Os números do setor externo brasileiro podem ser considerados animadores. Depois de registrar uma saída maciça do capital estrangeiro o país volta a receber dólares em grande quantidade.
Os investimentos externos totalizaram US$ 3,4 bilhões em abril. O saldo de transações correntes, que é resultado dos saldos das balanças comercial, de serviços e de transferências unilaterais, apresentou superávit de US$ 146 milhões, depois de amargar 18 meses de déficit.
O capital estrangeiro vem ao Brasil para realizar lucros. O prêmio que o país paga é excelente. Só para ilustrar, sem considerar efeitos da inflação e outras variáveis, como a variação cambial, a diferença entre os juros básicos internos e a média externa, chega ser de 6 a 8 vezes maior. Prejuízo lá fora, busca de lucro aqui.
Isto não deve ser considerado de todo ruim, pois movimenta o lado monetário da economia. Devemos entender que, se a crise atingiu primeiramente este lado da economia, ou seja, o mercado de ações, de títulos, enfim o mercado do dinheiro, é natural que estes setores sejam os primeiros a se recuperar.
O alerta vai no sentido da valorização do real frente ao dólar. Com entradas volumosas de dólares, a oferta é ampliada e, sem a mesma contrapartida em termos de demanda, a cotação cai. O Banco Central está atento, tanto que vem intervindo sistematicamente no mercado. Dólar barato estimula as importações e dificulta as exportações.
Considerando que muitas empresas conseguiram superar a questão cambial, pois exportaram a um câmbio na casa de R$ 1,60, ter agora um dólar flutuando em torno de R$ 2,00 não pode ser considerado o fim do mundo.
Se precisávamos de algum indicador positivo para voltar a enxergar luz no fim do túnel (apesar de muitos não avistarem nem o túnel) o setor externo brasileiro se apresenta como tal.















