dez 31
    

 

O primeiro índice de inflação conhecido pelo mercado o IGP-M apresentou deflação de 1,72% em 2009.

 

Esse índice é divulgado dentro do mês à medida que mede a inflação entres os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual.

 

A deflação se justifica pelo fato de o IGP-M sofrer a influência da cotação do dólar, à medida que 60% do índice ser de preços no atacado. Com um dólar em queda, os preços com cotação internacional caem também. Só para ilustrar o IPA (Índice de Preços no Atacado), apresentou deflação de 4,42% em 2009.

 

O IGP-M não é o índice oficial de inflação do governo, mas é um importante termômetro para demonstrar que o IPCA (monitorado pelo governo no sistema de metas de inflação) pode também ficar comportado, ao menos nos próximos meses.

 

Inflação controlada abre espaço para afrouxamento na política monetária. Somos sabedores que o Banco Central dificilmente reduzirá a taxa SELIC, mas é possível ter expectativa de manutenção no patamar atual, contrariando projeções do mercado que apontam elevação da taxa básica brasileira.

 

O Brasil apesar dos juros elevados deverá crescer no próximo ano acima de 5%. Será um bom desempenho, entretanto ainda não podemos afirmar que seja um crescimento que se sustenta. Há inúmeros gargalos impeditivos de um avanço mais estruturado de nossa economia. As questões de infra-estrutura não tiveram a atenção adequada por parte do setor público. Energia, portos, estradas, entre outros são importantes gargalos que podem inviabilizar a recuperação plena da economia brasileira, isto sem contar a elevada carga tributária, burocracia excessiva, um setor público lento, entre outros.

 

Se de um lado a inflação está comportada, de outro é preciso mais criatividade para sair mesmice de monitorar a economia com políticas monetária e fiscal restritivas. A palavra correta talvez fosse ousadia, mas em fim de mandato não é possível esperar mudanças neste sentido, lamentavelmente.

 

 

 

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dez 17
    

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças divulgaram pesquisa apontando para queda nos juros médios cobrados dos consumidores em novembro: ficaram 6,96% ao mês ou 124,21% ao ano. Caíram 0,07 ponto percentual.

Observem a magnitude dos juros anuais: 124,21%. São escorchantes. Em um pais que projeta taxa anual de inflação de 4,5% e que remunera um título público em 8,75% ao ano é cômico, se não fosse trágico, pensar em juros nessa magnitude.

Na prática é como se a paciente chamada economia brasileira só sobrevivesse com doses excessivas de remédios. É uma recomendação exagerada.

Não podemos aceitar que o país possua padrão de primeiro mundo no controle de preços e seja obrigado a impor juros estratosféricos.

Somos sabedores que a queda dos juros não virá por decreto, mas também somos sabedores que se faz necessário abdicar do excesso de conservadorismo que tem caracterizado a equipe econômica, notadamente as autoridades monetárias do Banco Central.

Juros elevados inibem o crescimento econômico e como ele a geração de emprego e renda.

Os juros básicos têm sua função indutora da redução, mas é pouco. É como se o governo federal aceitasse a agiotagem institucionalizada, afinal, em que país do mundo juros tão elevados são aceitos com a passividade que aceitamos aqui Brasil?

Nem mesmo a justificativa da eventual volta da inflação é aceitável, pois o resto do mundo consegue com juros extremamente menores manter os preços sob controle.

Os bancos oficiais podem exercer importante papel na reversão deste estado de coisas. Enquanto isso não acontece resta somente indicar aos consumidores em geral: podendo, evitem contrair empréstimos, sob risco de entrarem em verdadeiro ciclo vicioso.

Juros escorchantes são inaceitáveis.

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dez 11
    

Toda vez que se aproxima o final de ano vem sempre à preocupação de como fechar o ano “honrosamente”.

Durante o ano nos rendemos à sedução do consumo. Por necessidade, status e até mesmo por fuga ou compensação muitas pessoas extrapolam o limite razoável do consumo e a conseqüência em muitos casos é o endividamento.

Muitos até dizem: “consumo, logo existo”, e acabam entrando em um ciclo vicioso que leva a busca de renda cada vez mais elevada (o dia-a-dia passa ter um ritmo alucinante) e se esta não for suficiente, leva a busca de crédito e por conseqüência gastos adicionais em juros.

Chegar neste período do ano usando o cheque especial, pagando o mínimo da fatura do cartão de crédito e até mesmo com contas atrasadas, gera um desconforto que leva ao comprometimento da qualidade de vida.

Observem que mencionei sedução do consumo e perda de qualidade de vida. Desta maneira podemos concluir que o comportamento das pessoas ao lidar com o dinheiro transcende o econômico e passa ser emocional.

Saber falar não ao consumo exagerado exige habilidade emocional. Identificar eventuais distúrbios nesta direção é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida.

Para muitos brasileiros o final de ano é sinônimo de entrada extra de dinheiro. Recursos adicionais ampliam a tentação do consumo. É neste momento que vale refletir: ampliar o consumo ou equacionar pendências financeiras? Parece-me mais prudente eliminar as pendências.

Neste caso a decisão deve contemplar o pagamento das dívidas mais onerosas. Levante as pendências e confira a taxa de juros de cada modalidade. Na média de mercado o cartão de crédito é a mais alta, seguida do cheque especial.

É evidente que nesta altura muitos já comprometeram todo o recurso adicional recebido, o que não quer dizer que não seja possível ter um final de ano bom. Surge então a criatividade. A cooperação é um bom caminho. As famílias reunidas podem e devem se cotizar. Os produtos importados estão com preços convidativos à medida que o real se valorizou frente ao dólar, assim em possível adquirir mais produtos com menos recursos. Cada um pagando um pouco garantirá mesa farta, sem contar a oportunidade da confraternização familiar.

Independentemente dos acertos financeiros e da estratégia traçada para melhorar a qualidade vida, o indicativo é não incorrer nos mesmos erros no futuro. Implementar o planejamento e o controle das finanças domésticas é o primeiro passo. Depois é manter a disciplina nos gastos, segurar o emocional e traçar metas que permitam ir além do sair do vermelho, permitindo começar a poupar.

Final de ano tempo para priorizar a busca de qualidade de vida. Comece pela boa gestão das finanças pessoais.

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dez 4
    

A manchete não está errada. A discussão do mundo econômico é se a recuperação da economia se dará em W, U ou V.

Muitos colocam somente o W e o U, mas a inclusão do V apresenta alternativa a análise.

Os indicadores da economia no mundo todo demonstram que boa parte dos países saiu chamada recessão técnica. Há abalos ainda, como o de Dubai, mas já não são capazes de provocar estragos tão intensos nas bolsas e na própria economia.

O Brasil tem demonstrado vigor na recuperação econômica. Estudos apontam para um crescimento na ordem de 5% para 2010.

Na condução da política macroeconômica a dúvida que existe é se a retomada do crescimento é sustentável.

Uma ala de economistas entende que poderemos observar novo ciclo de recessão. Neste caso estaríamos no formato W, ou seja, a economia teve um decréscimo, retomando em seguida, mas se abalando novamente, até ensaiar nova recuperação. Podemos chamar de cenário pessimista. A justificativa seria a volta da inflação à medida que os preços ficaram defasados no ápice da crise. Para combater a alta de preços seria necessária uma política monetária austera, indo no sentido contrário do crescimento mais robusto da economia.

Outra ala entende que teremos uma recuperação em U, ou seja, teríamos chegado ao fundo do poço, e agora seria a vez da recuperação, mais lenta, suave como a parte debaixo da letra U. Cenário intermediário.

Já a recuperação em V apontaria para uma recuperação mais rápida, com pouca permanência na área de recessão. Cenário otimista.

Tanto para análise em U como para em V a aposta é que não haveria ambiente para novas quedas no desempenho econômico, posto que teríamos chegado ao limite de quedas no mundo todo.

Compartilho com aqueles que entendem que a economia se recupera em U. A crise internacional se apresentou como verdadeiro aprendizado e a ciência econômica já provou ter testado mecanismos que permitem encurtar os ciclos econômicos.

De qualquer maneira cada um pode fazer sua leitura. O fundamental é ter conseguido no período de crise, assimilar as mudanças na forma de atuar no ambiente econômico e com isso enfrentar tanto crescimento, como eventual recessão, com muita maturidade, ou seja, mais bem preparados.

Escolha sua letra.

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