinaldo Cafeo 10:22

Em meio à crise americana, que por sinal a cada momento observa novos lances, a pergunta que se apresenta é: o Brasil está mesmo blindado? Em outras palavras: será que o país passará ileso no que se refere às conseqüências da crise imobiliária americana.

O comportamento até este momento indica uma resposta positiva. Talvez pudéssemos substituir a palavra blindado por algo como “melhor preparado”.

Os indicadores são favoráveis: reservas cambiais confortáveis para o padrão histórico brasileiro; relação dívida/PIB em queda; política monetária conservadora; inflação dentro da meta estabelecida; superávit primário, entre outros.

Temos ainda em nosso favor, por incrível que pareça, a maior taxa de juros do mundo, que se apresenta como um verdadeiro oásis para o capital estrangeiro.

A postura conservadora do governo brasileiro nas práticas das políticas fiscal (política tributária e política de gastos) e monetária (juros, compulsório, etc.) garante neste momento mais “robustez” para enfrentar a crise que se apresenta.

A preocupação advém de uma eventual queda da demanda mundial, atingindo fortemente nossas exportações, notadamente de commodities, expoentes de nosso comércio internacional. Isso de certa maneira já se refletiu nas fortes oscilações ocorridas no mercado acionário nesta semana.

Em tempos outros o lado monetário da economia já teria contaminado fortemente o lado real da economia (produção e geração de empregos/renda). A constatação é que as conseqüências ainda são marginais.

Até agora estamos reagindo de forma madura e garantindo que a dinâmica da economia se sobressaia diante das incertezas externas.

Poderíamos neste momento estar muito mais tranqüilos, pois não aproveitamos o “céu de brigadeiro” dos últimos anos para alicerçar ainda mais os fundamentos da economia, mas temos que admitir: estamos enfrentando essa crise em uma zona de conforto, ou seja, melhor preparados.

Isso tudo não pode ser sinônimo de acomodação, pelo contrário, é nesta hora que se deve redobrar a atenção e tirar proveito, afinal, é em momentos de crise que se apresentam as melhores oportunidades.

Não sabemos o tamanho do buraco, entretanto só de já ter caído em um, nos garante outros contornos, diferentemente do passado não muito remoto.

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13 de maio de 2010

Gestão empresarial: quebra de paradigmas

Categoria: Economia – Reinaldo Cafeo 18:26

O mundo todo observa quebra de paradigmas. No contexto das potências mundiais sempre avaliávamos os Estados Unidos como imbatíveis, a crise econômica internacional, por exemplo, entre outros aspectos, colocaram isso por terra.

Quando do lançamento do Euro a leitura é unânime: este é um modelo a ser seguido. As crises grega, portuguesa, irlandesa e espanhola demonstraram que há muito a ser feito.

No contexto empresarial aceitávamos produtos com qualidade razoável, hoje o consumidor deseja defeito zero. A prestação de serviços podia se realizada de maneira a atender parte das expectativas dos clientes, hoje, como novo paradigma, é satisfação total do cliente ou nada feito.

Havia nas empresas o comandante pensador e único dono da verdade: atualmente a gestão é voltada para a causa e efeito.

O acionista era o centro dos negócios, em busca de resultados a qualquer custo, hoje somos sabedores que o soberano na empresa é o cliente, este que traz receita e sustenta financeiramente a empresa, e que os colaboradores devem ser priorizados, pois são eles a interface da empresa com este gerador de riquezas para as organizações.

Já vivemos a era do chefe, hoje, líderes. O empregado ganha status de associado.

Defeito zero, melhoria constante, não apego a modelos, sistemas abertos, inversão da pirâmide hierárquica, são expressões e práticas cada vez mais comuns nas organizações vencedoras. Quem leu o Monge e o Executivo de James Hunter deve ter absorvido as lições da liderança positiva e como ele aborda estas questões de quebra de paradigmas, e a necessária busca de novas referências.

O século XXI indica exatamente esta perspectiva: a única certeza que temos é que as coisas mudarão.

O desafio é adequar a velocidade destas mudanças com a capacidade de realizá-las, mas aí surge um novo paradigma: planejar a qualquer custo.

O moderno indica: nas relações negociais ou se pratica o ganha/ganha ou nada feito. O tempo de profissionais “meia boca” (tanto empresário, como associado) já foi, portanto, ou há retorno e se pratica a parceria, ou não haverá espaço para crescimento da empresa e do próprio crescimento profissional.

Os paradigmas estão aí para ser quebrados, é preciso de capacidade para identificá-los e coragem para mudar.

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6 de maio de 2010

BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS: MENOS POLÍTICA E MAIS TÉCNICA

Categoria: Previdência – Reinaldo Cafeo 10:34

O reajuste das aposentadorias e pensões tornou-se um grande palanque político. Em ano de eleições os políticos querem os holofotes, passando a imagem de defensores dos aposentados e pensionistas.

Não vou entrar no mérito do reajuste em si, que pode ser 7,7%, 6,14% ou qualquer outro número. O que está em jogo é muito mais que isso. Na prática se faz necessário um plano de longo prazo que garanta o poder de compra dos valores recebidos por aqueles que contribuíram anos a fio para a previdência pública, os quais, quando se aposentam não conseguem manter um mínimo do padrão de vida até então estabelecido.

Visando substituir a discussão política pelo embasamento técnico é fundamental que o critério de reajuste seja fundamentado. Para definir o salário mínimo, por exemplo, foi estabelecido um critério que leva em conta o crescimento da economia e a inflação acumulada em 12 meses. Desta maneira a cada ano o governo já tem os parâmetros para fixar o valor do salário mínimo.

Está posto que somente repor a inflação passada, combinada com o fator previdenciário (que reduz o valor dos benefícios) força necessariamente a deterioração ao longo do tempo dos valores envolvidos, abrindo espaço para pressões políticas, levando a decisões oportunistas e voltadas para o interesse pessoal em detrimento ao interesse coletivo.

Há de um lado a necessidade em gerenciar as contas públicas com responsabilidade, principalmente quando se trata da previdência social, e de outro lado a necessidade de garantir direitos conquistados ao longo do tempo.

Em relação ao reajuste atual a “batata quente” será remetida ao Presidente Lula, que decidirá se age politicamente ou tecnicamente.

Se houver uma regra clara e permanente no reajuste dos benefícios previdenciários, muitos políticos perderão a oportunidade de capitalizar politicamente quando levantam a bandeira de defensores dos aposentados e pensionistas, entretanto garantirá previsibilidade na gestão dos recursos públicos.

Em questões técnicas deixar prevalecer os interesses políticos não contribui para o avanço do país.

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