mar 14
    

Não é o melhor dos mundos, mas finalmente o Banco Central se rendeu a realidade da economia brasileira e reduziu a taxa básica de juros, conhecida como Selic, em 1,5 ponto percentual. Está atrasado uns 6 meses, mas antes tarde do que nunca.

 

É certo que precisou levar um “susto”, afinal queda de 3,6% no Produto Interno Bruto no último trimestre de 2008 não é pouca coisa, mas de qualquer maneira é uma importante redução.

 

Na prática os juros na ponta não cairão significativamente. Vale lembrar que para o lado real da economia, aquele que gera bens, serviços e renda, é o que interessa.

 

Mesmo assim é um indicativo. O Brasil teria tudo para contornar melhor a crise. Entretanto ao interpretar a crise como uma “marolinha”, o governo federal e sua equipe econômica, deixaram instalar no país o podemos chamar de crise de confiança e o que é pior, agiu timidamente em ações de política econômica.

 

Agora não adianta lamentar e sim tirar proveito. Teremos meses apertados com notícias ruins vindas de todos os lados. O mais grave são e serão as notícias envolvendo o nível de emprego. Postos de trabalho serão encerrados e de certa maneira teremos uma contaminação do mercado.

 

Então o que fazer? A lição de casa. Empresas e empresários: enxugar custos e tentar de todas as maneiras, via parceria e acordos, manter a equipe de trabalhadores (a demissão tem sido sempre um caminho fácil e óbvio, é preciso mais que isso). População em geral: planejar e controlar suas finanças pessoais. Neste particular é analisar o eventual impacto da crise no emprego e na renda. Não é necessário adiar todos os gastos, mas é preciso ser seletivo.

 

Quanto aos juros, espera-se nova queda na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, na tentativa de salvar o ano, com aumento do nível de atividade no segundo semestre. Outras ações envolvendo política fiscal e a própria política monetária deverão ser implementadas.

 

Ainda é possível apostar em desaceleração e não em recessão, mas é preciso que o governo federal também se convença disso e, sem sofismas, ser mais proativo na condução da política econômica. O Banco Central pode ter entendido em parte essa realidade.

 

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