fev 25
    

Todas as estatísticas que medem o comportamento do endividamento dos consumidores, notadamente da classe média brasileira, apontam para os vilões cheque especial e financiamento no cartão de crédito.

Afinal, porque estas modalidades de crédito são tão perversas? A primeira explicação vem do fato que, na média, as taxas de juros são extremamente elevadas.

O cheque especial gira em torno de 7 a 8% ao mês, ou 125 a 152% ao ano. A rolagem da fatura do cartão de crédito chega, em média, a 290% ao ano, por sinal, já vi administradoras cobrarem 420% ao ano.

Pela avaliação meramente financeira fica evidente que o consumidor não tem noção do que isso significa. Neste particular é preciso criar “moedas” para entender a dimensão destes juros. Uma análise que estabelece um bom parâmetro é comparar com o dia trabalhado. Descubra quanto ganha por dia e compare com os juros pagos. Você chegará a conclusão que perde muitos dias de trabalho para pagar somente os juros do uso crédito. Outro parâmetro é o reajuste da renda anual. Trabalhadores, por exemplo, têm seus salários reajustados na ordem de 5 a 7% ao ano. Observaram a discrepância?

A segunda avaliação é que estas modalidades são de fácil utilização. O crédito pré-aprovado não exige nenhuma burocracia. Emitiu o cheque ou utilizou o cartão, estando dentro do limite, o gasto é realizado. Isso potencializa sobremaneira o consumo. A surpresa fica por conta do débito dos juros em conta corrente ou da chegada da fatura do cartão de crédito.

Na prática o consumidor se instala em uma zona de conforto e acaba pagando um preço muito elevado por esta comodidade.

A saída é pro atividade. O uso do cheque especial deve limitar-se a três dias. Precisando de recursos financeiros há modalidades mais baratas, como o penhor de jóias, o crédito direto ao consumidor, entre outras. No caso da fatura do cartão de crédito o indicativo é pagar a fatura integralmente. Neste particular é preferível efetuar um empréstimo bancário com juros menores para honrar a fatura integralmente do que pagar o mínimo indicado. Evidentemente é preciso controlar os gastos para evitar o uso intensivo do cartão de crédito.

Enquanto não há uma redução nas absurdas taxas praticadas pelo mercado financeiro brasileiro só resta ao usuário final do crédito se policiar, evitando que o consumo atual vire dor de cabeça futura.

Redobre a atenção no uso do crédito.

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fev 19
    

O Brasil oferece enormes oportunidades. Convivemos com uma demanda reprimida (basta um pequeno incremento na renda da população para que o consumo se potencialize) e ainda podemos ser considerados potencialmente um pais que tem tudo para figurar entre os melhores países do mundo para se investir, com projeções que nos colocam nos próximos anos entre as cinco nações mais importantes do mundo.

Embora sejam ainda percepções de futuro, o país reserva grandes eventos que afetarão as projeções de faturamento e resultados das organizações.

A copa do mundo na África irá movimentar setores com grande influência em sua cadeia produtiva. Se o futebol é a paixão nacional, sem dúvida o assistir a copa é um momento ímpar para vendas. Televisores, cervejas, refrigerantes, artigos esportivos são alguns exemplos. Isso sem falar em bares, lanchonetes, shoppings, entre outros, que saberão como oferecer conforto e alternativas a este fanático torcedor. Vendas previstas bem acima da média de crescimento da economia para este ano.

Teremos ainda as olimpíadas e a copa do mundo no Brasil. Dois importantes eventos que irão demandar fortes investimentos em infraestrutura. Neste particular a cadeia de influência é maior. A movimentação econômica não ficará restrita aos setores diretamente ligados ao mundo dos esportes. São investimentos públicos e privados como indutores na geração na riqueza.

Temos ainda o trem de alta velocidade, conhecido com trem bala, com investimentos na ordem de R$ 34,6 bilhões.

Podemos eventualmente duvidar se efetivamente os investimentos serão canalizados de maneira correta e se os cronogramas serão cumpridos, contudo, não impactar esses eventos no planejamento das organizações é no mínimo ignorar o ambiente externo dessas mesmas organizações.

Considerando que o pior planejamento é aquele que não existe, o indicativo é colocar as mentes para trabalhar.

Muitos já estão trabalhando com esses cenários. Se você é daqueles que imagina que o ano começa depois do carnaval, uma constatação: já está atrasado, mas um alento, ainda há tempo para tirar proveito dos eventos que estão por vir.

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fev 11
    

Não obstante a confiança no desempenho econômico brasileiro em 2010, apontando para um crescimento econômico entre 4 e 5%, existem inúmeros desafios a curto prazo.

Primeiramente vem da velha conhecida inflação. Os índices de preços vieram carregados em janeiro, acendendo o sinal de alerta da autoridade monetária. Neste caso sabemos que o remédio preferido do governo é elevar a taxa de juros básica. Em ano eleitoral será difícil convencer o Presidente Lula a aceitar juros em elevação, o que pode indicar mexidas iniciais em outros instrumentos da política monetária, como elevação do compulsório bancário, por exemplo.

Outro setor preocupante é o externo. Aqui o governo Federal está em uma encruzilhada. De um lado sabe que o Real tem que se desvalorizar diante do Dólar, auxiliando a fechar as contas externas, hoje amargando um déficit preocupante em transações correntes, de outro lado a elevação rápida da cotação do dólar em um momento em que o controle da inflação passa a ser prioridade, gera uma preocupação adicional com a denominada inflação importada. Haja habilidade.

Isso tudo sem contar a forte inquietação quanto ao futuro das contas públicas, à medida que o atual governo elevou demasiadamente os gastos em custeio, gerando menor superávit primário e como ele pouca folga para conter a elevação da dívida interna.

Em meio a isso tudo há agentes econômicos confiantes, apostando fortemente no bom desempenho econômico, querendo que o excesso de conversadorismo por parte da equipe econômica não prevaleça, mas que acima de tudo haja responsabilidade na condução da política econômica principalmente neste fim de mandato.

Ainda compartilho com aqueles que entendem que o ano será bom, na média, e que, quem efetivamente fez a lição de casa no período de crise, enxugando custos, aumentando a produtividade, revendo procedimentos nas decisões de investimentos e de financiamentos, colherá bons resultados.

No tocante aos desafios a curto prazo que a atual econômica mostre serviço e seja capaz de efetuar as melhores escolhas privilegiando o lado real da economia e não o lado monetário, que tem sido a tônica nesses últimos anos.

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fev 4
    

A campanha da fraternidade coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfocará neste ano o tema Economia e Vida.

Baseado na chamada economia solidária, a campanha abre debate para o entendimento de como em um sistema capitalista, que tem como base o lucro a qualquer preço, pode servir para a inserção social.

Experiências bem-sucedidas como os micro-créditos, que permitem alavancar recursos a custos extremamente baixos, aliados a um jogo de confiança da comunidade, em que os avalistas fazem parte da gestão do risco do negócio, estão permitindo, o que podemos chamar de emancipação do cidadão.

Até mesmo linhas de crédito como o Banco do Povo Paulista vão ao encontro da geração de renda e melhoria nas condições de vida do cidadão.

Em paralelo às formas de permitir a prática plena da cidadania, há todo um movimento no sentido de garantir qualidade de vida as pessoas a partir da melhor administração do orçamento familiar.

Empresas através de seu setor de recursos humanos vêm apostando no treinamento de seus funcionários, levando educação financeira a milhares de trabalhadores brasileiros.

Pesquisas apontam que há uma relação direta da queda de produtividade com o nível de comprometimento do orçamento familiar. Funcionários endividados produzem menos, têm dificuldade de concentração e perdem qualidade de vida.

O problema do desequilíbrio financeiro é tão grave, ao ponto de existirem entidades de apoio aos devedores, semelhantes, por exemplo, aos alcoólicos anônimos.

Inclusive o desarranjo financeiro tem se apresentado como um dos principais motivos para separação de casais.

A CNBB, se conduzir de maneira a contemplar reflexões sobre o tema terá oferecido não somente aos católicos, mas a sociedade como um todo, importante oportunidade para uma conscientização de que o dinheiro é somente um meio de troca e não a essência da vida, como muitos, equivocadamente, pensam ser.

A economia como ciência social tem muito a oferecer e suas metas e modelos, tanto do ponto vista macroeconômico, como do ponto de vista microeconômico, passando pela economia comportamental, garantirão que em última instância, que as pessoas possam ter condições de gerar renda e riqueza, adquirindo produtos com preços justos e estáveis, diminuindo o abismo existente entre os ricos e pobres, podendo ser soberanos na gestão de seus recursos.

Em meio tanta inversão de valores, vale a pena refletir de que maneira a economia pode ajudar a praticar a solidariedade.

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