O volume de crédito concedido no Brasil é baixo. Oscila na casa dos 35% do Produto Interno Bruto brasileiro, enquanto a média mundial ultrapassa os 100%.
Existe uma seletividade exagerada por parte dos intermediários financeiros. Cria na verdade um ciclo vicioso: os juros são altos devido a inadimplência e esta por sua vez é alta devido aos juros altos.
Há inúmeros fatores que trabalham contra ao aumento do volume e a queda da taxa de juros na ponta, para o tomador final de recursos.
O primeiro ponto é o próprio governo. Ele precisa financiar seu déficit e pratica juros altos para atrair investidores. Quando consideramos a taxa real, ou seja, descontada a inflação projetada para os próximos doze meses, constata-se que o Brasil pratica a quarta maior taxa de juros básica do mundo. É evidente que os juros são utilizados também como instrumento de controle da inflação, mas é inaceitável juros nesta magnitude.
Depois vem a cunha fiscal. De novo a interferência do governo, que tributa os bancos e estes repassam a carga tributária ao tomador de recursos. Além disso, há ainda um elevado spread bancário, ou seja, é muito alta a diferença entre os juros para quem aplica seus recursos, para os juros de quem empresta recursos.
Não podemos deixar de considerar a morosidade do judiciário, que leva o intermediário financeiro a embutir em suas taxas o custo da lenta cobrança judicial. Tem ainda o compulsório bancário, o custo Brasil e tantas outras variáveis que interferem fortemente no sistema de intermediação financeira no país.
Mesmo considerando todos estes aspectos não é possível manter juros no patamar atual. É retardar o crescimento econômico e a com ele a geração de riqueza, emprego e renda.
O caminho para aumentar o volume é diminuir a taxa, e antes que se questione como os bancos ganharão dinheiro, é só verificar o crescimento potencial: sair de 35% para 100% do PIB, o que significa crescer 185%, o que convenhamos, não é pouca coisa.
A manutenção do equilíbrio econômico, ou seja, permitir o crescimento econômico, com geração de emprego, distribuindo de maneira justa a renda gerada e ainda manter os preços estáveis, se apresenta como desafio, o que já demonstrou ser possível, a medida que outras economias mundiais chegaram neste almejado ponto sem exageros, principalmente na política monetária, notadamente nos juros praticados no mercado.
É preciso dar o primeiro passo nesta direção, atacando todas as variáveis da cadeia de formação dos juros no Brasil.
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