A campanha da fraternidade coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfocará neste ano o tema Economia e Vida.
Baseado na chamada economia solidária, a campanha abre debate para o entendimento de como em um sistema capitalista, que tem como base o lucro a qualquer preço, pode servir para a inserção social.
Experiências bem-sucedidas como os micro-créditos, que permitem alavancar recursos a custos extremamente baixos, aliados a um jogo de confiança da comunidade, em que os avalistas fazem parte da gestão do risco do negócio, estão permitindo, o que podemos chamar de emancipação do cidadão.
Até mesmo linhas de crédito como o Banco do Povo Paulista vão ao encontro da geração de renda e melhoria nas condições de vida do cidadão.
Em paralelo às formas de permitir a prática plena da cidadania, há todo um movimento no sentido de garantir qualidade de vida as pessoas a partir da melhor administração do orçamento familiar.
Empresas através de seu setor de recursos humanos vêm apostando no treinamento de seus funcionários, levando educação financeira a milhares de trabalhadores brasileiros.
Pesquisas apontam que há uma relação direta da queda de produtividade com o nível de comprometimento do orçamento familiar. Funcionários endividados produzem menos, têm dificuldade de concentração e perdem qualidade de vida.
O problema do desequilíbrio financeiro é tão grave, ao ponto de existirem entidades de apoio aos devedores, semelhantes, por exemplo, aos alcoólicos anônimos.
Inclusive o desarranjo financeiro tem se apresentado como um dos principais motivos para separação de casais.
A CNBB, se conduzir de maneira a contemplar reflexões sobre o tema terá oferecido não somente aos católicos, mas a sociedade como um todo, importante oportunidade para uma conscientização de que o dinheiro é somente um meio de troca e não a essência da vida, como muitos, equivocadamente, pensam ser.
A economia como ciência social tem muito a oferecer e suas metas e modelos, tanto do ponto vista macroeconômico, como do ponto de vista microeconômico, passando pela economia comportamental, garantirão que em última instância, que as pessoas possam ter condições de gerar renda e riqueza, adquirindo produtos com preços justos e estáveis, diminuindo o abismo existente entre os ricos e pobres, podendo ser soberanos na gestão de seus recursos.
Em meio tanta inversão de valores, vale a pena refletir de que maneira a economia pode ajudar a praticar a solidariedade.
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