Você já ter ouvido a frase: “eu era feliz e não sabia”. Ela tem sido reproduzida por inúmeros empreendedores de pequenos e médios negócios.
Eles querem dizer que quando eram menores controlavam mais suas contas, faturavam menos, mas contemplavam maior resultado.
As vendas podem e devem crescer, mas o desafio é alicerçar financeiramente a empresa para sustentar seu crescimento.
Operar acima da capacidade financeira da empresa pode comprometer os resultados da empresa.
A empresa quando cresce é obrigada a utilizar intensivamente o capital. São necessários máquinas, equipamentos, pessoal qualificado, estoques, financiamento a clientes, entre outros, isso tudo gera as denominadas deseconomias.
Com excesso de deseconomias e sem capital de giro para sustentar a operação o endividamento bancário de curto prazo passa ser a única alternativa para garantir este crescimento, gerando o chamado efeito tesoura. Este efeito ocorre quando a necessidade de capital de giro é crescente e os recursos de longo prazo (próprios e de terceiros), não acompanham esta necessidade.
Somente com planejamento é que o crescimento da empresa se sustenta. Projetar vendas, custo e lucro, buscando fontes adequadas de financiamento, garantem bons resultados e vida longa às empresas.
Não há problema algum buscar recursos de terceiros, o problema reside em não alavancar, ou seja, o custo deste dinheiro corroer todo o resultado porque a empresa não se preparou operacionalmente para transformar cada real emprestado em muito mais reais dentro da empresa. Além de alavancar o princípio é: retorno de longo prazo, recursos de longo prazo.
Em mercados competitivos como é nosso não há tempo para erros e tais erros podem comprometer toda a gestão do negócio.
Um bom planejamento financeiro permitirá mudar a frase de “era feliz e não sabia” para “cresci e sou mais feliz”. Então, mãos a obra.
O comportamento do preço do etanol no Brasil está virando um caso de polícia. Em determinada época o preço sobe devido a entressafra, quando os preços devem cair na safra ocorre a manipulação dos estoques.
Por outro lado, produtores de cana do interior de São Paulo, notadamente da região de Jaú, denunciam que são obrigados a praticar preços que são impostos pelas usinas. Denunciam a formação de cartel.
Não há provas de prática do abuso do poder econômico no setor, mas se o Brasil efetivamente quer que o álcool derivado da cana-de-açúcar seja considerado um produto alternativo ao uso de combustível fóssil ou outras fontes não renováveis, algo mais contundente deve ser feito.
Na prática, o setor precisa ser regulado. Quando houve a abertura econômica e o afastamento do Estado da economia, foram criadas agências reguladoras e com elas um acompanhamento mais de perto do comportamento do mercado. É o caso da agência nacional do petróleo, só para citar um exemplo.
O álcool ainda não é considerado uma commoditie e a buscas por este “status” força necessariamente a regulação deste mercado. O que não pode é o mercado ficar a mercê do preço do açúcar e da boa vontade dos usineiros, alterando a produção e oferta do produto.
O governo tem a sua disposição um arsenal de leis que lhe oferece instrumentos para coibir a prática desleal de comércio, o que pode ser o indicativo deste mercado em particular.
Os consumidores em particular não podem conviver com tamanha oscilação de preços, ditadas sabe-se lá por que lógica econômica, e o que é pior, com ameaça de desabastecimento.
Se tomarmos somente os investimentos em veículos flex realizados pela indústria automotiva, já se justifica intervir neste mercado.
Não temos saudades dos preços tabelados, que eram na maioria das vezes definidos na calada da noite pelos governantes de plantão, mas se o mercado não é capaz de seguir a lógica da oferta e procura, a intervenção do Estado se faz necessária.
Priorizar o álcool como combustível? Sim, desde que com regras transparentes e duradouras, prevalecendo acima de tudo a lei da oferta e procura.
Desde julho de 1999 o Brasil adotou o chamado regime de metas de inflação. Não é novidade, pois outros países praticam a mesma metodologia.
A idéia básica desse regime é projetar a inflação para os próximos períodos, no caso brasileiro para os 12 meses subseqüentes. A projeção é desenvolvida em um modelo econométrico.
Acontece que a fixação do centro da meta da inflação bem como o horizonte da projeção não segue um padrão.
Em outras palavras, quem define o patamar e a quantidade de meses projetados é a equipe econômica do governo.
Não quero defender que a inflação no Brasil deva ser fixada em metas mais elevadas, principalmente conhecendo o histórico de inflação no Brasil, mas entendo que poderíamos adotar metas menos restritivas.
Qual seria na prática a diferença entre uma meta de 5,5% podendo atingir até 7,5% e uma projeção, por exemplo, para os próximos 24 meses e a atual que trabalha com 4,5% podendo atingir 6,5% em um horizonte de tempo de 12 meses? Buscar o ajuste em 24 meses é uma tarefa menos árdua do que em 12 meses.
Insisto: o nosso passado nos condena, entretanto, considerando o sacrifício que o país tem que fazer para controlar os preços em níveis tão baixos, me parece que o mais prudente seria uma revisão dos critérios para fixação de metas.
Evidentemente que uma mudança, se houver, não pode ser em período pré-eleitoral, entretanto é um bom tema para discussão na sucessão presidencial.
Países que adotam metas de inflação baixa convivem com juros reais no mínimo na metade dos praticados no Brasil e crescimento sustentado bem acima do projetado para o Brasil.
O próprio regime de câmbio flutuante permite práticas de juros menores.
Em resumo: a reflexão é no sentido de analisar qual deve ser o bem maior a ser objetivado pelo governo – metas apertadas, ou metas que contemplem a realidade brasileira, notadamente de um país que precisa promover crescimento sustentado.
Só é difícil aceitar inflação em patamares de primeiro mundo, e crescimento, renda, juros, entre outras variáveis, de terceiro mundo.