Os dados preliminares das perdas financeiras em função da crise internacional apontam para um empobrecimento da população. Aqueles que possuíam excelentes empregos com elevada remuneração, ou perderam esses empregos ou tiveram que se contentar com menores ganhos.
Até mesmo o índice de gini, que demonstra concentração de renda foi alterado. Neste caso o índice apresentou queda (o índice vai de zero a um, sendo que, quanto mais próximo de zero, menor é a concentração de renda) em função de menor renda daqueles que ganham mais, indicando que o índice não foi puxado pela melhora na renda dos mais pobres.
Menor renda é sinônimo de revisão nos gastos. Produtos de grifes continuam sendo o sonho de consumo de muitas pessoas, mas o sonho está sendo adiado para não se transformar pesadelo. Outros ainda mantém o poder aquisitivo, mas avaliam que não é hora ostentar, afinal em meio à crise não faz muito sentido esbanjar.
Independentemente da crise, da falta de recursos, comportamento seletivo e adiamento de consumo, nos parece prudente uma reflexão em relação ao grau de importância que boa parte da sociedade tem dado ao status.
Tenho observado famílias se endividarem somente para ostentar. São bolsas, canetas, roupas, carros e um cem número de outros itens que, na ótica destas pessoas, passam a uma imagem de poder. Como se dissessem: vejam eu posso!
Afinal, o foco é no possuir bens a qualquer preço, mesmo com endividamento, ou ter uma vida em equilíbrio, mais simples, dentro do poder de compra de cada um, evitando não somente o endividamento, como também o desperdício de dinheiro. Nos parece que o segundo comportamento é aquele que permitirá atinge melhor qualidade de vida.
Se as pessoas se aproximam das outras pelo que essas possuem, há clara demonstração de inversão de valores, apontando para relações de amizade superficiais e menos duradouras ou ainda que duram enquanto o status suportar.
É a hora de buscar intensamente melhorar a qualidade de vida e para que isso aconteça, devem ser tomadas decisões simples como o que consumidor, a que preço, e principalmente no sentido de adequar os gastos ao limite do poder de compra que cada um suporta.
Status? Melhor se reconhecido pelo trabalho, pelo que faz, pelo que é, pela estabilidade familiar, pela amizade construída sem interesses, do que pelos bens que possui.
A crise nos traz muitas lições e avalio que rever a postura que leva a ostentação se apresenta como grande aprendizado.
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